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Data da Publicação: 21/02/2020 - 09h38
Postado em Cana-de-açúcar, Destaques

21/02/2020 09h38 - Postado em Cana-de-açúcar, Destaques

Seminários discutem manejo e controle do capim-camalote

Eventos reuniram colaboradores de usinas sucroalcooleiras em cinco cidades. Planta daninha pode trazer graves prejuízos aos canaviais

Entre os dias 10 e 17 de fevereiro, o Sistema FAEP/SENAR- -PR realizou cinco seminários no interior do Paraná voltados ao manejo e controle do capim-camalote (Rottboellia cochinchinensis), planta daninha considerada agressiva à cultura da cana-de açúcar. Os seminários “Aspectos do manejo e biologia do capim-camalote” foram realizados junto a colaboradores de oito usinas sucroalcooleiras, localizadas principalmente nas regiões Norte e Noroeste do Estado. O responsável por ministrar os conteúdos foi o engenheiro agrônomo PhD e professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), Pedro Christoffoleti.

De origem exótica, o capim-camalote foi introduzido no Brasil há cerca de 20 anos, em Mococa, no Estado de São Paulo, por meio de sementes de arroz vindas da Colômbia. Apesar de estar presente no país há tanto tempo, nos últimos anos sua presença começou a ser sentida de maneira mais intensa pelos profissionais de campo. “Uma vez estabelecida, ela se multiplica e infesta toda área. Aí é necessário utilizar medidas químicas, pois medidas manuais e biológicas não têm efetividade”, aponta Christoffoleti.

O que torna o capim-camalote tão nocivo é sua alta capacidade de multiplicação. “Uma única planta pode produzir 9 mil sementes, então se expande muito rapidamente”, avalia o professor. Além disso, a baixa disponibilidade de ferramentas de controle torna seu manejo ainda mais desafiador. Hoje existe apenas um herbicida registrado disponível.

Impacto na produtividade

A presença do capim-camalote tem consequências diretas na produtividade do talhão e, consequentemente, no bolso das empresas. “O custo médio de controle na cana-de-açúcar é de R$ 350 por hectare. Com o capim-camalote, esse custo dobra”, calcula Christoffoleti. Além disso, se a infestação for severa, a produtividade pode ser reduzida em até 100%, inviabilizando a cultura.

Segundo a técnica do Departamento Técnico (Detec) do Sistema FAEP/SENAR-PR Jéssica D’angelo, que acompanha a cultura da cana-de açúcar, em 2019 foi feito um diagnóstico junto às usinas, para elencar alguns assuntos urgentes, como o bicudo da cana-de-açúcar (Sphenophorus levis), praga dos canaviais que motivou outra série de seminários por parte da entidade em agosto do ano passado, e o capim-camalote. “O SENAR-PR está trabalhando intensamente para capacitar os agentes de campo das usinas para que possam combater de forma efetiva pragas, plantas daninhas e outros problemas que venham a surgir nos canaviais”, aponta.

Tanto no caso do bicudo da cana, quanto do capim- -camalote, o SENAR-PR elaborou cartilhas para orientar os participantes durante os seminários. Ao todo, os cinco seminários voltados ao controle do capim-camalote reuniram 111 pessoas, com perfis heterogêneos. “Alguns são engenheiros agrônomos, outros técnicos com formação na área agrícola, responsáveis pelos tratos culturais nas usinas, supervisores, coordenadores de aplicação de herbicidas”, avalia Jéssica.

Para o encarregado de tratos culturais da unidade de Iguatemi, da Usina Santa Terezinha, João Lucas, os conhecimentos trazidos pelo SENAR-PR foram bastante oportunos. “Temos um embasamento para trabalhar com gramíneas, mas com o capim-camalote é diferente, pois dissemina muito rapidamente. Como é uma planta de difícil controle, precisávamos de um especialista na área, caso do professor Christoffoleti”, afirma.

Segundo Lucas, a presença do capim-camalote nos canaviais da usina se intensificou nos últimos três anos. “Aqui já tem cerca de 800 hectares com a presença da planta”, afirma.

Conscientização e controle

De acordo com o professor Christoffoleti, dentre as principais medidas para prevenir a presença do capim-camalote estão a produção de mudas (de cana-de-açúcar) isentas das plantas daninhas e a limpeza das máquinas e implementos utilizados nas áreas infestadas. “O terceiro ponto é a identificação e erradicação das plantas por pessoas que circulam no ambiente. No transporte da cana para a usina, muitas sementes [do capim-camalote] vão cair e brotar. Para dar certo, todo este sistema produtivo deve estar atento”, pondera.

Também o presidente do Sindicato Rural de Mandaguaçu e vice-presidente da FAEP, Francisco Nascimento, destaca a necessidade de uma maior consciência para o enfrentamento conjunto desta planta daninha. “As usinas estão fazendo o controle, mas fazendas vizinhas não. Isso compromete toda região”, aponta.

Na opinião do dirigente, os seminários promovidos pelo Sistema FAEP/SENAR-PR são extremamente necessários. “Por meio da qualificação e dos treinamentos podemos ter perspectiva de resultados positivos”, observa Nascimento.

Mutirão do conhecimento

Os seminários “Aspectos do manejo e biologia do capim-camalote” foram realizados em cinco cidades de modo a atender aos funcionários das oito usinas da região.

– Jandaia do Sul (Usina Cooperval e Usina Nova Produtiva);

– Florestópolis (Usina Alto Alegre)

– Iguatemi (Usina Santa Terezinha)

– Jussara (Cia Melhoramentos Norte do Paraná)

– Jacarezinho (Usina Jacarezinho, Dacalda e Usiban)

Título da Postagem: Seminários discutem manejo e controle do capim-camalote

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