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Data da Publicação: 31/07/2012 - 12h00
Postado em Notícias

31/07/2012 12h00 - Postado em Notícias

Fiscalização autua 65 por soja fora de época

Em um mês, número de ocorrências supera o registrado na entressafra do ano passado. Chuvas reforçam alerta O plantio de soja da temporada 2012/13 deve ficar mais exposto à incidência da ferrugem asiática do que a última safra de verão, quando os efeitos do La Niña deixaram o clima mais seco. A doença, causa pelo […]

Em um mês, número de ocorrências supera o registrado na entressafra do ano passado. Chuvas reforçam alerta
O plantio de soja da temporada 2012/13 deve ficar mais exposto à incidência da ferrugem asiática do que a última safra de verão, quando os efeitos do La Niña deixaram o clima mais seco. A doença, causa pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, desenvolve-se com maior facilidade no clima chuvoso, como o que deve ocorrer neste ano devido ao El Niño. Como prevenção, o cumprimento do vazio sanitário – norma que restringe a existência de qualquer planta viva durante 90 dias – tornou-se fundamental. No primeiro mês de fiscalização, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) registrou um salto nas autuações.
O vazio entrou em vigor no dia 15 de junho e permanece até 15 de setembro. Até lá, está proibido semear a oleaginosa e os proprietários são obrigados a erradicar as plantas, mesmo as que tenham germinado involuntariamente. O objetivo é evitar a "ponte verde", que pode levar a incidência da doença na próxima safra.

Quilômetros

560 quilômetros de margens de rodovias vêm sendo monitorados pela concessionária Rodonorte para eliminação de plantas de soja que possam ter germinado a partir de sementes soltas. As empresas do setor são responsáveis pelo acostamento e, quando identificam soja fora de sua área de domínio, podem notificar os produtores.

O relatório parcial da Adapar, com as ocorrências registradas até 15 de julho, totaliza 103 notificações em um total de 9,3 mil hectares. O total de autuações (que podem gerar multas) chegou a 65, em 2 mil hectares. O número supera o total de 47 referentes aos três meses de vazio sanitário do ano passado (1.030 hectares). Nesse ritmo, deve ser superada a marca de 2010, quando houve 134 ocorrências (4,2 mil hectares).
Segundo Maria Celeste Marcondes, da gerência de Sanidade Vegetal da Adapar, a maioria dos casos ainda é de soja remanescente, que não foi colhida. "Todas as autuações serão avaliadas, para decidir se haverá ou não punição", diz. No caso de multa, os valores variam entre R$ 50 e R$ 5 mil, dependendo da gravidade do caso.
De acordo com o agrometeorologista Marco Antonio dos Santos, da Somar Me–teorologia, o El Niño favorece a ferrugem e outras doenças. "Se o produtor não fizer uma boa capina química, poderá ter problemas no restante do ciclo da soja", alerta.
O vazio ajuda também a retardar o aparecimento de casos de ferrugem, explica Claudine Seixas, pesquisadora da Embrapa Soja. "Quanto mais tarde a ferrugem aparecer, melhor. Isso reduz os custos do produtor com aplicações e tratamentos". Segundo ela, durante o vazio sanitário, são eliminados inclusive campos experimentais.
A doença começou a representar um problema para as lavouras brasileiras dez anos atrás e se tornou a principal preocupação no cultivo da soja. Mesmo quando controlada, eleva os custos, pela necessidade de até quatro aplicações de fungicidas numa mesma área.

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