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Data da Publicação: 09/10/2020 - 14h00
Postado em Destaques, Notícias, Pecuária de Corte

09/10/2020 14h00 - Postado em Destaques, Notícias, Pecuária de Corte

Com primeiro semestre fraco, mercado de carne bovina deve aquecer até dezembro

Desempenho da carne bovina paranaense apresentou recuo,
com expectativa de retomada das atividades após a pandemia

Por Guilherme Souza Dias, do DTE do Sistema FAEP/SENAR-PR

O volume de abates de bovinos diminuiu no primeiro semestre de 2020 em relação aos seis primeiros meses do ano passado. Segundo a Pesquisa Trimestral do Abate de Animais (PTAA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a redução foi de oito mil animais, queda de 1,19%. Em dados absolutos, o Paraná teve 695 mil cabeças abatidas no primeiro semestre de 2019, passando para 686 mil neste ano.

Enquanto a quantidade de machos acima de 24 meses se manteve estável em termos percentuais (abaixo de 1%), os machos jovens (novilhos) tiveram acréscimos de cerca de 7,5%, apesar da pequena participação no abate total. Somando as duas categorias, a quantidade de machos abatidos se manteve praticamente estável.

Entretanto, enquanto os abates de novilhas aumentaram 4,5%, entre vacas mais eradas (acima de 24 meses) houve redução de quase 5%. Foram 11,7 mil matrizes a menos indo para o gancho em 2020, o que confirma a previsão de que será um ano de retenção de matrizes, mesmo com o acréscimo de 3,5 mil novilhas abatidas. No balanço geral, os abates totais do Estado foram reduzidos em 1,2%, o equivalente à 8,3 mil cabeças.

Mercado

O giro rápido proporcionado pelo abate de categorias mais jovens tem sido aproveitado pelos pecuaristas para otimizar o capital investido. O aquecimento do mercado nacional, calcado no bom desempenho das exportações, tem contribuído para o cenário de altas na arroba paranaense.

Apesar da baixa participação do Paraná nas exportações brasileiras, a tendência de maior escoamento nacional contribui para a solidez nos preços internos. O dólar valorizado tem tornado o escoamento externo interessante de maneira geral, equilibrando a demanda interna, fragilizada pela situação econômica da população nacional.

Ao contrário do que ocorreu com o mercado de leite, o pagamento do auxílio emergencial não trouxe grandes oscilações para o mercado da arroba. Contudo, houve ligeira valorização nas cotações após o pagamento da primeira parcela do auxílio, o que beneficiou um terço da população brasileira.

Exportações

Em se tratando das exportações, no acumulado do ano, o Brasil exportou 1,2 milhão de toneladas de janeiro a agosto, alta de 14,1% em relação igual período do ano anterior. Em termos de faturamento, o desempenho nacional superou US$ 5,4 bilhões, alta de 25,5% ante 2019. O apetite mundial por proteínas animais está aquecido e o Brasil se insere em um contexto de plenas condições de atendimento a esse mercado.

Nesse contexto, ao correlacionar o volume exportado com a produção brasileira, o país exportou 22% do total produzido, contra 18,6% em 2019. Isso denota a importância do mercado externo na ponta da demanda, trazendo sustentação às cotações domésticas.

Há um salto no volume embarcado a partir de maio, notadamente período de retomada das atividades “pós-pandemia”, especialmente na Europa e Ásia. Entretanto, apesar desse aquecimento, é importante lembrar que o dólar valorizado figura como uma via de duas mãos. Se por um lado o escoamento dolarizado fica atrativo, o mesmo não ocorre para os fertilizantes, em sua maioria importados. Nesse contexto, chama a atenção os aumentos previstos para os custos de produção em 2020, especialmente oriundos dos componentes da ração, medicamentos, entre outros.

Paraná

O desempenho da carne bovina paranaense apresentou recuo no acumulado de 2020, ao contrário do Brasil, totalizando 18,3 mil toneladas embarcadas, queda de 20,6% frente ao ano anterior. Em se tratando do faturamento, a redução foi menos expressiva, de 15,8%, em função de melhores cotações. Em números absolutos, a queda foi de 4,7 mil toneladas, representando recuo de US$ 13,8 milhões no faturamento.

A pauta de exportação se manteve inalterada frente ao ano anterior, com a maior parte dos embarques sendo compostos por carnes bovinas desossadas congeladas e/ou refrigeradas. Esses produtos responderam por 81% do faturamento paranaense em 2020, totalizando US$ 59,7 de milhões. Entre os 40 mercados que adquiriram os produtos do Paraná, Hong Kong e Israel absorveram mais da metade do volume, 6,1 mil e 4,6 mil toneladas, respectivamente. A queda nos volumes totais foi motivada por reduções expressivas justamente nos principais mercados. Hong Kong e Israel reduziram suas compras em 19% e 17%, respetivamente.

Vale lembrar que as exportações são mais expressivas no segundo semestre. A retomada das atividades após a pandemia deve aquecer o desempenho no mercado externo, que tem mantido firme a demanda por carne bovina. O Brasil deve bater recorde de exportações no ano, assim como em 2019, mas o desempenho paranaense ainda segue aquém do potencial.

Com o tradicional maior abate de boiadas no segundo semestre, as cotações para a arroba devem seguir a tendência de valorização até o final do ano. Contudo, a demanda doméstica deve sofrer os impactos da queda de 50% no auxílio emergencial, portanto, as valorizações não devem ser tão expressivas quanto no final de 2019.

Leia mais notícias sobre o agronegócio no Boletim Informativo.

Título da Postagem: Com primeiro semestre fraco, mercado de carne bovina deve aquecer até dezembro

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