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Data da Publicação: 26/11/2014 - 11h17
Postado em Agronegócios, Milho

26/11/2014 11h17 - Postado em Agronegócios, Milho

Milho: Com queda no dólar, preços seguem desvalorizados na BM&F

No pregão desta terça-feira (25), os futuros do milho na BM&F Bovespa encerraram do lado negativo da tabela. Ao longo das negociações, os contratos futuros ampliaram as perdas e terminaram o dia com desvalorizações expressivas entre 1,57% e 3,72%. O vencimento março/15 era cotado a R$ 30,11 a saca. Depois dos ganhos recentes, o mercado […]

No pregão desta terça-feira (25), os futuros do milho na BM&F Bovespa encerraram do lado negativo da tabela. Ao longo das negociações, os contratos futuros ampliaram as perdas e terminaram o dia com desvalorizações expressivas entre 1,57% e 3,72%. O vencimento março/15 era cotado a R$ 30,11 a saca.

Depois dos ganhos recentes, o mercado futuro do cereal foi pressionado pelo recuo no dólar frente ao real. As perdas registradas no mercado internacional também contribuíram para a formação desse cenário.

Para o economista da Granoeste Corretora de Cereais, Camilo Motter, o aumento na oferta do grão e a retração dos compradores também exerce pressão maior nos preços. “Depois das altas expressivas nos últimos 45 dias, os compradores estão retraídos nesse início de semana e os produtores estão correndo mais atrás. A tendência é que aumente a oferta e os compradores recuem momentaneamente”, afirma.

Por outro lado, também há as primeiras informações de chuvas para as regiões produtoras do grão na primeira safra. De acordo com informações da Somar Meteorologia, entre os dias 25 a 29 de novembro, as chuvas deverão ficar centralizadas nas regiões, Sudeste, Centro-Oeste e Norte do país.

Nesse período, os estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e partes de Goiás, deverão receber chuvas, com acumulados que podem alcançar 50 a 70 mm. Em alguns pontos dessas regiões, o volume pode atingir até 130 mm. Já na próxima semana, entre os dias 30 de novembro a 4 de dezembro, as chuvas ainda deverão aparecer no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Para SP são previstas precipitações de 30 mm durante o período, mesmo volume acumulado projetado para os estados do Paraná, partes de MS, MT e GO. Em MG, as precipitações são mais volumosas, entre 30 até 100 mm, especialmente na parte central e norte do estado. No RS, as precipitações deverão ficar entre 15 a 30 mm. No Oeste da BA, os volumes podem variar entre 15 até 50 mm.

Na semana seguinte, entre os dias 5 a 9 de dezembro, as chuvas deverão se concentrar na faixa que abrange o AM, MT, GO e MG. Os estados do Centro-Oeste e o mineiro poderão ter precipitações com volumes acumulados entre 30 até 70 mm. Na divisa das regiões de MG e GO, o acumulado pode chegar a 100 mm. No Sul do país, em SP e MS, os volumes não devem ultrapassar os 15 mm, segundo dados reportados pela empresa.

“A questão climática será fundamental daqui para frente, mesmo com o atraso do plantio da soja, que já compromete a janela ideal de plantio do milho safrinha. Isso porque, os atuais patamares de preços estimulam o plantio, então talvez não tenhamos a redução esperada na área na segunda safra. E essa situação de clima já provoca a primeira inversão de sentimento do mercado, que nesse momento é de venda”, explica Motter.

Paralelamente, o economista também destaca que, o ritmo mais lento das exportações contribui para o quadro. Para o mês de novembro, a perspectiva era que os embarques alcançassem entre 3,8 a 4 milhões de toneladas, porém, a percepção é que essa estimativa não seja atingida. Na terceira semana de novembro, os embarques ficaram em 122,2 mil toneladas do grão, uma redução de 11,6% em relação ao mês anterior, quando foram exportadas 138,2 mil toneladas.

“Precisamos exportar entre 20 a 22 milhões de toneladas de milho, mas os embarques estão aquém do ideal. Isso diante de um consumo interno sem grandes alterações, ao redor de 55 milhões de toneladas. E os estoques de passagem são elevados em torno de 15 milhões de toneladas”, ressalta o economista.

Mercado interno

No mercado interno, a terça-feira (25) foi de valorizações aos preços do milho. Segundo levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas, em Ubiratã, Londrina, Cascavel, ambas cidades do Paraná, os preços subiram 2,44% e a saca do cereal é negociada a R$ 21,00. Em São Gabriel do Oeste (MS), a alta foi mais expressiva de 7,69%, com a saca do milho cotada a R$ 21,00.

Em contrapartida, no Porto de Paranaguá, a cotação do cereal caiu para R$ 27,00, com desvalorização de 1,82%. A situação é decorrente da perda registrada no dólar nesta terça-feira. A moeda norte-americana terminou o dia cotada a R$ 2,5367 na venda, com queda de 0,47%. O mercado ainda aguarda pelo anúncio da nova equipe econômica da presidente Dilma Rousseff, que deverá ser feito na próxima quinta-feira (27).

O consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, destaca que os negócios estão saindo, porém, estão abaixo do registrado na semana anterior. “Nos EUA, os produtores não estão vendendo milho, temos os custos com fretes, trens e o inverno chegando mais cedo. Então, a oferta do grão está mais escassa no mercado norte-americano e muitos compradores estão vindo para o mercado brasileiro se abastecer. Acredito que até janeiro e fevereiro teremos uma boa procura pelo cereal do Brasil”, destaca.

O consultor ainda sinaliza que nos portos do país, as cotações do cereal deverão oscilar entre R$ 26,50 a R$ 29,50. “Isso dependendo do comportamento do dólar e de Chicago. Mas o mercado não mostra muito para baixo, pois estamos entrando no período de entressafra no Brasil e a demanda, especialmente do setor de ração permanece firme”, diz Brandalizze.

Nas demais praças o dia foi de estabilidade. E, recentemente, os preços têm encontrado suporte na demanda aquecida, mas também nas incertezas em relação à safra brasileira. Por enquanto, a única certeza é a redução na área destinada ao cereal na primeira safra e o comprometimento da janela ideal de plantio do milho safrinha devido o atraso no plantio da soja na safra de verão.

“No curto prazo, a oferta, juntamente com a necessidade do escoamento da produção, para o armazenamento da soja mais adiante e as exportações em ritmo mais lento serão elementos que influenciarão as cotações do milho. Para a safrinha, ainda temos muita água para passar embaixo da ponte”, acredita o economista da Granoeste Corretora de Cereais.

Bolsa de Chicago

Na Bolsa de Chicago (CBOT), a sessão foi de alta aos preços do cereal. Durante os negócios, as principais posições da commodity aumentaram os ganhos e fecharam o pregão com valorizações entre 6,50 a 7 pontos. O contrato dezembro/14 era cotado a US$ 3,74 por bushel.

Conforme dados reportados pelo site internacional Farm Futures, os preços do cereal foram impulsionados pelas boas altas registradas nos contratos da soja. Além disso, essa semana, os investidores buscam um melhor posicionamento frente ao feriado do Dia de Ação de Graças, que será comemorado na próxima quinta-feira (27) nos EUA.

Na sessão anterior, os preços foram pressionados, principalmente pelo avanço na área colhida nos EUA. Nesta segunda-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou que a área colhida chegou a 94% no país até o último domingo.

A projeção ficou em linha com as estimativas dos participantes do mercado e representa um aumento de 5% em relação à semana anterior, quando 89% da área havia sido colhida. Além disso, os números dos embarques semanais, também divulgados nesta segunda-feira pelo departamento norte-americano, ficaram aquém das perspectivas do mercado.

Até o dia 20 de novembro, os embarques semanais totalizaram 529,80 mil toneladas de milho. Os investidores apostavam em um percentual entre 560 até 810 mil toneladas para essa semana. Na semana anterior, o percentual ficou em 401,11 mil toneladas.

Fonte: Notícias Agrícolas

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