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Data da Publicação: 04/07/2013 - 12h00
Postado em Notícias

04/07/2013 12h00 - Postado em Notícias

Logística já sente impacto das manifestações em rodovias

A paralisação dos caminhoneiros nas rodovias do País provocou problemas de logística e abastecimentos em diversas regiões do País. O movimento, que começou na segunda-feira, paralisou cerca de 40% da logística em apenas 24 horas, segundo levantamento da MB Associados. Os principais serviços afetados foram as entregas de produtos alimentícios – muitos perecíveis. Prevista para […]

A paralisação dos caminhoneiros nas rodovias do País provocou problemas de logística e abastecimentos em diversas regiões do País. O movimento, que começou na segunda-feira, paralisou cerca de 40% da logística em apenas 24 horas, segundo levantamento da MB Associados. Os principais serviços afetados foram as entregas de produtos alimentícios – muitos perecíveis. Prevista para terminar hoje (4), a manifestação pode ganhar nova força no próximo dia 11, quando os servidores portuários estão ameaçando realizar uma greve, com apoio de centrais sindicais.

"A verdade é que esses movimentos, a partir do momento que se espalham pelo o Brasil de modo inédito, começam a afetar no âmbito do desenvolvimento econômico", disse a economista da MB Associados, Tereza Fernandes. Segundo ela, o principal impacto se dá no abastecimento de alimentos perecíveis.

Segundo apurou a reportagem do DCI, alguns boxes de comercialização de granjas, hortifrútis e pescados da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) foram afetados com a falta de recebimento de mercadorias.

Um distribuidor de hortifrútis disse ao DCI que boa parte da mercadoria está atrasada, o que impacta a distribuição. "Eu tenho um carregamento para sair, mas eu não consigo liberar em razão da falta de mercadoria", afirmou Roberval Lima, responsável por um centro de distribuição no Ceagesp.

Na Região Sul do País, a distribuidora de alimentos perecíveis Finco, que transporta produtos das marcas Seara e Danone, entre outros, teve problema na entrega desses alimentos. De acordo com o gerente financeiro da Finco Alimentos, Mateus João Finco, dois caminhões tiveram problema no transporte da mercadoria. Um seguia para o extremo oeste de Santa Catarina, próximo à divisa com a Argentina, e o outro para o sul do Paraná. "Os meus caminhões vão ficar parados, vai estragar a mercadoria e eu vou ter de refazer todas as entregas no dia de amanhã", disse Finco ao DCI. Segundo ele, os prejuízos estimados estão na faixa de R$ 50 mil.

Ele disse ainda que outros distribuidores da Região Sul do País estão passando pelo mesmo problema. "Todos eles [distribuidores] estão passando por dificuldade porque a nossa região não tem vias pelas quais a gente possa optar", afirmou.

A cooperativa Aurora, terceira maior produtora de carnes do Brasil, informou ontem (3) que teve problemas com o bloqueio nas estradas na região de Santa Catarina. Com isso houve paralisação de três plantas da companhia. A falta de ração e de animais para o abate prejudicou a distribuição local. "As indústrias não recebem aves e suínos adultos para abate, enquanto os produtores rurais ficam com a produção represada no campo", disse a empresa em nota. A Aurora estimou prejuízos de R$ 10 milhões

Sem indícios

O ministro dos Transportes, César Borges, afirmou ontem que não há indícios de desabastecimento, já que o movimento foi algo pontual. "O movimento já começou fraco e está ficando cada vez mais fraco. Não há prejuízo ao escoamento da safra ou de outros produtos", afirmou.

O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo (Setcesp), Manoel Souza Lima, disse por outro lado que houve sim problema de desabastecimento de produtos, em especial para o comércio e para a indústria. "O abastecimento local está sofrendo bastante. Eu acho que o primeiro impacto está sendo das indústrias e do comércio. Eu discordo [da afirmação do ministro César Borges]. Há setores prejudicados, sim", afirmou. Lima porém ainda não consegue estimar em valores o tamanho dos prejuízos.

A Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) afirmou em nota que adotará medidas para minimizar o atraso de correspondências, utilizando outros meios, como o transporte aéreo. "Tão logo as estradas sejam liberadas, a ECT ampliará a quantidade de veículos e reforçará as equipes para agilizar o encaminhamento e a distribuição da carga que tenha sido afetada pelo movimento dos caminhoneiros", informou.

Paralizações

As manifestações promovidas pelo Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC) afetaram ontem seis Estados brasileiros. Rodovias de Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina e Mato Grosso eram afetadas. Os caminhoneiros pedem subsídio no preço de óleo diesel, isenção de pedágios para os caminhões, melhor infraestrutura das estradas e serviços, entre outras reivindicações. A expectativa é que a greve se encerre hoje às 6 horas. Porém, o movimento pode voltar com as paralisações nas rodovias caso servidores portuários realizem greve no próximo dia 11, Dia Nacional de Luta, com o apoio da Força Sindical.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo rechaçou ontem qualquer negociação pelo governo com o movimento de paralisação. "Não se negocia com a prática de crimes", afirmou.

DCI

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