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Data da Publicação: 25/02/2013 - 12h00
Postado em Notícias

25/02/2013 12h00 - Postado em Notícias

Custos do frete disparam no início da safra de soja

Os custos dos fretes dispararam no início da safra brasileira de grãos. Em Mato Grosso, Estado que concentra a maior produção de soja do país, responsável por 9% de toda a oleaginosa a ser colhida no mundo neste ano, o custo do transporte subiu em média 21,6% em apenas uma semana. De Sorriso, município que […]

Os custos dos fretes dispararam no início da safra brasileira de grãos. Em Mato Grosso, Estado que concentra a maior produção de soja do país, responsável por 9% de toda a oleaginosa a ser colhida no mundo neste ano, o custo do transporte subiu em média 21,6% em apenas uma semana. De Sorriso, município que lidera a produção nacional, até o porto de Paranaguá (PR), uma distância de 2.295 km, o frete passou a custar R$ 290 por tonelada, valor 50,6% superior ao cobrado um ano atrás. De Rondonópolis ao porto de Santos (1.159 km), o aumento em um ano foi de 42,8% e o custo da tonelada transportada subiu para R$ 200

O forte aumento da demanda em ano de safra recorde, a alta de 5,4% no preço do diesel e os primeiros reflexos da nova "lei dos caminhoneiros", que passou a disciplinar a jornada de trabalho dos motoristas, provocaram uma escalada nos custos de frete para o escoamento de grãos na atual safra 2012/13.

Em Mato Grosso, que deverá ser responsável por 9% de toda a soja produzida no mundo nessa temporada, o custo do transporte aumentou, em média, 21,6% somente na semana passada.

De Sorriso ao porto de Paranaguá (2.295 quilômetros), o frete chegou a R$ 290 por tonelada, alta de 20,8% em relação aos R$ 240 da semana anterior. O valor é ainda é 50,6% maior do que os R$ 192,50 cobrados um ano antes. De Rondonópolis ao porto de Santos (1.159 km), o aumento na última semana foi ainda maior: 33,3%, de R$ 150 para R$ 200 por tonelada. Trata-se de um aumento de 42,85% ante os R$ 140 praticados um ano antes.

Em relação a março do ano passado – pico do escoamento da safra, quando o preço do frete atinge o nível mais alto do ano – o aumento chega a 46,5% para o trecho até Paranaguá e a 34,2%, até Santos. Na mesma comparação, a cotação média da soja em Mato Grosso subiu 20%, de 639,83 para R$ 770,5 por tonelada. Isso significa que, dos R$ 130 que os produtores de Mato Grosso receberam a mais pela soja vendida na semana passada, mais da metade foi para arcar com a elevação do frete.

De acordo com Cléber Noronha, analista de mercado do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), um maior volume de soja estava pronto para ser colhido em janeiro e fevereiro deste ano, tradicionalmente um período em que chove muito no Estado.

O aumento do tráfego na estrada úmida piora as condições da rodovia e, consequentemente, dos caminhões, o que colabora para a elevação do frete. "Nessa época do ano também chove bastante em Santos. Por isso o processo na chegada também fica lento. Além disso, a nova legislação fez com que a maior parte dos caminhoneiros passasse a trafegar no mesmo período do dia, de modo que os carregamentos chegam todos praticamente no mesmo horário no porto, ampliando o congestionamento", afirma Noronha.

Estimativa do Imea aponta que cerca de 60% da soja colhida em Mato Grosso chega via ferrovia ao porto de Santos (SP), 32% seguem por hidrovia para o escoamento pela região Norte do país, enquanto os 8% restantes seguem totalmente por rodovias, para exportação pelos portos de Paranaguá (PR) e São Francisco do Sul (SC). Mas, para chegar aos terminais ferroviários, a carga precisa se servir de estradas vicinais – e, nesses trechos, os fretes subiram até 60%, de acordo com Miguel Mendes, diretor-executivo da Associação de Transportadores de Carga de Mato Grosso (ATC-MT). "A economia para quem usa o transporte rodoferroviário não chega a 5%", afirma o diretor de uma trading de Mato Grosso.

Mendes conta que, de Sorriso a Alto Araguaia, onde fica o terminal ferroviário para escoamento de grãos da ALL Logística, há um trecho urbano de 13 quilômetros com apenas meia pista funcionando, o que leva o caminhoneiro a gastar uma hora e meia para percorrer o trajeto. Não bastasse isso, a BR-364, que liga as duas cidades, é uma estrada de pista única. "São 840 quilômetros, trecho curto para os padrões de Mato Grosso, mas que custa relativamente muito mais caro que a rota entre Sorriso e Porto de Santos", diz.

Na avaliação de Noronha, do Imea, a tendência é de que os preços do frete continuem a subir em Mato Grosso. "Como a maior parte da frota é de prestadores de serviço, e eles estão migrando para o Sul porque a atividade está mais rentável por lá, muitas transportadoras estão tendo de pagar mais para manter os caminhoneiros no Estado", disse. No Sul do país, as estradas são melhores e as distâncias percorridas são menores, o que reduz o desgaste dos caminhões. Mesmo assim, o transporte também está mais "salgado" na região.

Segundo levantamento da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), do cinturão agrícola de Cascavel ao porto de Paranaguá (cerca de 650 km), o custo médio do frete subiu de R$ 70 para R$ 90 por tonelada (alta de 28,6%) em fevereiro ante o mesmo intervalo do ano passado. No mesmo período, a commodity subiu quase 30% na região, de R$ 725 para R$ 941 por tonelada.

"Até agora, houve uma compensação para o produtor, mas a preocupação gira em torno dos rumores de novos aumentos para o frete em março e abril, e queda nos preços da soja", diz o assessor técnico e econômico da Ocepar, Robson Mafioletti.

O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Rio Grande do Sul (Setcergs-RS), Sérgio Gonçalves Neto, chama ainda atenção para as especulações sobre um possível reajuste no preço dos combustíveis em março. "O aumento de 5,4% no diesel no mês passado gerou um impacto de 3% no preço do frete. Novos reajustes vão pesar sobre um setor que já sofre muito com estradas ruins e novos custos", diz.

Ainda de acordo Gonçalves Neto, a maioria das empresas não está cumprindo todas as exigências da nova lei dos caminhoneiros por falta de motoristas e porque não há segurança nas estradas para que os trabalhadores façam o descanso de maneira adequada. A lei nº 12.619, que entrou em vigor em 17 de junho do ano passado, determina que o motorista profissional trabalhe no máximo dez horas diárias ao volante, com repouso de 30 minutos a cada quatro horas. Também determina que o tempo de descanso à noite deve ser de 11 horas. "Quando todos os ajustes forem feitos, os preços do frete aumentarão ainda mais. Imagino que cerca de 14%", calcula.

Fonte: Valor Econômico – 25/02/2013

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