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Data da Publicação: 15/10/2012 - 12h00
Postado em Notícias

15/10/2012 12h00 - Postado em Notícias

O novo ano da agricultura

  Um novo recorde na safrade grãos e oleagino­sas poderá ser obtido em 2012-2013, se­gundo a primeira estimativa de plantio divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimen­to (Conab). Os cálculos ini­ciais indicam uma produção na faixa de 177,7 milhões a 182,3 milhões de toneladas de algo­dão, amendoim, arroz, feijão, milho, soja, trigo e umas pou­cas lavouras […]

 
Um novo recorde na safrade grãos e oleagino­sas poderá ser obtido em 2012-2013, se­gundo a primeira estimativa de plantio divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimen­to (Conab). Os cálculos ini­ciais indicam uma produção na faixa de 177,7 milhões a 182,3 milhões de toneladas de algo­dão, amendoim, arroz, feijão, milho, soja, trigo e umas pou­cas lavouras menos importan­tes. O aumento ficará entre 7,2% e 10%. O governo divulga­rá levantamentos atualizados nos próximos meses. Por en­quanto, as perspectivas são de boas condições de abasteci­mento no próximo ano e de re­sultados satisfatórios nas ex­portações do agronegócio. No entanto, quase todo o aumen­to de área, estimado entre 0,2% e 2,7%, dependerá de uma única lavoura – a da soja – com variação prevista entre 5,5% e 9,1%. A decisão dos pro­dutores é obviamente uma res­posta às condições do merca­do internacional. Em outras circunstâncias, essa decisão po­deria ser um indício de proble­mas no mercado interno.

Embora com expansão de área menor que a da soja, ou mesmo com redução, a oferta de produtos essenciais ao con­sumidor brasileiro deverá ser satisfatória. A produção de so­ja deve aumentar entre 13,7 mi­lhões e 16,4 milhões de tonela­das. Na primeira safra, o acrés­cimo na colheita de milho fica­rá entre 653 mil e 2 milhões de toneladas – uma boa notícia pa­ra os produtores e exportado­res de frangos e suínos e para os consumidores internos. O feijão da primeira safra deve re­sultar entre 45,9 mil e 84,5 mil toneladas mais volumoso que o de um ano antes. A colheita de arroz poderá ser mais ou menos igual à de 2011-2012 – em qualquer caso, sem risco pa­ra o abastecimento.

Alguns fatores permitem uma avaliação tranqüila do ce­nário. Uma produtividade maior poderá garantir boas co­lheitas em áreas menores. De janeiro a agosto as entregas de fertilizantes foram 4,8% maio­res que as de igual período de 2011. Projeções da Conab indi­cam entregas de 30,2 milhões de toneladas até o fim do ano, com acréscimo de 6,7%/sobre o volume do ano anterior. A venda de máquinas agrícolas – 44 mil unidades até agosto – foi 0,2% inferior à de um ano antes, mas até dezembro o to­tal projetado – 66 mil – poderá superar o de 2011.

Outro fator é a fluidez do co­mércio. Amplamente integrado no mercado global, o agronegó­cio tanto aproveita as oportuni­dades de exportação quanto ga­rante, pela importação, condi­ções adequadas de abasteci­mento, quando necessário. Fa­tores incontroláveis, como a se­ca deste ano nos EUA e o aumento de demanda em grandes mercados, podem forçar au­mentos de preços, mas com efeitos geralmente passageiros.

O governo tomou uma exce­lente decisão para os consumi­dores brasileiros, há mais de duas décadas, quando resolveu deixar de protegê-lo por meio de controles de preços e de in­tervenções, quase sempre de­sastradas, no comércio interna­cional de produtos agrícolas. O aumento da produtividade e o superávit crescente do agrone­gócio foram acompanhados de condições estáveis de supri­mento e de preços melhores pa­ra os consumidores nacionais.

O governo manteve, no en­tanto, esquemas perfeitamen­te justificáveis de intervenção, por meio das políticas de pre­ços mínimos, de financiamen­to e de manutenção de esto­ques públicos. Além disso, as estimativas da Conab indicam aumento dos estoques finais de algodão, feijão, milho, soja e derivados e trigo e uma peque­na diminuição do de arroz.

O cenário, portanto, é em ge­ral favorável, embora a evolu­ção do mercado internacional possa favorecer a elevação de preços de alguns produtos. Segundo avaliação do Banco Mundial, a combinação de ins­tabilidade e cotações elevadas deve ser a nova condição dos mercados. Se essa avaliação for correta, o governo terá mais um forte motivo para re­forçar e aperfeiçoar a política de estoques reguladores. Esse é mais um motivo para se tra­tar com mais cuidado da políti­ca agrícola do governo, área também atingida, como com­provaram os escândalos do ano passado, pelos males do loteamento e do aparelhamento

Fonte: O Estado de S. Paulo – 15/10/2012

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