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Data da Publicação: 02/05/2012 - 12h00
Postado em Notícias

02/05/2012 12h00 - Postado em Notícias

Soja ‘escapa’ de onda baixista em abril

A soja foi a única das principais commodities agrícolas comercializadas pelo Brasil no exterior que resistiu às persistentes turbulências financeiras globais e encerrou abril mais valorizada do que em março no mercado internacional, conforme cálculos do Valor Data baseados nas médias mensais dos contratos futuros de segunda posição de entrega (normalmente os de maior liquidez) […]

A soja foi a única das principais commodities agrícolas comercializadas pelo Brasil no exterior que resistiu às persistentes turbulências financeiras globais e encerrou abril mais valorizada do que em março no mercado internacional, conforme cálculos do Valor Data baseados nas médias mensais dos contratos futuros de segunda posição de entrega (normalmente os de maior liquidez) dos produtos transacionados nas bolsas de Chicago (soja, milho e trigo) e Nova York (açúcar, algodão, cacau, café e suco de laranja).

Apesar das nuvens carregadas sobre a Europa, da lenta recuperação americana e da desaceleração do crescimento da China, a cotação média da oleaginosa, carro-chefe do agronegócio brasileiro, alcançou em abril (o balanço do mês foi fechado no dia 27) US$ 14,4089 por bushel (medida equivalente a 27,2 quilos), 6,2% acima da média de março. Em relação à média de dezembro, a alta chega a 24,97%; na comparação com abril do ano passado, a 4,83%. Das oito commodities que fazem parte do levantamento, a soja é a única que registra ganho sobre abril de 2011.

A atual curva "altista" do grão começou a ganhar forma na primeira quinzena de dezembro, quando ficou claro que a estiagem provocada pelo La Niña prejudicaria a colheita no sul da América do Sul, principalmente no Brasil, na Argentina e no Paraguai. O fenômeno climático cumpriu o prometido e a quebra sul-americana não só reduziu a oferta mundial como ampliou a demanda por soja americana, o que atraiu ainda mais investimentos dos grandes fundos especulativos e maximizou a valorização na bolsa de Chicago.

A demanda, como acontece desde meados da década passada, continuou a ser puxada pela China, que responde por cerca de 60% das importações globais de soja e comprou volumes recordes nesses primeiros meses de 2012, apesar de Pequim ter previsto que o país crescerá menos do que nos últimos anos. É verdade que os chineses ampliaram suas importações de grãos em geral, em linha com sua eficiente – e misteriosa – estratégia de estocagem de alimentos, mas para produtos como o milho, por exemplo, as perspectivas de plantio no Hemisfério Norte na safra 2012/13 seguraram os preços.

Maior país exportador de produtos agrícolas do mundo, os EUA deverão registrar aumento das áreas plantadas de milho e trigo na nova temporada, segundo estimativas do governo. Para a soja, as projeções oficiais ainda apontam para queda, mesmo que muitos analistas acreditem que o quadro possa mudar diante das atraentes cotações da oleaginosa e seus subprodutos. Segundo o Valor Data, o farelo fechou abril com preço médio 36,32% superior ao de dezembro. No óleo, a alta em igual comparação é de 11,94%.

Corretoras como a americana Hackett Financial Advisors acreditam que a soja poderá até subir um pouco mais nos próximos meses – o Rabobank estima preços maiores no segundo trimestre que no primeiro -, mas para depois desabar com a entrada da oferta do Hemisfério Norte no mercado, a partir de setembro, e de um provável recolhimento da China, a depender dos estoques.

Nesse contexto, e apesar do La Niña, o milho fraquejou diante das incertezas quanto ao futuro da demanda e do aumento da oferta no Hemisfério Norte e fechou abril com preço médio 3,7% menor que em março. Em relação à média de dezembro, a alta diminuiu para 2,05%, e sobre abril de 2011 a queda é de 18%. Com uma relação entre oferta e demanda mais confortável, também influenciada pela recomposição da produção na Rússia e arredores, o trigo segue mais ou menos o caminho do milho.

Na bolsa de Nova York, onde são comprados e vendidos contratos futuros das chamadas "soft commodities", o destaque de abril foi a queda de 15,57% da cotação média do suco de laranja em relação à média de março, diretamente influenciada pela queda do consumo americano depois que o governo do país passou a barrar cargas importadas da commodity, inclusive do Brasil, em razão da presença do fungicida carbendazim, proibido naquele mercado.

Na sequência de quedas relevantes aparece o cacau, com retração de 5,42% na comparação com a média de março, basicamente por conta de movimentos especulativos, já que esse período do ano é tradicionalmente fraco quanto às notícias sobre fundamentos. Thomas Hartmann, da TH Consultoria e Estudos de Mercado, lembra que em abril de 2011 as cotações estavam bem mais elevadas em função da guerra civil na Costa do Marfim, o maior produtor mundial da amêndoa.

O pessimismo deu o tom também no mercado de açúcar. O comportamento do câmbio e o cenário mais confortável pelo lado da oferta global abriu espaço para o recuo de 5,21% em sua cotação média em abril, segundo Arnaldo Corrêa, da Archer Consulting. "A safra no Brasil está inclusive sendo ignorada pelos traders. A percepção é de que, independentemente do que acontecerá nos canaviais brasileiros, a oferta será suficiente".

O preço médio do café, por sua vez, fecha abril em um patamar 3,68% menor que o de março, conforme os critérios deste levantamento do Valor Data. Segundo Rodrigo Costa, da Caturra Coffees, o mercado foi tragado pelo movimento geral de vendas que marcou as commodities agrícolas. E que muitos produtores que não acreditavam em queda forte no início do ano venderam o grão para fazer caixa e pelo receio de que o preço recuasse ainda mais.

Já o algodão foi a "soft" que menos caiu em Nova York em abril. Registrou uma variação negativa mínima de 0,05% na comparação com a média do mês anterior e preservou ganho de 1,35% sobre a média de dezembro. Duas forças opostas guiaram a pluma, produzindo essa espécie de "neutralidade".

A primeira, que atuou no início de abril, foi a baixa oferta no mercado físico nos Estados Unidos. "Os chineses atuaram fortemente na ponta compradora e enxugaram o produto no mercado americano", diz Élcio Bento, da Safras & Mercado. Mas, nas últimas semanas, a curva mudou de direção com as incertezas que passaram a rondar o avanço chinês e, por consequência, seu apetite por commodities. "A posição da China é o grande ponto de interrogação do mercado daqui em diante".

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