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Data da Publicação: 07/10/2014 - 11h03
Postado em Soja

07/10/2014 11h03 - Postado em Soja

Soja perto de entrar no Vermelho

Queda de 34% nas cotações internacionais da commodity em três meses levam lucros de MT embora e acendem luz de alerta no PR

O agricultor Antonio Gal­­van, de Sinop (Norte de Mato Grosso), regula as plantadeiras para entrar na maior safra de soja que o Brasil já cultivou com expectativa de colher uma saca a mais por hectare. No entanto, mesmo que avance em produtividade nos seus 2,5 mil hectares de lavoura (mesma área do ano passado), enfrenta risco de prejuízo. Em pleno ciclo de expansão, a oleaginosa tende a não cobrir custos totais em 2014/15 no estado líder em produção. Os preços para entrega em março estão entre R$ 35 e R$ 38, até R$ 15 por saca a menos do que Galvan recebeu em 2013/14. Com custo de R$ 2,5 mil por hectare (incluindo remuneração por uso da terra), ele corre o risco de registrar saldo negativo de R$ 570/ha.

Sua saída, por enquanto, tem sido adiar as vendas e assumir os riscos. “É quase certo que teremos um ano de crise. Com os preços atuais, é melhor se precaver e atrasar o plantio”, afirma, sem descartar redução no cultivo.

A queda de 35% em três meses nas cotações internacionais da commodity apertaram as margens da agricultura brasileira. A pressão vem dos Estados Unidos, que estão colocando no mercado mais de 106 milhões de toneladas do produto. O Brasil tende a ampliar a oferta e o peso sobre as cotações com uma safra também maior, que pode chegar a 95 milhões de toneladas.

O aperto nas contas também ronda o Paraná, segundo maior produtor brasileiro. Quem colher 56 sacas por hectare, por exemplo, tem o desafio de vender a produção a pelo menos R$ 42,15 por saca, apurou o Agronegócio Gazeta do Povo. A partir disso, cada R$ 1 de queda no preço passa a dar prejuízo de R$ 50 por hectare. A cotação para entrega em março tende a ser de R$ 52/sc.

Dólar

“Acredito que o dólar vai subir e vou conseguir vender a R$ 55 ou R$ 56 por saca [no mercado físico], porque colho em janeiro, quando não tem produto no mercado”, prevê o produtor paranaense Paulo Lunardelli, que até o momento largou sementes de soja em 20% da área de 970 hectares que pretende dedicar à cultura este ano em Campina da Lagoa (Centro-Oeste do estado).

Ele também não vendeu antecipadamente um grão sequer da colheita de 2015. A expectativa dos produtores era de uma reação. O agricultor de Mato Grosso e não perde a esperança. “Para quem já está no prejuízo, vale correr o risco.”

A cotação da moeda norte-americana ante o real pode rebater parte da desvalorização da soja. Nos próximos cinco meses, a moeda norte-ame­ricana deve passar de R$ 2,4 para R$ 2,5, conforme as estimativas do mercado.

Mato Grosso pena pelos gastos elevados pela logística, que chegam a R$ 43,72 por saca ou R$ 2,4 mil por hectare (para quem colhe 55 sacas/ha). A cada R$ 1 abaixo de R$ 43,72/sc, são R$ 55 de prejuízo por hectare. O Paraná gasta o equivalente a duas sacas de soja a menos nos custos totais e colhe uma saca a mais por hectare.

A produtividade fará a diferença em 2014/15, diz o economista do Departamento de Economia Rural do Paraná Marcelo Garrido. O produtor vai precisar de bom clima e não poderá contar tão cedo com preços de R$ 70 por saca.

Receita com exportações pode cair US$ 8,5 bilhões

Mesmo com a expectativa de exportar 7% a mais que em 2014, o complexo soja (grão, óleo e farelo) deve faturar US$ 8,6 bilhões a menos nas vendas externas de 2015. A projeção foi elaborada pelo Agronegócio Gazeta do Povo com base nas cotações dos três itens na Bolsa de Chicago para maio de 2015 e nas previsões de exportações da indústria de processamento – 48 milhões de toneladas em grão, 14,5 milhões de t de farelo e 900 mil t de óleo.

O quadro põe em risco o próprio desempenho da balança comercial brasileira, calçado no saldo do agronegócio há 13 anos. Se a queda prevista para 2015 fosse registrada no ano passado, o país teria um déficit de US$ 6 bilhões ao invés do superávit de US$ 2,6 bilhões.

A queda na receita do setor tende a forçar ajustes em toda a cadeia produtiva, avaliam especialistas. Os efeitos vão além da pressão por baixa nos preços dos insumos. “O primeiro efeito é a redução na renda [do produtor]. Essa condição pode até causar desemprego em empresas que estão ligadas ao setor”, avalia José Pio Martins, economista e reitor da Universidade Positivo.

Fonte: Gazeta do Povo – 07/10/2014

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