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Data da Publicação: 25/03/2013 - 12h00
Postado em Notícias

25/03/2013 12h00 - Postado em Notícias

Escoamento da safra de soja e milho já afeta grandes importadores

Porto de Santos registrou mais uma semana de muitos congestionamentos. Caminhoneiros ficam horas nas filas para descarregar carga.

O porto de Santos, o principal do país, registrou mais uma semana de congestionamentos nas ruas e estradas de acesso. Caminhoneiros têm ficado horas nas filas para descarregar a soja e o milho. O problema já começa a afetar os negócios com grandes importadores.

Em 2012, 80% de tudo que passou pelo porto foi transportado por rodovias e 20% pelas ferrovias. Quando se fala apenas no carregamento de grãos para o porto de Santos, a região Centro-Oeste do país lidera. Mato grosso e Goiás foram responsáveis por 83% da movimentação de soja e milho no ano passado. Só o Mato Grosso exportou 60% da soja e 70% do milho que saíram de Santos.

Com a super safra, os gargalos ficam evidentes. O ponto mais crítico é um trecho de 25 km que leva aos terminais portuários do Guarujá. O percurso que deveria demorar, no máximo, 40 minutos virou um teste de resistência para os motoristas. É o caso de Leandro Comeli, que transporta soja vinda de Sinop, no Mato Grosso. "Peguei 148 caminhões na frente, gastei cerca de 10 horas até fazer a descarga", relata.

Para ordenar o desembarque das cargas no porto, existem dois pátios reguladores instalados em Cubatão, município vizinho a Santos. Antes de chegar aos terminais, os caminhoneiros precisam passar pelo local, onde ficam estacionados aguardando a liberação para descarregar.

O motorista precisa apresentar toda a documentação da mercadoria para receber uma senha. O veículo só pode sair quando a empresa que contratou o serviço libera a carga. Com isso, a espera que normalmente é de seis horas, nos últimos dias passa de 20. "Semana passada fiquei parado 26 horas esperando a liberação. Depois que liberou, fiquei dez horas na fila pra chegar até o Guarujá", conta o caminhoneiro Antônio Carlos Costa.

"Após apresentada a nota fiscal, nós verificamos qual o destino da carga e qual o tipo de produto. Na entrada, eles são encaminhados para as filas, coordenadas por cliente e por tipo de produto. Ele vai seguir a ordem de chegada. Isso é feito para facilitar depois o acesso ao porto", explica o gerente geral do pátio, Rafael Alcalde.

A estadia no local é paga e os caminhoneiros reclamam da estrutura. "Quando chove, por exemplo, não tem como você descer do seu caminhão para fazer uma refeição", diz o motorista Benedito de Albuquerque. De acordo com o gerente, o pátio será pavimentado. Os motoristas que transportam grãos para exportadoras que não operam com os pátios enfrentam problemas maiores e engrossam as filas nas vias públicas.

Segundo dados da Companhia Docas de São Paulo (Codesp), o movimento de caminhões que transportam grãos aumentou 49% em fevereiro de 2013 em relação ao mesmo mês do ano passado. Para o diretor-presidente, Renato Barco, o problema está no acesso ao porto. "Não basta você ter terminais modernos, obras de aprofundamento de canal, trabalhar dentro da melhor tecnologia, se você não tiver uma acessibilidade compatível com esse desenvolvimento", opina.

No porto de Santos operam nove empresas que embarcam soja, milho e farelo. A capacidade é para receber sete navios simultaneamente. A expectativa da administração é que nessa safra passem pelo porto 35 milhões de toneladas de grãos, 8,5% a mais do que no ano passado.

Por causa do atraso nos embarques, um importador da China anunciou que cancelaria a compra de soja brasileira. Para o presidente da Associação de Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprossoja), Carlos Fávaro, este é um problema sério. "Pelo menos dez navios já foram cancelados por conta do atraso no carregamento dos portos brasileiros. Basicamente são empresas chinesas, nosso maior comprador, que compra 30% da safra brasileira. O comprador sabendo da safra do Mato Grosso, que começa em janeiro e fevereiro, pagou bem para ter a primeira soja brasileira e hoje não consegue carregar. Um dos compradores que cancelou buscou soja na Argentina", conta.

Para o analista de mercado agrícola Antônio Sartori, o anúncio é uma estratégia dos compradores chineses para baixar preços. "Efetivamente houve um atraso por dois motivos: porque o início da colheita atrasou e porque tem chovido muito nos portos. Então não acredito que eles cancelem, porque eles não têm opções. Os chineses são estratégicos, espertos", analisa.

Fonte: G1 – 25/03/2013

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