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Data da Publicação: 17/07/2013 - 12h00
Postado em Notícias

17/07/2013 12h00 - Postado em Notícias

Mercado acredita em novos recordes de preço do trigo

Diferentemente dos anos anteriores, o produtor de trigo Anton Gora, de Guarapuava (PR), pretende comercializar sua produção somente no início da colheita, entre o fim de agosto e o início de setembro. Nas safras passadas, ele fechava contratos futuros de entrega do trigo. Mas neste ano, Gora acredita que o preço do cereal, que vem […]

Diferentemente dos anos anteriores, o produtor de trigo Anton Gora, de Guarapuava (PR), pretende comercializar sua produção somente no início da colheita, entre o fim de agosto e o início de setembro. Nas safras passadas, ele fechava contratos futuros de entrega do trigo. Mas neste ano, Gora acredita que o preço do cereal, que vem batendo consecutivos recordes, continuará a subir mesmo no início da safra. Em um mês, o preço do trigo no mercado paranaense subiu 11,8%.

A aposta do triticultor vai de acordo com as expectativas de especialistas do setor. Fábio Silveira, diretor de pesquisa econômica da GO Associados, vê uma pressão altista para as cotações de trigo mesmo com o início da safra de inverno. Segundo o economista, há dois fatores preponderantes que explicam a subida dos preços. Um deles é a desvalorização cambial, e o outro são os baixos níveis dos estoques. "Temos um início de safra, mas com nível de estoque muito baixo", de onde advém a pressão para cima, diz.

A proibição estabelecida pelo governo argentino de exportar trigo tem pressionado fortemente os preços, já que o cereal do País vizinho costuma ser o principal determinante do preço do produto no mercado interno. O início da colheita da safra argentina, em setembro, pode mudar a postura do governo, já que haverá maior oferta para o mercado local.

Enquanto isso, é a produção norte-americana, que está em período de colheita, que tem abastecido as indústrias moageiras do Brasil.

Os produtores gaúchos têm vendido o cereal a valores já acima de R$ 700 por tonelada, enquanto no Paraná a cotação já ultrapassou a barreira dos R$ 800. Na segunda-feira, o preço no Paraná chegou a R$ 874,69, e a R$ 766,78 no Rio Grande do Sul.

O triticultor Ricardo Wolter, de Carambeí, vizinho de Ponta Grossa (PR), também venderá sua produção após o início da colheita, mas por falta de opção. "Aqui na região não tem comércio futuro de trigo. Mas, se eu tivesse o produto, venderia agora", diz.

No Rio Grande do Sul, o coordenador da Câmara de Trigo da secretaria de agricultura local, Áureo Mesquita, espera que ocorra uma queda significativa somente a partir de novembro. Já no Paraná, o técnico da secretaria, Hugo Godinho, acredita que os preços no estado cairão em setembro, quando começa a colheita local. Até lá, ele não vê mudança na tendência de alta.

Estoques

Amanhã os moinhos terão sua última chance nesta entressafra de comprar trigo nacional em um leilão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Desde março, a empresa já realizou 22 leilões e vendeu 487 mil toneladas, e pretende vender nesta quinta-feira todo o estoque do produto que ainda tem consigo, que totaliza 6.630 toneladas. Segundo a companhia, a recomposição dos estoques públicos deve se dar somente a partir de agosto.

De acordo com o mercado, os estoques privados também estão baixos. As reservas já estavam reduzidas no fim de junho, afirmou na época o presidente da Moinho Pacífico, Lawrence Pih.

A falta de estoques por parte dos moinhos é um problema estrutural, aponta o coordenador da Câmara de Trigo do governo gaúcho. Segundo Mesquita, o estado produz mais do que a necessidade da indústria. No ano passado, foram colhidas 1,8 milhão de toneladas ante uma demanda de 1,3 milhão de toneladas. "As indústrias não têm crédito nem capacidade de armazenar", afirma.

Para reverter o problema, Mesquita adiantou que o governo gaúcho anunciará "nos próximos meses" uma linha de crédito para complementar a aquisição de armazéns por parte dos moinhos, exigirá que a Conab eleve sua capacidade média de armazenagem do trigo no estado de 250 mil toneladas para 400 mil toneladas e aumentará o apoio às reservas.

Essas medidas, porém, ficarão somente para a próxima safra. "Até lá vamos ficar com essa carência", admite.

DCI

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