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Data da Publicação: 24/07/2013 - 12h00
Postado em Notícias

24/07/2013 12h00 - Postado em Notícias

Corrida biotecnológica

Pesquisadores buscam plantas resistentes às intempéries do clima

É possível que em poucos anos, poderá ser raro alguém perder o sono por causa de estiagem nas lavouras. Cientistas brasileiros e americanos patentearam novas maneiras de turbinar a resistência das plantas e, agora, dedicam-se à comprovação prática, em variedades comerciais, do que já conseguiram fazer em laboratório,
em plantas cobaias. São tecnologias fundamentais para fazer frente à pressão para produzir mais alimentos, num cenário de crescente escassez de água doce no planeta.

No caso brasileiro, cientistas da Embrapa Recursos Genéticos e  Biotecnologia, em Brasília, conseguiram isolar um gene do café, presente em plantas mais resistentes ao estresse hídrico. O gene já foi introduzido em plantas cobaias – o fumo e a espécie "arabdopsis thaliana" – e praticamente triplicou a resistência à falta d’água. O próximo passo é verificar como este gene muda o comportamento de culturas comerciais de soja, arroz, algodão, cana- de-açúcar e trigo.

Os estudos são sempre feitos de forma comparativa. Submetem-se as plantas a condições idênticas de calor, iluminação e umidade. As geneticamente modificadas resistiram até 40 dias sem água, enquanto as outras morreram depois de 15 dias. O gene foi patenteado,
e toda a propriedade intelectual está garantida em nome da Embrapa e da Universidade Federal do Rio de Janeiro, instituição parceira na pesquisa.  "Estamos introduzindo agora os genes em plantas comerciais; até no
máximo no primeiro semestre de 2014, vamos verificar se elas ficaram mais resistentes e, em seguida, faremos todo o processo de avaliação de biossegurança, em relação ao consumo e ao meio ambiente", diz o
pesquisador Eduardo Romano, que coordena o projeto na Embrapa. A etapa seguinte será registrar as novas variedades, que podem estar no mercado "dentro de cinco anos", segundo Romano.

No momento, as plantas de soja, arroz, algodão, cana-de- açúcar e trigo, fertilizadas in vitro pelos cientistas da Embrapa ainda estão pequenas, têm entre um e dois meses de desenvolvimento. "Entre estas plantas, vamos separar as que desenvolveram os genes
introduzidos; depois, teremos de esperar que elas gerem sementes para,  então,  nas  ‘filhas’,  realizarmos  todos  os  testes",  explica Romano.

O fato de a Embrapa comandar a pesquisa pode significar tecnologia com menores custos, aos produtores, mais adiante.  Foi o que aconteceu na China em relação ao algodão transgênico.  Pesquisadores de instituição pública desenvolveram algodão transgênico resistente a insetos, na mesma época em que o setor
privado lançou a tecnologia. Resultado: milhões de produtores chineses puderam plantar algodão transgênico com sementes a preço bastante acessível – por que as empresas privadas acabaram acompanhando os preços da "Embrapa chinesa".

Nos EUA, hormônio sintético
Na corrida biotecnológica, cientistas da Universidade da Califórnia desenvolveram um hormônio sintético que aumenta a resistência das plantas a situações de extremo calor e déficit hídrico. A substância, batizada de "quinabactin", funciona como um hormônio natural antiestresse. A descoberta pode revolucionar a maneira de proteger lavouras e diminuir perdas por oscilações extremas no clima, uma realidade vivida pelos americanos nas duas últimas safras, castigadas
pela seca. A pesquisa foi liderada pela equipe do biólogo celular Sean Cutler.

Em 2009, o mesmo time de pesquisadores já havia descoberto a proteína que faz os poros das plantas se fecharem, ativada pelo hormônio natural "abscisic acid" (ABA). Durante anos sabia-se que pulverizar ABA nas plantas melhorava o aproveitamento hídrico e aumentava a resistência ao calor, mas o hormônio era muito caro para ser usado em larga escala na agricultura.

Depois de pesquisar milhares de moléculas, os cientistas encontraram a "quinabactin", quase idêntica à ABA, mas de composição química mais simples e, portanto, mais barata para ser produzida. A descoberta é um divisor de águas numa área pesquisada intensamente por multinacionais da agroquímica.

Embrapa soja-Londrina
Comprovadamente a estiagem é o principal problema climático na agricultura o que explica por que as pesquisas da biotecnologia estão mais avançadas neste campo. No entanto, também existem pesquisadores debruçados sobre maneiras de aumentar a resistência das plantas ao encharcamento. Atualmente, na Embrapa Soja, em Londrina, por exemplo, tenta-se identificar genes "de defesa" ativados pela leguminosa diante do excesso de água. O método é o mesmo que levou à descoberta dos genes anti-seca.                    

A saída encontrada foi construir um robô esférico, adequadamente batizado de Rosphere. Sem rodas, sem lagartas e sem pernas, o "bicho" usa um mecanismo interno que o faz rolar, superando a maioria dos obstáculos encontrados em terrenos acidentados. Os testes iniciais foram voltados para avaliar a funcionalidade do movimento do Rosphere em lavouras reais – sua missão era medir as leiras da plantação e coletar dados de temperatura e umidade.

Segundo os pesquisadores, o robô rolante poderá serequipado com virtualmente qualquer tipo de sensor, ajudando nas técnicas de agricultura de precisão, que variam a adubação e a irrigação em cada ponto da lavoura.

Embora já existam equipamentos capazes de fazer isto, o robô esférico deverá ser centenas de vezes mais barato, podendo ser acessível a pequenos produtores.

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