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Data da Publicação: 20/12/2012 - 12h00
Postado em Notícias

20/12/2012 12h00 - Postado em Notícias

Safra de soja na América do Sul é boa, mas Estados Unidos ainda preocupam

A América do Sul caminha para uma boa safra de soja, o que pode acalmar um pouco os mercados no primeiro semestre do próximo ano. Dados da consultoria AgRural, de Curitiba, indicam uma safra brasileira recorde de 82,2 milhões de toneladas. Na Argentina, embora o cenário ainda seja bastante incerto, também não se pode descartar […]

A América do Sul caminha para uma boa safra de soja, o que pode acalmar um pouco os mercados no primeiro semestre do próximo ano.

Dados da consultoria AgRural, de Curitiba, indicam uma safra brasileira recorde de 82,2 milhões de toneladas. Na Argentina, embora o cenário ainda seja bastante incerto, também não se pode descartar uma safra acima de 50 milhões de toneladas. As estimativas mais otimistas apontam para uma safra de 137 milhões nos dois países.

Daniele Siqueira, analista da AgRural, diz que esses são os primeiros números para o setor, mas até o final da colheita é um longo caminho.

As maiores dúvidas vêm da Argentina, onde os produtores não conseguem terminar o plantio devido à chuva.

No Brasil, as maiores dúvidas vêm do Rio Grande do Sul, onde tem ocorrido constantes secas, e do Nordeste, que depende de chuvas.

Paraná e Mato Grosso, principais produtores brasileiros, estão com participação praticamente definida na produção brasileira, a menos que ocorram chuvas contínuas no período de colheita.

Mas, como ocorreu neste ano, o mercado de soja não está livre de sobressaltos. "A grande questão é se os Estados Unidos terão nova seca em 2013", diz Daniele.

Este é o ano mais quente da história do país, a ocorrência de neve está bem inferior à de anos anteriores e o solo se mantém muito seco.

Sem um bom volume de neve no inverno e sem chuva no início da primavera, a situação de plantio ficaria complicada para os norte-americanos, avalia a analista da AgRural. Os Estados Unidos podem iniciar a safra em um cenário de dúvidas, afirma.

E, mesmo que o início de plantio seja com condições razoáveis, o mercado vai ficar nervoso até uma definição da safra dos Estados Unidos, o que só ocorre no final do primeiro semestre.

Daniele relembra o bom cenário inicial desta safra que se encerrou nos EUA, quando o Usda (departamento de agricultura do país) previa uma safra recorde de 87 milhões de toneladas.

O plantio foi o mais antecipado da história, e diz a lenda que, quanto mais cedo, melhor a safra. A lenda não se confirmou. Em setembro, já se previa uma safra de apenas 70 milhões de toneladas.

As estimativas de uma safra ruim elevaram os preços da Bolsa de Chicago para o recorde de US$ 17,97 por bushel (27,2 quilos) em 4 de setembro, bem acima dos

US$ 11,50 de 12 de janeiro.

Daniele lembra que a demanda, tanto de soja como de óleo, está elevada e isso é mais um componente de pressão nos preços se as safras da América do Sul e dos Estados Unidos não se comportarem dentro de padrões normais dos anos anteriores.

Os estoques finais de soja estão projetados para 84 dias na safra 2012/13, se a safra da América do Sul não tiver problemas. Não é um volume ruim, mas uma perda de 8 milhões de toneladas na soma de Brasil e Argentina já traria esses estoques para 76 dias.

O efeito psicológico seria grande sobre os preços em Chicago, diz ela. Mais nervoso ficará o mercado se a safra dos EUA não correr bem.

Sem eventuais problemas na próxima safra, o país deverá terminar este ano-safra com apenas 16 dias disponíveis de estoques. É um volume muito pequeno para um país que consome muito e abastece boa parte do mundo com exportações.

Folha.com

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