Logotipo Sistema FAEP

Data da Publicação: 23/11/2012 - 12h00
Postado em Notícias

23/11/2012 12h00 - Postado em Notícias

Crise da avicultura se aprofunda no Paraná

A Frango a Gosto, de Arapongas, norte do Paraná, foi mais uma das vítimas da crise da avicultura no país. Com alta nos custos de produção e dificuldade para obter crédito para capital de giro, a empresa firmou parceria com o grupo GTFoods, localizado em Maringá, e a Jaguafrangos, de Jaguapitã. Os dois assumiram o […]

A Frango a Gosto, de Arapongas, norte do Paraná, foi mais uma das vítimas da crise da avicultura no país. Com alta nos custos de produção e dificuldade para obter crédito para capital de giro, a empresa firmou parceria com o grupo GTFoods, localizado em Maringá, e a Jaguafrangos, de Jaguapitã. Os dois assumiram o fornecimento de pintinhos e ração a 75 integrados e vão pagar pelos serviços para abate no local.

Os frangos vão continuar com a mesma marca. Parte da comercialização regional ficará com o dono do abatedouro e a nacional será de responsabilidade dos novos parceiros. A Frango a Gosto pertence há 25 anos a Domingos Martins, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar) e da Unifrango, associação criada em 2001 e que reúne 16 empresas no Estado. Nos últimos dois dias a Unifrango realizou encontro técnico em Maringá para tratar, entre outras coisas, de estratégias para enfrentar as dificuldades do segmento. "Acredito que outras operações de parcerias vão acontecer", prevê Martins, que reclama da falta de ajuda do governo aos avicultores.

O empresário contou que primeiro recorreu aos bancos e, depois, foi atrás de parceiros. O contrato com o GTFoods, dono das marcas Frangos Canção, Gold Frango, Mister Frango e Bellaves, e a Jaguafrangos, que usa o nome Jaguá, terá duração de três anos e passará por avaliação após 12 meses. A Frango a Gosto abate 60 mil aves por dia. Já chegou a exportar 34% da produção, mas hoje essa fatia é de 10%.

Além da Frango a Gosto, a crise agravou problemas que vinham sendo enfrentados por outras empresas no Estado desde 2008. A Diplomata, que tem sede em Cascavel, no oeste, e pertence ao deputado federal Alfredo Kaefer (PSDB-PR), entrou com pedido de recuperação judicial em agosto e, no dia 16, informou que vai interromper alojamentos nas granjas e suspender abates nas unidades de Xaxim (SC) e Capanema (PR). A Diplomata também faz parte da Unifrango.

Em outubro, a direção de outra empresa que faz parte da associação, a Averama, de Umuarama, confirmou que havia iniciado uma negociação de fusão com a BR Frango, de Santo Inácio, ambas localizadas no noroeste. O fechamento da transação ainda depende de auditoria.

A possibilidade de haver uma consolidação da avicultura no Paraná já havia sido cogitada em setembro pelo secretário de Agricultura do Paraná, Norberto Ortigara, que contou que bancos estavam trabalhando para estimular fusões e aquisições com a intenção de evitar quebras no segmento.

Mas nem todos os empresários estão com problemas. O GTFoods, que também pertence à Unifrango, vai na contramão da crise e deve crescer por meio de parcerias e aquisições. O grupo foi criado em 2011, pertence aos empresários Rogério Gonçalves e Ciliomar Tortola, e tem como meta faturar R$ 1 bilhão em 2012. A união com a Jaguafrangos deve acelerar os planos de crescimento no Paraná e em outros Estados, como Santa Catarina.

"Nos reunimos e estamos criando uma terceira empresa para ir atrás de oportunidades", conta Tortola. O nome da nova empresa não foi definido. Com a Frango a Gosto, a GTFoods vai abater 400 mil frangos por dia e a Jaguafrangos, 200 mil. "Vai ser bom para eles e para nós", afirma, sobre a negociação com Martins.

Embora a avicultura viva momentos de agitação, alguns empresários e produtores estão levando vida normal, de olho nos problemas, mas sem mudanças nos planos. É o caso da Frangos Pioneiro, do município de Joaquim Távora, que chegou a ser procurada por bancos com oferta de crédito para possíveis aquisições e optou pelo crescimento orgânico. A empresa abate 90 mil aves por dia em um turno e está investindo R$ 15 milhões para aumentar para 120 mil em abril de 2013 e 160 mil em abril de 2014, em dois turnos.

O gerente de fomento, Rhoger Henrique dos Santos, explica que a decisão de investimento foi tomada antes do começo do aumento nos preços dos grãos. Para reduzir custos, a Pioneiro chegou a substituir milho e soja por itens mais baratos, como sorgo e milheto na ração. "Nossa empresa sentiu a crise e estamos preocupados, mas há equilíbrio na gestão e estamos pagando as contas", diz. "Não estamos acostumados com dívidas, por isso não aceitamos créditos para aquisições, mas creio que ainda há coisas para acontecer", comenta.

Quem investiu em aviários recentemente aposta na volta de dias melhores. É o caso de seis amigos que criaram o G12 e investiram R$ 5,5 milhões em uma propriedade com dez alqueires e 12 aviários em Cianorte. Eles são integrados da GTFoods e começaram a fazer alojamentos no pico da crise. "Fizemos a melhor estrutura", diz Dalcides Michelato Filho, um dos sócios, que aposta no segmento para ter boa aposentadoria. "Já trabalhamos com fornecimento de produtos para a avicultura há 20 anos e sempre vimos altos e baixos", completa José Francisco Mendes, outro sócio.

A jornalista viajou a convite da Unifrango

Valor Econômico – São Paulo/SP

imprensa@faep.com.br