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Data da Publicação: 12/03/2013 - 12h00
Postado em Notícias

12/03/2013 12h00 - Postado em Notícias

Embrapa se adapta à concorrência acirrada

Trinta anos atrás, quando Maurício Lopes iniciou sua atuação na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o agronegócio engatinhava. A produção de culturas como a soja era concentrada na Região Sul e cultivares fornecidas pela empresa respondiam por até 60% do mercado. As atividades de pesquisa da Embrapa permitiram a ampliação da área da oleaginosa […]

Trinta anos atrás, quando Maurício Lopes iniciou sua atuação na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o agronegócio engatinhava. A produção de culturas como a soja era concentrada na Região Sul e cultivares fornecidas pela empresa respondiam por até 60% do mercado.

As atividades de pesquisa da Embrapa permitiram a ampliação da área da oleaginosa e outras culturas de peso, um mercado hoje dominado por indústrias multinacionais. Após assumir papel decisivo na ampliação das fronteiras agrícolas, a instituição tenta redefinir sua função. A competição nesse setor se acirrou e a liderança, segundo Lopes, não deve mais ser assumida pela Embrapa. "Não faz sentido aplicar recursos públicos, da sociedade, para competir com empresas que são boas provedoras de soluções para o mercado", avalia. Na presidência da instituição desde outubro de 2012, ele comenta os desafios de médio prazo.

Como têm sido sua atuação no comando da Embrapa?

Fizemos uma série de mudanças para adaptar a empresa à nova realidade da agricultura. Lançamos uma plataforma chamada Agropensa, voltada à inteligência estratégica. Tudo que se começa numa atividade de pesquisa só tem efeito no futuro, às vezes um futuro distante. Então, sem uma plataforma de antevisão corremos o risco de mirar em alvos equivocados. Não existe bola de cristal, mas podemos utilizar métodos e técnicas para fazer esse trabalho de antecipação. Outro movimento são ações para aproximar mais a Embrapa do setor produtivo. Chegamos à conclusão de que as instituições públicas e universidades têm que ser mais eficientes na aproximação e sinergia com o setor privado. Para isso, fizemos uma proposta de abertura de uma subsidiária, controlada integralmente pela Embrapa. Trata-se de uma SA [sociedade anônima] chamada Embrapatec que funcionará como um braço de negócios da empresa, com mecanismos mais apropriados para negociação com o setor produtivo e as empresas multinacionais e nacionais.

Qual será papel estratégico da Embrapatec no atual contexto da agricultura brasileira?

A Embrapatec não terá uma vertente única. Será um mecanismo para que a Embrapa estabeleça uma relação com os diversos segmentos da indústria. Os tempos da organização de pesquisa são diferentes. Então, criando essa subsidiária, queremos dar mais agilidade, mais rapidez e uma capacidade de resposta mais apurada na relação com o setor produtivo. Vamos buscar no nosso portfólio de pesquisa novos ativos e processos que possam ser transformados em negócios com a indústria.

Como o setor público pode se posicionar diante da ampla participação das multinacionais no mercado brasileiro? A Embrapatec é uma alternativa?

Para explicar isso é preciso entender por que existe atualmente um domínio das multinacionais no país. Se elas estão aqui hoje, é porque existiu e existe uma iniciativa bancada pelo estado para remover as grandes limitações de fazer agricultura nos trópicos, abrindo caminho para o setor privado. Um exemplo é o Cerrado brasileiro, que nos anos 1970 era um vazio tecnológico, econômico, com grandes extensões de solos pobres, ácidos, sem valor. Coube ao setor público, por meio da pesquisa, remover as grandes limitações, desenvolver tecnologias para contornar isso. Atuamos como uma locomotiva limpa-trilhos, abrindo espaço para o setor privado. Mas o desafio não acabou, existem novos itens, como a questão climática, a adoção de sistemas integrados, o monitoramento via satélite. Dificilmente o setor privado fomentará isso.

Qual a posição da Em­­­brapa mais à frente?

A Embrapa não tem intenção de retomar aquela posição preponderante que tinha no mercado de sementes, por exemplo, assim como não tem intenção alguma de sair desse segmento. Não seria bom caminhamos para um oligopólio, com duas ou três empresas dominando completamente esse mercado, até pelo tamanho e diversidade do país. O que o queremos é uma ação complementar, dando opções ao produtor e suporte a indústria nacional, que não pode desaparecer.

Maurício Lopes, presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária


Projeções

Série de entrevistas mostra tendências em época de expansão

As editorias de Agronegócio e de Economia da Gazeta do Povo iniciam hoje uma série de entrevistas para abordar as tendência do agronegócio, no Brasil e no mundo. O objetivo é ouvir representantes de alguns dos mais importantes elos da cadeia produtiva, da tecnologia ao mercado, passando por logística e exportação, temas que se relacionam e impactam na competitividade do setor.

A série estreia hoje com Maurício Lopes, presidente nacional da Embrapa. As demais entrevistas serão publicadas nos próximos três domingos, no caderno de Economia. O agronegócio passa por um ciclo de expansão sem precedentes. O Brasil está atingindo volumes de produção previstos somente para a próxima década. As questões envolvendo esse crescimento, que pode impulsionar a economia, serão esmiuçadas também nos próximos debates.

Gazeta do Povo Online
Autor: Igor Castanho

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