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Data da Publicação: 17/12/2015 - 13h20
Postado em Destaques

17/12/2015 13h20 - Postado em Destaques

Perspectivas da mandioca

Confira a análise do engenheiro-agrônomo Cristopher Azevedo, do Departamento Técnico Econômico da FAEP

Por Cristopher Azevedo – engenheiro-agrônomo do Departamento Técnico Econômico (DTE) 

Mundo

A mandioca é uma cultura tropical largamente plantada no mundo todo, tem rusticidade e é pouco exigente, apresenta grande importância na segurança alimentar suprindo exigências nutricionais por isso seu plantio vem crescendo a cada ano, sobre tudo nos países mais pobres, como os do continente africano. Dados da FAO revelam que a produção mundial é de 276,7 milhões de toneladas. A Nigéria é o maior produtor mundial com 19,5% da produção, em seguida a Tailândia com 10,9% e Indonésia com 8,6% da produção. O Brasil que já foi o maior produtor de mandioca encontra-se em 4° lugar com 7,7% da produção mundial.

Esta perda de posição do Brasil se deve a grande expansão da produção asiática, onde se encontram grandes empresas ligadas a cadeia produtiva da mandioca, concentrando fecularias modernas e de alto rendimento.

Brasil

A mandioca é cultivada em todos os estados brasileiros gerando renda e emprego principalmente entre os pequenos e médios produtores. Com o aumento da demanda de mandioca nos últimos anos o Brasil vem produzindo em média 25 milhões de toneladas todos os anos.

Levantamentos do IBGE/2015 estima uma produção de 24 milhões de toneladas, 3,9% maior que 2014, destacando o Norte com crescimento de 2,4%, Sul com 4,7% e Nordeste com 10,6% de crescimento na produção. Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste aconteceram um decréscimo da produção respectivamente de 5,5% e 0,1%.

Os estados nordestinos se destacam em 2015 aumentando consideravelmente sua produção, sobressaindo o Piauí com 149,3% de aumento e Ceará com 40,6%. Paraíba e Bahia também foram estados com crescimento produtivo respectivo de 10% e 5,4%.

Já outros estados como Rio Grande do Norte teve um decréscimo de 44,3%, Pernambuco 23,9% e Sergipe uma redução de 3,1% de suas produções.

Vale ressaltar que em 2013 obteve a menor produção da ultima década chegando somente a 21.484.218 toneladas, devido a estiagem severa no Nordeste neste período, o que ocasionou elevação dos preços neste ano principalmente nos estados do sul e sudeste onde a produção foi normal.

 

Produção e Rendimento por Estados e Regiões (2014/2015)
Estados/Regiões Produção Rendimento Produção Rendimento
2014 (t) 2014 (kg/ha) 2015 (t) 2015 (kg/ha)
Rondônia 531.829 21.448 544.714 21.682
Acre 1.213.397 27.824 1.156.513 27.964
Amazonas 924.033 9.939 832.734 27.964
Roraima 129.850 15.152 150.411 16.438
Pará 4.874.331 14.249 5.256.294 15.366
Amapá 159.650 11.010 156.875 12.550
Tocantins 212.066 18.064 143.024 19.714
Norte 8.045.156 14.947 8.240.565 15.805
Maranhão 1.619.342 8.610 1.781.440 9.044
Piauí 174.931 6.075 436.072 11.180
Ceará 478.663 7.880 672.936 9.857
Rio Grande da Norte 160.286 10.486 89.278 10.944
Paraíba 134.424 8.794 148.669 9.184
Pernambuco 302.461 8.820 230.141 9.992
Alagoas 235.737 12.416 235.849 12.412
Sergipe 416.417 15.448 403.397 14.965
Bahia 1.988.586 11.261 2.096.390 11.614
Nordeste 5.510.847 9.754 6.094.172 10.561
Minas Gerais 851.539 14.278 849.879 14.002
Espírito Santo 162.999 16.780 160.902 16.878
Rio de Janeiro 191.539 14.233 146.954 13.834
São Paulo 1.422.000 23.700 1.325.559 22.093
Sudeste 2.628.077 18.402 2.483.294 17.630
Paraná 3.815.221 24.318 4.088.254 24.725
Santa Catarina 486.805 18.718 506.250 18.750
Rio Grande do Sul 1.181.422 17.203 1.146.092 17.165
Sul 5.483.448 21.797 5.740.596 22.154
Mato Grosso do Sul 885.743 21.901 968.000 22.000
Mato Grosso 337.599 14.953 307.922 14.851
Goiás 176.191 16.603 122.463 16.662
Distrito Federal 20.767 15.016 20.745 15.000
Centro-Oeste 1.420.300 18.934 1.419.130 19.317
Fonte: IBGE/LSPA (jan 2015) Elaboração DTE|FAEP

Paraná

O Paraná vem a alguns anos mantendo a média de sua produção que é de 3,8 milhões de toneladas, oscilando conforme o mercado nacional. Em 2014 passamos de 3,67 milhões de toneladas para 4,28 milhões em 2015. Isso ocorreu devido ao ano de 2013 quando os estados produtores do nordeste tiveram uma quebra em sua produção. Como são estados consumidores de farinha, isso refletiu em um aquecimento dos preços desses produtos em nosso estado, havendo uma grande transferência de farinha, fécula e até de raízes de mandioca para abastecer o consumo e algumas indústrias nordestinas.

Para 2016 espera-se uma produção de 3,55 milhões de toneladas, 17% menos que 2015, isso se deve a retração da área plantada que passou de 156.406 hectares para 129.195 hectares, porém o rendimento por hectare tem um leve aumento passando de 27.404 kg/ha para 27.741 kg/ha.

Dados do Paraná por Região, últimos dois anos e projeção para 2016.

Área em hectare Produção em tonelada Rendimento (kg/ha )
Regiões 13/14 14/15 15/16 13/14 14/15 15/16 13/14 14/15 15/16
Centro-oeste 14.000 12.875 8.000 252.000 296.125 184.000 18.000 23.000 23.000
Noroeste 76.471 80.053 75.261 1.861.085 2.319.717 2.285.221 24.353 28.977 30.364
Norte 11.064 17.565 10.654 263.150 444.798 252.931 23.784 25.323 23.740
Oeste 27.589 24.395 15.440 887.687 808.300 440.503 32.175 33.147 28.530
Sudoeste 8.114 8.064 6.420 155.770 178.450 140.840 19.198 22.129 21.938
Sul 14.324 13.454 13.420 252.987 238.478 245.663 17.662 17.725 18.306
Total 151.562 156.406 129.195 3.672.679 4.285.868 3.549.158 24.232 27.402 27.471
Fonte: SEAB Elaboração DTE|FAEP dez/2015

No ano de 2014 a mandioca tanto para indústria como para consumo humano representou 1,77% do VBP do Paraná, somando R$ 1.249.781.618,71.

A região Sul conta com um parque industrial de alta tecnologia para o processamento da mandioca, comparado às outras regiões, que tem indústrias menores de baixa tecnologia muito dependente de mão de obra que chegam a ser consideradas artesanais.

O Paraná atualmente conta com 40 indústrias de fécula das 69 existentes no Brasil, representando 58% do parque nacional, é responsável por 70% da fécula produzida no Brasil, chegando a 550 mil toneladas. Essa produção é basicamente consumida internamente não tendo muita expressão nas exportações.

A fécula é largamente usada na indústria de alimentos, mas também faz parte do processo produtivo de papel, frigoríficos e indústrias de tecidos.

O Paraná passou por um período de preços bons o que incentivou o plantio da mandioca e consequentemente o aumento da produção, o preço da raiz já chegou a R$ 550,00/tonelada em dezembro de 2013.

Atualmente os preços giram em torno de R$ 201,37/tonelada assim mesmo ainda não cobrem o custo de produção que é de R$ 238,73, segundo os últimos dados divulgados pela SEAB em 2015.

No estado do Paraná espera-se uma redução de 17% tanto da área quanto da produção de mandioca para 2016. O consumo interno de fécula também caiu aumentando as exportações, para assegurar melhor preço ao produtor a Conab comprou fécula.

Segundo o DERAL/SEAB, as chuvas acumuladas nos meses de outubro e novembro no estado prejudicaram a colheita e transporte das raízes até as indústrias. Porém as chuvas não refletiram na qualidade da mandioca que vem mantendo quantidades boas de matéria seca.  Com a entressafra aproximando-se a expectativa é de que os preços também comecem a reagir.

Título da Postagem: Perspectivas da mandioca

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