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Data da Publicação: 10/03/2017 - 10h10
Postado em Destaques, Grãos, Milho

10/03/2017 10h10 - Postado em Destaques, Grãos, Milho

Estoque de milho do Brasil deve fechar temporada no maior volume da história

O volume do cereal colhido no Brasil na safra atual deverá subir para 17,4 milhões de toneladas, 1,8 milhão a mais que no relatório de fevereiro da Conab

Os estoques de milho no Brasil deverão atingir o maior volume da história ao final da temporada 2016/17, enquanto os de soja serão os mais elevados em uma década, estimou nesta quinta-feira a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), após elevar as previsões de safra e manter estáveis expectativas de exportações e de consumo interno.

A companhia, encarregada das estimativas oficiais do Ministério da Agricultura, disse que os estoques de milho colhido no Brasil na safra atual, deverão subir para 17,4 milhões de toneladas, 1,8 milhão a mais que no relatório de fevereiro e quase 10 milhões acima do encerramento da safra passada.

Enquanto a safra 2015/16 teve a oferta drenada por uma forte quebra de produtividade, a Conab estima agora uma colheita recorde de 89 milhões de toneladas –a maior parte desse volume previsto deve vir da segunda safra, que está sendo plantada.

“Com grandes chances de pouca interferência climática na produção, estima-se um estoque de passagem de 17,4 milhões de toneladas, ou seja, o maior já registrado na história”, disse a Conab, em seu relatório.

O volume é o suficiente para garantir o consumo do Brasil por quase quatro meses. Na temporada passada, estoques finais não eram suficientes para dois meses de suprimento.

Neste cenário, os preços no Brasil estão pressionados, acumulando perdas mais de 34 por cento desde uma máxima histórica em meados do ano passado, no mercado à vista, segundo o indicador Esalq/BM&FBovespa.

“Os preços do cereal encontram-se pressionados pelos grandes estoques do mercado internacional, assim como pela expectativa de safras recordes nas regiões produtoras nacionais e internacionais”, afirmou a Conab.

“Diante deste cenário, há uma tendência de que os produtores mantenham a posse do grão à espera de melhores condições de comercialização, correndo o risco de encontrarem problemas para armazenar o produto no futuro, sendo forçados a utilizar alternativas como silo bolsa ou vender o produto em condições desfavoráveis, como ocorrido em safras anteriores.”

Contudo, um fator que ainda pode influenciar o estoque de passagem da temporada é o volume que o Brasil conseguirá vender no exterior.

A Conab estimou que as vendas externas na temporada (até 31 de janeiro) ficarão em 24 milhões de toneladas, mesma estimativa feita em fevereiro.

Analistas apontam o câmbio, a concorrência com a Argentina e competição com a soja como variáveis que poderão permitir volumes maiores ou menores nas exportações do cereal.

“Quanto às exportações, é preciso acompanhar a evolução cambial, que não tem sido favorável à competitividade do cereal brasileiro”, disse a analista de mercado Ana Luiza Lodi, da INTL FCStone, em um relatório sobre oferta e demanda publicado no início da semana.

Para a Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o país poderá atingir a marca de 30 milhões de toneladas exportadas nesta temporada.

“Até fevereiro (ao fim da temporada comercial), acho que devemos exportar mais de 30 milhões de toneladas, se confirmar-se uma safra acima de 90 milhões”, disse o assessor técnico da Comissão de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, Alan Malinski.

A Conab manteve a estimativa de consumo interno de milho em 56,1 milhões de toneladas.

Fonte: Reuters – 10/03/2017

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