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Data da Publicação: 18/11/2013 - 12h00
Postado em Agronegócios

18/11/2013 12h00 - Postado em Agronegócios

Por mais segurança no campo

Assaltos, furtos, sequestros, tiroteios e assassinatos já fazem parte do cotidiano da população da zona rural há algum tempo e isso tem provocado uma mudança nos costumes dos moradores. Agora, os itens de segurança que são comuns na área urbana passaram a fazer parte do cenário das propriedades rurais. Alarmes, câmeras, cercas elétricas, entre outros […]

Assaltos, furtos, sequestros, tiroteios e assassinatos já fazem parte do cotidiano da população da zona rural há algum tempo e isso tem provocado uma mudança nos costumes dos moradores. Agora, os itens de segurança que são comuns na área urbana passaram a fazer parte do cenário das propriedades rurais. Alarmes, câmeras, cercas elétricas, entre outros itens, agora dividem o espaço com equipamentos agrícolas em sítios, chácaras e fazendas.

O presidente do Conselho Comunitário de Segurança Rural de Apucarana (Norte-Centro), Renato Franciscon, relata que embora apenas 14,65% da população do Paraná resida em áreas rurais, o agronegócio continua sendo o maior gerador de dividendos para o Estado. Ele ressalta, no entanto, que o policiamento sempre privilegiou as áreas urbanas em detrimento das rurais.

Franciscon fez também um “mea culpa” ao dizer que muitas medidas de segurança dependem dos próprios produtores rurais. “Durante uma palestra, um produtor rural reclamou que levaram o carro dele, mas depois eu soube que ele tinha deixado a chave no contato”, exemplifica.

O produtor rural Ângelo Miquelão Filho, de 49 anos, já foi assaltado duas vezes e sofreu duas tentativas de furto. Ele relata que antes dessas ocorrências nunca teve qualquer preocupação com a segurança. “Era uma coisa de confiança. Eu dormia com as portas e janelas abertas”, relembra.

Em todas essas oportunidades, o alvo dos bandidos eram os equipamentos de áudio e vídeo. “Provavelmente eram pessoas que nos conheciam, pois em uma das oportunidades foi durante o velório de meu filho e na outra foi quando eu fui ao cemitério no Dia de Finados”, relembra.

Para combater o problema, Miquelão Filho optou por colocar refletores ao redor de casa e também implantou câmeras de vigilância que captam imagens das pessoas que circulam perto de sua residência. Ele gastou R$ 4 mil para implantar o equipamento. “Tem gente que pergunta se o equipamento é falso, mas aí eu digo que é tudo verdadeiro. Se uma pessoa sabe que vai ter sua imagem registrada, fica mais atenta e pode desistir de assaltar a casa”, destaca.

Miquelão alia essa tecnologia com alguns cuidados simples e eficientes, como evitar o plantio de vegetações que impeçam a visão da área externa, a utilização de cães e guarda e a contratação de uma empresa de vigilância privada.

Mas nem todos os produtores rurais têm informações sobre as medidas mais eficazes para evitar os crimes. Por isso, eles solicitaram à Polícia Militar a elaboração de uma cartilha de segurança. “Eles trouxeram uma cartilha que era voltada para áreas urbanas que não funcionaria em uma propriedade rural. Estava cheia de termos técnicos, mas em muitas propriedades ainda existem pessoas com problemas na alfabetização”, destacou Franciscon.

Por isso, foi elaborada uma outra cartilha, baseada nas entrevistas com detentos e também com base nas observações realizadas nas propriedades rurais. A cartilha foi lançada recentemente em Apucarana (leia mais nesta página).

O comandante geral da Polícia Militar do Paraná, coronel César Vinícius Kogut, afirmou que a cartilha prioriza as ações preventivas. E destacou que o material será distribuído durante palestras realizadas pelas equipes da Patrulha Rural.

O 2º sargento Vanderlei Sério está na Patrulha Rural desde 1997 e entre os conselhos que dá aos produtores é para que sempre anotem a placas de carros estranhos, que não possuem o costume de passar pelo local.

Pioneiro
A entidade que Franciscon preside foi o primeiro Conseg Rural criado no Paraná. Foi em março do ano passado, justamente depois de uma onda de violência que atingiu a região. Na época o Sindicato Rural Patronal de Apucarana constatou que de 126 propriedades rurais pesquisadas, 38 haviam sido alvos de roubos e assaltos.

“O problema é que muitos deles não registraram Boletim de Ocorrência porque achavam que não valia a pena e outros nem sabiam o que era um BO. Apenas 40% dos 38 assaltos foram registrados em um BO”, revelou. Ele destacou que, sem esses dados, fica mais difícil para a polícia saber onde concentrar seus esforços de combate à criminalidade. O Conseg Rural atende 1.830 propriedades rurais.

Folha web

Título da Postagem: Por mais segurança no campo

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