Logotipo Sistema FAEP

Data da Publicação: 05/10/2012 - 12h00
Postado em Notícias

05/10/2012 12h00 - Postado em Notícias

Produtores sofrem com a crise na avicultura

O fechamento do frigorífico Diplomata em Londrina tem gerado revolta dos produtores da região que estão há meses sem receber pelos últimos lotes entregues. O avicultor Rodolfo Trindade, de Guaravera, já acumula uma dívida de R$ 23,7 mil. Só na região são 23 produtores que estão sem receber há mais de seis meses. Trindade comenta […]

O fechamento do frigorífico Diplomata em Londrina tem gerado revolta dos produtores da região que estão há meses sem receber pelos últimos lotes entregues. O avicultor Rodolfo Trindade, de Guaravera, já acumula uma dívida de R$ 23,7 mil. Só na região são 23 produtores que estão sem receber há mais de seis meses.

Trindade comenta que até já conseguiu uma parceria com uma outra integradora, mas sem dinheiro para reforma do aviário, não pode iniciar o trabalho. Segundo ele, mais de 194 produtores de Londrina e região foram prejudicados com o fechamento da empresa. O avicultor afirma que já tentou por diversas vezes entrar em contato com o Diplomata, mas não obteve retorno. A reportagem da FOLHA também tentou contato com a matriz da empresa em Cascavel, mas até o fechamento desta edição não obteve retorno.

De acordo com o chefe do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Francisco Simioni, a crise que afeta a avicultura vem sendo estudada pelo governo com o objetivo de achar soluções que minimizem o problema. Em meados de setembro fizemos a primeira reunião, envolvendo todos os setores da cadeia produtiva, enfatiza.

Simioni destaca que uma das propostas discutidas é o apoio à aquisição de milho. Além disso, solicitamos a prorrogação das dívidas dos produtores e da indústria, destaca. Essa semana, o secretário de Agricultura, Noberto Ortigara, voltou a se reunir com representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário e do governo de Santa Catarina – estado vizinho ao Paraná que também sofre com os prejuízos no setor avícola – para discutir soluções. O governo federal ainda estuda a situação dos dois estados.

Ações
No caso da indústria, Simioni completa que caso sejam liberados recursos para a manutenção, a empresa é obrigada a manter em dia o pagamento dos seus fornecedores. Segundo informações divulgadas pela Seab, o governo federal manifestou a intenção de apoiar os produtores de aves. O secretário da pasta defendeu nesta semana que o problema seja tratado como prioridade e que a solução seja dada o mais rápido possível. No Paraná, a avicultura envolve 19 mil produtores, gera 60 mil empregos diretos e representa 11% da riqueza produzida pela agricultura. Em Santa Catarina, são 17,5 mil avicultores.

Ortigara defendeu a necessidade de o governo federal bancar a diferença no custo do frete do milho a ser removido do Centro-Oeste do País para o Sul por mecanismos já existentes como Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) ou Valor de Escoamento de Produto (VEP). Durante a reunião, o superintende da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), José Roberto Ricken, pediu apoio federal para empresas paranaenses que investem na ampliação e modernização da produção avícola e foram atropeladas pela crise. Ele também pediu a prorrogação da entrada em vigor de medidas sanitárias como a Instrução Normativa – IN 56 e 59, previstas para dezembro.

Francisco Simioni, do Deral, acrescenta que a tendência é que os preços do milho e da soja recuem com o início da colheita nos Estados Unidos. Esse momento de alta nas cotações é breve e existe uma tendência de redução, assinala.

Diplomata

O frigorífico Diplomata encerrou suas atividades em 3 de agosto e não está mais recebendo a produção dos avicultores e nem enviando a ração para que eles alimentem os animais. Além dos abatedouros, a indústria trabalha com a criação de aves, produção de farelo e óleo de soja e unidades de produção de sementes.

Em 31 de agosto, 550 funcionários demitidos do abatedouro em Londrina realizaram um protesto pacífico em frente à empresa para reivindicar os pagamentos da rescisão trabalhista, que engloba a liberação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e seguro desemprego.

Fonte: Folha Web – Ricardo Maia

imprensa@faep.com.br