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Data da Publicação: 09/01/2014 - 11h19
Postado em Grãos

09/01/2014 11h19 - Postado em Grãos

Calor e chuvas irregulares afetam lavouras de grãos

As altas temperaturas e as chuvas irregulares nas principais regiões produtoras de grãos do Brasil elevaram a tensão entre os agricultores e motivaram até revisões nas previsões de colheita da safra 2013/14. O cenário de calor e menos umidade, registrado a partir de dezembro, afetou principalmente Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do […]

SojaAs altas temperaturas e as chuvas irregulares nas principais regiões produtoras de grãos do Brasil elevaram a tensão entre os agricultores e motivaram até revisões nas previsões de colheita da safra 2013/14. O cenário de calor e menos umidade, registrado a partir de dezembro, afetou principalmente Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul – mas nada que, ao menos por ora, coloque em risco a produção recorde de soja, estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 90 milhões de toneladas.

A Aprosoja/MS, associação que representa os produtores de soja e milho de Mato Grosso do Sul, prevê que o clima desfavorável possa levar a uma quebra de 10% na atual safra da oleaginosa, cuja colheita deve ganhar ritmo em poucos dias. A perspectiva da entidade é que a produção fique em cerca de 5,8 milhões de toneladas, mesmo patamar da safra 2012/13. A projeção inicial era de 6,5 milhões de toneladas.

Os danos na produção sul-mato-grossense se concentram no sul do Estado. A região de Rio Brilhante foi uma das mais atingidas, com um comprometimento que pode chegar a 30% da safra da oleaginosa, segundo a Aprosoja/MS – que não descarta alguma recuperação caso o nível de umidade melhore.

“O problema é que houve um período de 10 a 15 dias sem chuvas em Mato Grosso do Sul, com temperaturas elevadíssimas. Isso coincidiu com o florescimento e o início do enchimento de grãos. Com o abortamento da florada, a formação das vagens ficou prejudicada”, explica Marco Antônio dos Santos, da Somar Meteorologia.
A situação é parecida no Paraná, onde houve uma quinzena de estiagem em dezembro. Em Toledo (PR), no oeste do Estado, choveu 100 mm em dezembro, 30% abaixo da média – e com temperaturas acima dos 30ºC. Porém, nos primeiros sete dias de janeiro, as precipitações somam 95 mm, quase 60% da média para o mês. A entrada de uma frente fria no último fim de semana reduziu também a pressão sobre os termômetros: as temperaturas passaram a 28,5ºC, abaixo da média histórica de 31,5ºC.

Segundo Marcelo Garrido, economista do Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, as lavouras de soja locais tinham boas condições até o início de dezembro, e a percepção é que os danos causados pelo clima, se houver, serão pontuais. A situação, acrescenta, foi pior no oeste e no norte paranaenses. “Mas ainda é cedo para uma revisão da estimativa de safra”, disse. O Deral continua a estimar colheita de 16,46 milhões de toneladas de soja em 2013/14, 4% acima da temporada passada.
Já o milho sofreu menos no Paraná, porque os plantios estão concentrados no sul do Estado, que sofreu menos com o clima.

Em Mato Grosso, principal produtor de soja do país, as chuvas foram irregulares mas não fugiram à média. Em Sapezal (MT), as precipitações somaram 400 mm em dezembro, 30% acima do normal para o período. Nos primeiros sete dias de janeiro, já choveu 103 mm, ante os 350 mm esperados para o mês. Contudo, as temperaturas ainda estão altas, acima de 32ºC, quando o normal seria 28ºC. A produtividade, ainda assim, parece intacta.
Em Lucas do Rio Verde, as lavouras de soja precoce têm rendido entre 48 e 56 sacas por hectare. “Acima de 52 sacas consideramos um rendimento bastante bom”, disse o presidente do sindicato rural local, Carlos Alberto Simon.
Em Sorriso, choveu bem em dezembro, mas não o suficiente para causar muitas perdas às lavouras, segundo o presidente do sindicato rural, Laércio Lenz. “Nos últimos dias temos sol e a colheita avança”.

Com o avanço da colheita de grãos nas próximas semanas, cresce o temor em relação à continuidade das chuvas. Mas, de acordo com Santos, da Somar, os agricultores não têm muito o que temer. “Não estão previstas invernadas [períodos de chuvas prolongadas] em janeiro”, disse. As chuvas podem ocorrer, mas não devem interromper os trabalhos por muitos dias. “Essa umidade é até benéfica para o plantio de algodão e milho safrinha, na sequência da colheita de soja”, concluiu.

Fonte:  Valor Econômico

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