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Data da Publicação: 19/03/2013 - 12h00
Postado em Notícias

19/03/2013 12h00 - Postado em Notícias

Calcário fica mais caro no Paraná

Inflação, aumento da demanda e ajustes anuais das empresas são as justificativas para o incremento no valor do insumo

Utilizado para correção da acidez do solo, o calcário tem ficado mais caro para o produtor de um ano para cá. O valor do insumo no Paraná em março deste ano, por exemplo, de acordo com um levantamento realizado pela Scot Consultoria, tem girado em torno de R$ 26,80 a tonelada, ante R$ 22 registrado no mesmo período do ano passado (ambos os valores sem o adicional do frete). Em janeiro e fevereiro deste ano, o preço da tonelada no Paraná ficou em R$ 26,30, contra a média de R$ 23,25 registrado nos dois primeiros meses de 2012.

De acordo com Rafael Ribeiro de Lima Filho, analista de mercado da Scot, o aumento da inflação, a alta da demanda pelo produto e os ajustes anuais das empresas fabricantes dos insumos foram os fatores que motivaram o acréscimo do preço pago pelo calcário. Segundo ele, a demanda pelo produto segue aquecida, devendo se intensificar a partir do final de abril, quando as vendas dos insumos começam a ganhar força devido aos preparativos para a safra verão. "Tirando essa elevação registrada no primeiro trimestre, o mercado segue equilibrado", salienta Lima Filho.

O aquecimento no valor do produto não deve ocasionar grandes problemas para os produtores, segundo avalia Flávio Turra, gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar). O especialista explica que o calcário é um dos itens mais baratos dentre os produtos utilizados na correção do solo. Conforme Turra, a aplicação do insumo é realizada a cada três ou cinco anos. "O valor pago pelo calcário vai se diluindo, por isso não é tão caro", enfatiza o gerente.

Mas Turra destaca que as cooperativas paranaenses já sentiram o aumento no custo do calcário. O gerente da Ocepar salienta que mesmo com o valor maior pago pela tecnologia, o produtor não deve parar de investir porque sabe dos bons resultados que o insumo oferece. João Francisco, produtor de uma área de 312 hectares na região de Londrina, reforça que o calcário em si não é caro, mas se somado os custos do transporte, principalmente óleo diesel e pedágio, o produto fica bem mais custoso.

Incentivo ao pequeno

Para viabilizar o acesso dos agricultores familiares na obtenção de calcário, o governo do Paraná criou há dois anos o Programa de Apoio ao Manejo e Conservação de Solos, projeto vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) que disponibiliza gratuitamente calcário para produtores que não têm como arcar com o valor do insumo. O Paraná estima investir no programa, nesta safra, R$ 33,5 milhões, beneficiando 35 mil produtores paranaenses.

Richardson de Souza, diretor do Departamento de Desenvolvimento Rural Sustentável (Deagro), explica que cada produtor tem um limite de aquisição de até dez toneladas. Ele explica que a disponibilidade de recursos deve variar de acordo com a necessidade de cada região do Estado, levando em conta, principalmente, a concentração dos agricultores familiares e a distância das minas de calcário, concentradas principalmente na região metropolitana de Curitiba.

Universo Agro
Ricardo Maia

imprensa@faep.com.br