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Data da Publicação: 08/11/2021 - 08h43
Postado em Destaques, Notícias, Sem categoria, Senar - PR

08/11/2021 08h43 - Postado em Destaques, Notícias, Sem categoria, Senar - PR

Cursos do SENAR-PR transformam a vida de pessoas e promovem desenvolvimento

Em 27 anos, entidade emitiu mais de 3,4 milhões de certificados, levando conhecimento a todos os rincões do Paraná

Desde muito cedo, as mãos de Cláudia Aparecida da Silva se acostumaram à lida na terra. Ainda menina, aos nove anos, ela começou a trabalhar como boia-fria, principalmente em lavouras de algodão e de fumo, no interior do Paraná. Filha de trabalhadores rurais, a lida era a única alternativa de ajudar nas contas da casa e, aos pouquinhos, juntar algum dinheirinho.

Desenvolveu sua vocação na terra, mas duas décadas depois, Cláudia passou a querer mais. Sonhava em trabalhar em algo que fosse seu. A virada começou a partir de 2008, quando passou a frequentar os cursos do SENAR-PR. As mais de 15 capacitações que concluiu lhe deram saber técnico, autoconfiança e planejamento para empreender. Hoje, ela mantém quatro estufas em que cultiva tomates e outros hortifrútis orgânicos. Como empreendedora, tem seu próprio negócio e está em vias de conseguir a certificação de seus produtos.

O caminho, é claro, não foi simples. Quando começou a frequentar os cursos, Cláudia e o então marido moravam na fazenda em que trabalhavam, em Araruna, no Noroeste do Paraná. O dono da propriedade permitia manterem uma pequena roça para consumo próprio, sendo que a horta cultivada por Cláudia era um exemplo. Ela tinha jeito e visão, que foram lapidados pelas capacitações do SENAR-PR. O programa Mulher Atual – que trabalha a autonomia feminina no campo – lhe deu confiança. Por outro lado, o Programa Empreendedor Rural (PER) fez com que ela planejasse o empreendimento. Com segurança e os saberes aprendidos nos cursos, arregaçou as mangas e foi ao trabalho.

“Meu projeto do PER era para montar uma estufa de morango, mas eu tinha R$ 800 para investir e precisava de mais. Então, eu fui para os tomates. Comprei essa primeira estufa e fiz uma parceria com um amigo que tem um sítio. Hoje, tenho quatro estufas [com capacidade para mais de 5 mil pés] e 20% do que produzo repasso a ele. Vendo em feiras, para escolas… Estou muito feliz”, diz Cláudia, hoje com 45 anos. “Fui boia-fria dos nove aos 30 anos. Tenho muito orgulho disso, porque assim juntei meu dinheirinho para empreender. O SENAR-PR mudou totalmente a minha vida. Eu saí de uma rotina de dona de casa e boia-fria para ser uma empreendedora e fazendo tudo direitinho. Ainda quero ter meu pedaço de terra”, acrescenta, emocionada.

O caso de Cláudia é um exemplo de como o SENAR-PR é capaz de transformar histórias de vida, promovendo o desenvolvimento do campo. Não é para menos: essa é a missão da entidade, desde sua criação há 27 anos. Os números impressionam, comprovando que a mudança se dá em larga escala: entre 1993 e 2020, a instituição emitiu mais de 3,4 milhões de certificados a participantes de mais de 176,3 mil cursos de formação profissional e/ou de promoção social promovidos no período. Os exemplos se multiplicam em todas as regiões do Paraná.

“A gente coleciona inúmeros casos de vidas que foram transformadas por meio de nossas capacitações. Alguns casos são mais evidentes. Outros vêm acompanhados de um contexto mais amplo”, diz o gerente do Departamento Técnico (Detec) do Sistema FAEP/SENAR-PR, Arthur Piazza Bergamini. “Mais do que uma entidade do agro, somos um agente de transformação do campo, por meio da educação. O que o SENAR-PR faz é desenvolver pessoas e regiões, por meio de suas capacitações”, definiu.

José da Silva – conhecido como Zé Corinthiano – é um entusiasta dos cursos do SENAR-PR

Saber democrático

Na percepção de quem analisa os indicadores socioeconômicos do Estado é impossível dissociar o desenvolvimento do Paraná da massificação das capacitações técnicas e de promoção social. Em termos de produção individual, as cifras movimentadas até podem parecer pequenas, mas coletivamente esse fenômeno tem um impacto social inestimável e provoca uma revolução na qualidade de vida das pessoas – levando desenvolvimento a cada rincão do Paraná, graças a capilaridade do SENAR-PR, por intermédio das suas 10 regionais, 166 sindicatos rurais e 117 extensões de base. Até porque os municípios do interior têm na agropecuária a sua principal fonte geradora de riquezas.

“Sempre que um país ou um Estado investe no progresso técnico, o resultado é o desenvolvimento econômico. No Paraná, o SENAR-PR cumpre esse papel, de levar conhecimento técnico aos produtores de todos os estratos sociais. Isso tem repercutido em ganhos de produtividade, no avanço da produção e no desenvolvimento dos meios rural, independentemente da cadeia produtiva, e também urbano”, aponta Luiz Eliezer Ferreira, do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP/SENAR-PR.

Democráticas e integralmente gratuitas, as mais de 300 capacitações do SENAR-PR chegam a produtores e trabalhadores de vários graus de escolaridade. Um dos dez títulos mais procurados do SENAR-PR, o curso “Operação e manutenção de tratores agrícolas – NR 31.12”, por exemplo, é majoritariamente frequentado por pessoas com ensino fundamental ou médio: 69%, segundo dados do Departamento de Planejamento e Controle (Depc) do Sistema FAEP/SENAR-PR levantados junto a egressos. Já no curso “Inseminação artificial de bovinos”, 58% dos participantes têm ensino superior, técnico ou mestrado. Ou seja, apesar de não ter como objetivo substituir a educação formal, os cursos levam conhecimento atualizado a quem não teve oportunidade de se aprofundar nos estudos. Por outro lado, servem como uma fonte de atualização profissional mesmo a quem tem titulação acadêmica.

É o caso de Larissa Gallassini, produtora rural estabelecida em Campo Mourão, no Noroeste do Paraná. Formada em odontologia, com mestrado e atuação em odontopediatria, ela alicerçou sua vida na cidade grande. Em Curitiba, onde se formou, instalou seu consultório e conquistou reconhecimento profissional. De família de produtores rurais – o pai dela é José Aroldo Gallassini, um dos fundadores da Coamo –, Larissa sentia profunda ligação com o campo, mesmo vivendo numa grande metrópole. Depois de 15 anos na capital, ela queria voltar e passar a se dedicar ao setor agropecuário. Quem lhe deu condições para isso foi o SENAR-PR.

“Eu queria trabalhar nas propriedades da família, mas não queria fazer um outro curso universitário, como agronomia ou veterinária. Em Maringá, eu procurei o sindicato rural, pedindo orientação e conheci os cursos do SENAR-PR. Foi melhor do que se eu tivesse feito uma faculdade. Os cursos dão uma boa base teórica e vão direto ao que interessa, na prática. Quando chegava nas propriedades, eu ia vendo em campo o que tinha aprendido nos cursos e tendo ideias de como aplicar o conhecimento”, ressalta.

A porta de entrada para Larissa foi o curso de jardinagem. Em seguida, concluiu o Mulher Atual e não parou mais, acumulando mais de 15 certificados. Uma das formações que mais a marcou foi o PER, em que elaborou o projeto “Redimensionamento dos piquetes no pastejo rotacionado”, pensando em implantá-lo em uma das propriedades da família. O trabalho foi o vencedor da edição de 2010. O mais importante: a partir dos conhecimentos adquiridos nas capacitações, passou a trabalhar nos negócios rurais dos Gallassini. Hoje, ela gerencia as propriedades da família voltadas à pecuária – de cria e engorda, com 1,6 mil matrizes.

“Quando eu era criança, meus pais queriam que eu estudasse outra coisa. Por ser menina, eles acreditavam que não poderia trabalhar no campo. O PER foi um divisor de águas. Meu pai foi dando espaço para ir às fazendas com ele e começar a participar da gestão. Hoje, estou totalmente inserida nas decisões, acompanho tudo, ajudando ele a definir os rumos. Ele tem toda essa experiência, mas tem cabeça aberta no sentido de incorporar novas tecnologias para fazer uma carne de qualidade”, diz. “O projeto que fiz no PER foi implantando na propriedade e, em 2012, eu o apresentei na cerimônia de encerramento do programa”, acrescenta.

A produtora também entendeu a importância da representatividade. Larissa atua na Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte da FAEP, representando Maringá, e na Comissão Estadual de Mulheres, por Campo Mourão. Além disso, é frequentadora assídua do sindicato rural local. “Os produtores só serão fortes se o sistema estiver forte. Nós precisamos compreender o sindicato como a casa da gente”, reforça.

Desenvolvimento para uma vila inteira

Em 2009, José da Silva – conhecido como Zé Corinthiano – se aposentou do então Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), após 45 anos de serviços prestados. Comprou uma chácara na chamada Vila Rural São Camilo, distrito de Palotina, Oeste do Paraná. A princípio, no entanto, sentiu certo desalento ao constatar que o bairro estava malcuidado, com as propriedades mantidas em condições precárias, cheias de improviso.

“Se você visse… o bairro era muito feio. O pessoal estava largado, ninguém tinha noção de nada. Não tinha uma cebola plantada. Nada, não. Meu piá disse: ‘Pai, acho que o senhor fez uma coisa errada em comprar essa chácara’. Aí, comecei a me mexer para mudar o lugar”, relembra.

Zé Corinthiano foi ao Sindicato Rural de Palotina, em busca de cursos do SENAR-PR para a localidade, como forma de fomentar o desenvolvimento do bairro. Paralelamente, o produtor conseguiu utilizar a sede de um antigo clube e passou a levar as capacitações para a vila. Deu tão certo que, a partir desse movimento, surgiu uma associação de moradores. Hoje com 46 famílias, a comunidade tomou gosto pelos cursos e, com o saber técnico, se transformou em pouco tempo. Na região, a Vila Rural é apontada como um case de sucesso.

“Hoje dá gosto de ver. É de tirar o chapéu. Todas as propriedades estão ajeitadinhas, com cada casa bonita. Todo mundo está produzindo, organizado. Somos uma comunidade mesmo. São pessoas que gostam de trabalhar. Só precisavam de uma mão para fazer certo. E quem deu isso para gente foi o SENAR-PR”, diz. “Para novembro, já tem quatro cursos marcados”, adianta.

Hoje com 74 anos, Zé Corinthiano já concluiu mais de 30 cursos, sobre diversos temas. “De tudo que você possa imaginar”, ressalta. Em sua chácara, o produtor se dedica a diversas atividades, em pequena escala. Mantém duas vacas para cria de bezerros, produz pintainhos para venda, além de ostentar uma horta e um pomar exemplares. “Esses dias, vendi um bezerro a R$ 2,5 mil. Minhas hortas estão uma maravilha. A terra da nossa região é prodigiosa: você fazendo direitinho, produz de tudo”, garante. “A gente é a prova de que com boa vontade, organização e alguém que dê um suporte, se consegue mudar a realidade de um lugar”, resume.

Para o SENAR-PR, o exemplo da Vila São Camilo é motivo de orgulho, mas não chega a ser, necessariamente, uma surpresa. Ao longo de sua história, a instituição já contribuiu para catapultar o desenvolvimento de diversas localidades, por meio da capacitação de produtores e trabalhadores rurais.

“A sustentabilidade no campo tem a ver com aspectos econômico e ambiental, mas também social. Os cursos ajudam o nosso público a se fixar no campo, tornando sua vida viável em todos os aspectos, promovendo o desenvolvimento de forma igualitária. Isso gera um capital social em todas as regiões do Estado, favorecendo o desenvolvimento de forma ampla, já que estamos nos 399 municípios do Paraná”, aponta Arthur Bergamini, gerente do Detec do Sistema FAEP/SENAR-PR.

Conhecimento que realiza sonhos

Os saberes técnicos difundidos por meio dos cursos do SENAR-PR também ajudam produtores, trabalhadores rurais e familiares a realizarem sonhos. Casos práticos não faltam. Em Tuneiras do Oeste, Maria Aparecida Perandre vislumbrava participar de forma mais ativa dos afazeres do sítio em que mora com o marido e as três filhas. Mas não sabia bem por onde começar. A mudança se iniciou em 2019, quando cursou o PER. A partir daí, ela pôde deixar de ser dona de casa para se tornar pecuarista.

“Eu tinha uma vida sedentária, em função da casa e das filhas. Os cursos do SENAR-PR me ajudaram e me instigaram a realizar meu sonho, que era mexer com gado leiteiro. Eu me sinto cada vez mais realizada”, diz Maria Aparecida.

Ainda no início, o negócio conta com três vacas leiteiras, que produzem, cada uma, cerca de 20 litros por dia. Com parte da produção, a pecuarista fabrica queijos artesanais, que são vendidos no município. Paralelamente, Maria Aparecida também tem uma pequena granja voltada à produção de ovos caipiras e faz linguiças artesanais. Os planos para o curto prazo são de ampliar a infraestrutura e aumentar a produção.

“Ainda estamos começando. Parece pouco, mas para o meu sonho é muito. A minha vida mudou de zero a 100 e isso não tem preço. Antes, eu vivia do meu marido. Agora, ganho meu próprio dinheirinho”, ressalta. “Estamos em processo de compra de um resfriador. Aí, vou poder comercializar com o laticínio. Vamos aumentar a produção, mas com planejamento, do jeito que aprendi no curso. O PER foi um dos melhores presentes da minha vida”, acrescenta.

Em Nova Santa Rosa, no Oeste do Paraná, as capacitações do SENAR-PR também otimizaram os procedimentos na propriedade de Valmir Ricardo Stiebe, cuja família se dedica à pecuária leiteira, com 37 vacas em lactação. Aos 21 anos, ele já cursou diversos cursos, do PER a títulos promovidos no Centro de Treinamento para Pecuaristas (CTP) em Castro, nos Campos Gerais. Todos os saberes foram, aos poucos, implantados na prática.

“O curso no CTP foi uma experiência espetacular. Eu imaginava que seria uma coisa do outro mundo, mas encontrei uma realidade parecida com a nossa. A diferença é que o curso ensina a fazer de forma certa. A gente conduzia o negócio com muitos vícios. A partir de manejos que adotamos, o negócio evoluiu”, conta.

Ao longo do PER, Stiebe se dedicou a estudar a viabilidade da implantação de melhorias na propriedade. Na ocasião, traçou uma meta de produtividade: saltar de 10 para 18 litros captados diariamente por animal. O jovem produtor achou que seria praticamente impossível bater a própria meta, mas foi adiante. Com a ajuda de um zootecnista, ajustou a dieta dos animais. Em um mês, a produtividade aumentou 25%. Hoje, cada cabeça produz, em média, 19 litros de leite por dia, superando o objetivo inicial.

“Meu pai achava que fosse impossível aumentar tanto a produtividade. Agora, ele concorda que com conhecimento técnico as coisas acontecem”, diz Stiebe. “O nosso plano é tocar a propriedade de forma cada vez mais profissional, tecnológica e rentável. Estamos estudando para implantar compost barn. O SENAR-PR sempre nos deu um horizonte, de como fazer as coisas. O SENAR-PR participa da nossa transformação”, acrescenta.

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