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Data da Publicação: 01/06/2015 - 10h28
Postado em Feijão

01/06/2015 10h28 - Postado em Feijão

Ventos favoráveis à produção de feijão

No Paraná, o preço médio calculado pelo Deral em maio foi de R$ 106,82 a saca, ante R$ 77,84 no mesmo mês do ano passado

Ainda que o avanço do cultivo de soja e milho continue a colaborar para conter a expansão do plantio de outros grãos com menor liquidez no país, nesta temporada 2014/15 o feijão pode ser considerado um destaque positivo.

As chuvas dos últimos meses elevaram a produtividade da segunda safra da leguminosa e também tendem a favorecer a terceira safra, garantindo aos agricultores uma boa oferta em tempos de preços melhores que no ano passado.

De acordo com levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o cultivo da segunda safra, que está em fase final de colheita, perdeu espaço para a “safrinha” de milho e caiu 6,2% em relação à segunda safra de 2013/14, para 1,413 milhão de hectares. Mas logo após o plantio, que terminou em fevereiro, as principais áreas produtoras receberam fortes chuvas, que se estendem até agora, o que deverá resultar em uma colheita 2,6% maior, de 1,367 milhão de toneladas.

Apesar dessa oferta mais elevada, os preços têm se mantido relativamente firmes, do campo ao varejo. E isso por conta da redução da área plantada na primeira safra, de dezembro e janeiro. A queda foi de 11,8%, e apesar de um aumento de 6,8% na produtividade média das lavouras, a produção caiu 5,8%, para 1,186 milhão de toneladas, e impulsionou as cotações do produto.

O “aperto” do início do ano levou a saca do feijão carioca comercial a ser negociada em Unaí, importante polo produtor da leguminosa em Minas Gerais, por R$ 199 em fevereiro, ante R$ 133 no mesmo mês do ano passado, segundo dados da corretora Bolsinha. Houve quedas entre março e abril, mas Auro Nagay, analista da Bolsinha, diz que mesmo assim os preços têm se mantido em patamares mais elevados que em 2014. Em maio, o mercado permaneceu estável, com a saca de 60 quilos cotada em torno de R$ 120 em Unaí.

Fora de Minas Gerais os preços do feijão também estão mais elevados. No Paraná, que lidera a produção nacional, o preço médio calculado pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Estado em maio foi de R$ 106,82 a saca, ante R$ 77,84 no mesmo mês do ano passado.

No entorno do município de Cristalina, em Goiás, ao sul de Brasília, a saca do feijão carioca está sendo comercializada entre R$ 120 e R$ 130, também acima dos R$ 80 a R$ 90 de maio de 2014, conforme Valber Silva, da Corretora Vitória.

As cotações do feijão também têm encontrado suporte na demanda pelo produto de alta qualidade que começa a entrar agora no mercado, ressalta João Figueiredo Ruas, analista de mercado da Conab. “No sudoeste do Paraná, o produto está com um bom nível e é muito disputado. Tem muito comprador de Goiás, Minas e São Paulo querendo esse feijão”, justifica.

A remuneração maior para o produtor não implica, porém, aumento automático da área plantada na terceira safra. Nesta última fase do plantio de feijão ao longo da safra, que costuma ser a mais modesta, todas as perspectivas convergem para uma área mais ou menos igual à plantada na mesma época de 2014.

Pelos cálculos da Conab, estão sendo semeados 677,5 mil hectares com feijão nesta terceira safra, concentrados no Norte e Nordeste do país, ante 679,3 mil na terceira safra do ciclo 2013/14. Se o clima colaborar, a produção também deverá ficar estável, em 861,8 mil toneladas. O volume deverá ser garantido pela colheita no Centro-­Sul, onde o índice de produtividade é, em média, quatro vezes maior que no Nordeste e no Norte.

Em Unaí, a maior parte da área que costuma ser destinada ao feijão de terceira safra já foi plantada, afirma Nagay. Segundo o analista, ainda é difícil projetar uma área para o cultivo do feijão nas safras da temporada 2015/16 porque, por enquanto, os produtores seguem focados no ciclo atual.

Mas o analista não descarta um avanço do cultivo, uma vez que os preços estão remuneradores. “E existe uma possibilidade de que o consumo doméstico aumente por causa da crise. Quando cai a renda, o trabalhador costuma trocar alguns alimentos pelo consumo de feijão”, explica Nagay.

Fonte: Valor Econômico

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