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Data da Publicação: 21/11/2012 - 12h00
Postado em Notícias

21/11/2012 12h00 - Postado em Notícias

Logística é o grande desafio para a agricultura

No lançamento da Expedição Safra da Gazeta do Povo, gargalos da região Centro-Oeste dominaram a discussão

O lançamento da Expedição Safra 2012/13 (projeto de mapeamento da produção agrícola no Brasil e em países estratégicos para o agronegócio nacional, realizado anualmente pela Gazeta do Povo desde 2005) reuniu ontem 120 produtores, empresários e lideranças do agronegócio na sede da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), em Goiânia. O encontro deu largada aos dois últimos roteiros de viagem da fase plantio, que vai projetar o potencial da soja e do milho nesta temporada. Enquanto o país avança na semeadura prevendo uma supersafra, o setor discute os problemas logísticos relacionados ao aumento da colheita de grãos. Com a expectativa de ampliação na área agrícola, a produção nacional de grãos tende a crescer cerca de 20 milhões de toneladas em relação ao ano passado e chegar a 185 milhões de toneladas.

O evento de lançamento foi seguido de uma agenda no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em Brasília, onde foram abordados temas como a preocupação com infraestrutura, logística e desempenho das exportações brasileiras.

Expectativa

Plantio atrasa, mas produção deve ter novo recorde

Apesar do atraso no início do plantio verificado praticamente em todo o país, por conta da falta de chuvas, o potencial ainda é de safra cheia com área ampliada, avaliou o coordenador da Expedição Safra, Giovani Ferreira. Neste momento, o Brasil tem potencial para 80,98 milhões de toneladas de soja, com aumento de área e incremento em tecnologia. Essa projeção considera uma área de 27 milhões de hectares. Para o milho de verão, o potencial é de 36,69 milhões de toneladas, com 8,1 milhões de hectares em fase final de plantio.

As equipes da Expedição já percorreram o Sul do país, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Os números devem ser reajustados até a segunda fase do projeto, na colheita, a depender fundamentalmente das condições climáticas no Brasil. Durante a colheita, prevista para o início de 2013, o projeto faz uma nova rodada de viagens por 13 estados brasileiros e o Distrito Federal, além das regiões de grãos do Paraguai e da Argentina. O roteiro especial desta temporada será para a Índia, para uma avaliação do potencial de consumo do país asiático e de suas relações com o agronegócio brasileiro.

Grande parte da produção já tem mercados e contratos definidos. Esse aumento da safra deve ser enfrentado com alguns ajustes nos processos e nos segmentos da logística, disse o ministro da Agricultura Mendes Ribeiro Filho a uma das equipes da Expedição. Ele reconheceu, no entanto, que o setor de armazenagem está sujeito a uma pressão, mas acredita que haverá um escoamento mais ágil da soja, o que deve dar condições de estocagem de milho.

Quanto a projetos para aliviar os gargalos enfrentados pela produção brasileira, Mendes Ribeiro citou a ampliação da malha ferroviária, especificamente da Norte-Sul até os portos de Belém e Rio Grande do Sul, a de Integração do Centro-Oeste e Oeste e Leste, além das implantações dos portos de Belém (Pará) e em São Luís (Maranhão).

A partir dessas melhorias, será possível reduzir as distâncias percorridas em até 700 km e o custo logístico em porcentuais próximos dos 30%, possibilitando aumento da renda dos produtores e a competitividade dos produtos nos mercados internacionais, projeta o ministro.

Transporte caro

Os gargalos do transporte e o risco de encarecimento do frete na colheita deixam o agronegócio em alerta. Os preços médios do ano passado já eram considerados exorbitantes. Segundo levantamento da Faeg, para transportar 1 tonelada de soja até o porto mais próximo, em Santos (SP), o setor gasta de US$ 70 a US$ 80. São cerca de mil quilômetros de rodovias. Os produtores norte-americanos gastam US$ 18 para escoar o mesmo volume de grão em distâncias de mil quilômetros, pela ferrovia, compara Pedro Arantes, economista da instituição.

O presidente da Faeg, José Mário Schreiner , acredita numa evolução em médio prazo. O Brasil precisa de ao menos R$ 150 bilhões para as intervenções necessárias, que deverão vir do governo e da iniciativa privada, afirma.

Gazeta do Povo Online – Curitiba/PR – AGRONEGÓCIO

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