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Data da Publicação: 04/09/2012 - 12h00
Postado em Notícias

04/09/2012 12h00 - Postado em Notícias

Com novos moinhos, Paraná terá de driblar ociosidade da indústria de trigo

Estado, que até o ano passado liderava a produção nacional do produto, aumentou em 70% as importações neste ano e tende a comprar mais no exterior

Moinho da Coopavel, em Cascavel, entra em operação neste mês e deverá moer até 120 mil toneladas de trigo por ano. Projeto semelhante vem sendo colocado em prática em Ponta GrossaMoinho da Coopavel, em Cascavel, entra em operação neste mês e deverá moer até 120 mil toneladas de trigo por ano. Projeto semelhante vem sendo colocado em prática em Ponta Grossa

Em um cenário de diminuição da oferta de trigo – causada no Paraná pela redução de 28% na área plantada -, o estado tende a ampliar a importação do produto, que cresceu 70% neste ano. Dois novos moinhos em construção, cada um com capacidade para moagem de 120 mil toneladas ao ano, vão aumentar a disputar pelo produto de qualidade ao elevar em 7,3% a capacidade de moagem do estado.

A Coopavel, com sede em Cascavel, deve iniciar a operação de uma nova planta neste mês e, mesmo com uma produção menor, Dilvo Grolli, presidente da cooperativa, acredita que terá de recorrer a fornecedores externos somente "se a qualidade da colheita [que começou a entrar no mercado neste mês] não for satisfatória". Por enquanto, ele ameniza a situação de escassez de matéria-prima lembrando que a Região Oeste é uma das maiores produtoras de trigo do estado.

Cereal teve redução de área no PR e vem sendo exportado

Dependência ampliada

70% é quanto aumentaram as importações de trigo do Paraná nos primeiros seis meses deste ano. Nesse período, o estado trouxe de fora 364 mil toneladas do produto, quase o mesmo volume exportado. Compras externas ocorrem para que a indústria possa compor a mistura de cada tipo de farinha.

Na região dos Campos Gerais, as cooperativas Batavo, Castrolanda e Capal devem concluir as obras de um moinho em Ponta Grossa em dezembro de 2013. Com uma produção de 300 mil toneladas de trigo por ano, o grupo já planeja trabalhar com cerca de 20% do consumo total usando matéria-prima importada.

Estudos sobre o setor apontam que a cadeia trabalha aquém do seu potencial. A escassez do cereal ocorre tanto em termos de quantidade quanto de qualidade, e como parte da produção paranaense é também exportada, o déficit acaba sendo intensificado.

De acordo com projeções da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), a safra 2011/12 de trigo no Paraná deve totalizar 2,2 milhões de toneladas, 10% menos do que no ano anterior (2,4 milhões). No mesmo período a área caiu 28%, ocupando cerca de 760 mil hectares. Além de consolidar o menor plantio nos últimos cinco anos, a mudança concede ao Rio Grande do Sul o posto de maior produtor brasileiro da cultura.

Dependência externa

Para suprir o abastecimento interno e compor as misturas de cada tipo de farinha, o Paraná teve de aumentar suas compras externas no primeiro semestre deste ano. O volume de cereal importado foi de 364 mil toneladas no período. Enquanto isso, as exportações somaram 358 mil toneladas, com queda de 49,6%, aponta levantamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). "Ainda que o trigo de algumas regiões apresente alta qualidade, as importações ocorrem frente a uma necessidade de compor o blend [mistura] entre os tipos de trigo, atendendo as diferentes exigências do mercado", explica Everson de Almeida Leão, da gerência de fomento e desenvolvimento da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).

A reduzida oferta de matéria-prima dificulta a entrada de novos agentes no mercado, explica o presidente do Sindicato da Indústria do Trigo no Estado do Paraná (Sinditrigo), Marcelo Vosnika. "O estado é o maior produtor de farinha, o que já caracteriza a existência de um excedente. E como na média há ociosidade na indústria, não cabem muito mais moageiras no setor", afirma. Atualmente, cerca de 70 moinhos estão em atividade no Paraná, indica a Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo).

Dados da Fiep apontam que a capacidade total da indústria ligada ao trigo é de 3,3 milhões de toneladas/ano, enquanto a moagem efetiva é de 2,65 milhões de toneladas. Como consequência, o setor trabalha com uma ociosidade média de 20%, puxada principalmente nas grandes unidades, destaca Leão. "Além disso, deve se considerar que existe um ciclo de moagem anual de 300 dias, havendo paradas obrigatórias nos moinhos para limpeza, manutenção e outros".

Segregar será problema com a nova classificação

Mais rígidos, os novos critérios de qualificação do trigo, que passaram a vigorar em julho deste ano e ampliam de três para quatro os níveis de classificação do cereal, causam certa apreensão entre o setor produtivo. Uma das principais dificuldades é a segregação do produto, avalia Ivo Arnt Filho, triticultor e presidente da Comissão de Trigo na Federação da Agricultura do Paraná (Faep).

Segundo ele, a necessidade de investimento em infraestrutura, incluindo equipamentos e pessoal para trabalhar, colaborou para que a área no estado fosse a menor em cinco anos no estado. Mesmo com uma tendência de valorização nos preços do cereal, que são sustentados também pela soja e milho, Arnt Filho acredita que a cultura deve continuar perdendo espaço nas lavouras paranaenses. "Com o milho em alta muitos produtores podem optar por trocar de cultura", explica.

Hoje a saca de 60 quilos de trigo é avaliada em mais de R$ 33, em média, no estado. O valor está cerca 30% acima da média registrada em agosto do ano passado. Além da expectativa de oferta interna menor, a pressão de alta é provocada pelo cenário externo. A Rússia, um dos maiores produtores e exportadores mundiais, deve ter uma grande quebra de safra nesta temporada.

A nova classificação atende, por outro lado, a uma revindicação da indústria. Para Everson de Almeida Leão, da gerência de fomento e desenvolvimento da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), as exigências poderiam contribuir para o incremento na produção do estado, porque desta forma "produtores e indústrias teriam ganhos", afirma.

No caso da Coopavel, o presidente Dilvo Grolli assegura que é possível fazer a segregação. "Temos 27 pontos de recepção, que permitem fazer a separação e o envio de acordo com a necessidade", pontua. A estrutura, que vai industrializar 120 mil toneladas de trigo por ano, deve ser inaugurada no próximo mês.

Gazeta do Povo Online – Curitiba/PR – AGRONEGÓCIO/ Jonathan Campos

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