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Data da Publicação: 27/04/2018 - 12h18
Postado em Agronegócios, Destaques

27/04/2018 12h18 - Postado em Agronegócios, Destaques

Preços das commodities disparam no Paraná e compensam safra menor

Colheita da safra de grãos de verão 2017/18 terminou com uma produção de 22,3 milhões de toneladas, 12% menor que em 2016/17. Mas a previsão para o ano todo é de 38,9 milhões de toneladas, queda de 7% em relação ao ano passado, cujo volume alcançou 41,6 milhões.

O Paraná encerrou a colheita da safra de grãos de verão 2017/18 com uma produção de 22,3 milhões de toneladas, 12% menor que a obtida em 2016/17. A Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento prevê para o ano todo uma produção de 38,9 milhões de toneladas de grãos, uma queda de 7% em relação ao ano passado, cujo volume alcançou 41,6 milhões de toneladas.

Essa redução ocorre em função dos problemas climáticos ocorridos durante o ciclo dos cultivos de feijão, milho e soja. Ainda assim, a safra é considerada excelente, atesta a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, que divulgou nesta sexta-feira (27) o relatório mensal de acompanhamento de safra referente ao mês de abril.

Para o diretor do Departamento de Economia Rural (Deral), Francisco Carlos Simioni, não fosse o fator climático com muita chuva registrada em janeiro e fevereiro deste ano, no pico do verão, as safras de milho e soja teriam resultados semelhantes aos da safra 2016/17, que foi considerada excepcional. Esse foi o fator que puxou para baixo as produtividades em torno de 10% para o milho e 7% para a soja. Entre os grãos de verão, somente o feijão apresentou perdas mais elevadas na primeira safra, disse.

Em contrapartida, se os produtores não conseguiram obter a produtividade esperada inicialmente, agora estão sendo compensados pelos bons preços, afirmou Simioni.

Segundo ele, a comercialização está passando por um bom momento. A soja está proporcionando um ganho médio de até R$ 18,00 por saca e na mesma toada segue o complexo (farelo e óleo) quando comparado com o mesmo período em 2017. Para o milho, estima-se um ganho médio de R$ 10,00 em cada saca vendida.

Simioni alerta para que o produtor fique atento a esse momento, principalmente em relação ao câmbio que está favorável à comercialização das commodities, um dos melhores desde janeiro/2017.

Ele ressalta ainda em relação as oportunidades de investimentos. Com os indicadores econômicos mostrando uma tendência mais firme para a consolidação da retomada do crescimento no País, a rentabilidade melhor das commodities e, possivelmente uma de redução dos juros dos financiamentos agrícolas, o momento é propício ao planejamento de novos investimentos. “Contudo, é necessário aguardar a divulgação do novo Plano Agrícola e Pecuário que deverá ser anunciado no mês de maio”, disse.

CHUVAS – Em relação à segunda safra, em curso, e à safra de inverno, que começa a ser plantada, a expectativa está atrelada ao clima. Os produtores já estão apreensivos com a falta de chuvas que pode afetar as segundas safras de milho e feijão, que estão em campo e o plantio da safra de inverno, podendo retardar o plantio do trigo.

Segundo Simioni, se o atraso na colheita da safra de verão e a falta de chuvas estão empurrando para frente o plantio das lavouras de inverno, principalmente o trigo, que é a principal cultura cultivada no Estado nesta época, por outro lado está beneficiando o produtor. Isso porque ele consegue escapar dos efeitos da estiagem sobre as lavouras de inverno, que aguardam o retorno das chuvas para o plantio.

DESEMPENHO DAS COMMODITIES

SOJA – A colheita da safra 17/18 foi encerrada com uma produção de 19,1 milhões de toneladas, 4% inferior à safra anterior, que rendeu 19,8 milhões de toneladas. O clima não foi tão benéfico, o que fez a produtividade retroceder cerca de 7%, caindo de 3.762 quilos por hectare, na safra 16/17, para 3.503 quilos por hectare na safra 17/18. Segundo o economista do Deral, Marcelo Garrido, a produtividade da soja deste ano voltou aos níveis históricos, o que garantiu ainda uma boa safra, disse.

O preço médio da soja comercializada no Paraná neste mês de abril foi de R$ 74,00 a saca, um aumento de 32% sobre a comercialização em abril do ano passado, quando a soja era vendida em torno de R$ 56,00 a saca.

O aquecimento nos preços está sendo atribuído a uma safra menor no mundo todo, refletindo a quebra de safra na Argentina por causa da seca. E também ao conflito comercial entre Estados Unidos e China, que fez disparar a demanda pela soja brasileira. E, nos últimos dias, a escalada do Dólar frente ao Real valorizou a soja, tornando-a ainda mais atraente para quem está comprando lá fora, disse Garrido.

O analista alerta sobre as perspectivas daqui para frente que terão a influência no mercado com a divulgação da área plantada com soja nos Estados Unidos na safra 2018/19. Segundo o Deral, 50% da soja paranaense já foi vendida, volume maior do que em igual período do ano passado, quando 36% da safra estava vendida. “Os preços maiores estão acelerando as vendas”, afirmou.

MILHO – A primeira safra plantada no Paraná está com 90% da área já colhida, e 50% vendida. A primeira safra está encerrando com um volume de 2,8 milhões de toneladas, 43% inferior à igual período do ano passando, quando rendeu 4,9 milhões de toneladas.

A primeira safra de milho caiu bastante em decorrência de uma queda de 36% na área plantada, e na perda de 10% na produtividade das lavouras. Foi uma safra pequena e, como na soja, o clima também foi determinante para a perda de produtividade, disse Garrido.

O milho está sendo comercializado pelo produtor por cerca de R$ 31,00 a saca, 48% de aumento em relação à abril do ano passado, quando foi vendido, em média, por R$ 21,00 a saca. Essa valorização do grão está ocorrendo pela queda na oferta do produto. A safra de milho está menor no Paraná, assim como em outros estados brasileiros.

Segundo Garrido, no ano passado o Paraná produziu 18,3 milhões de toneladas entre as duas safras cultivadas no Estado e este ano vai ofertar cerca de 15 milhões de toneladas, dependendo do comportamento do clima durante a segunda safra, que está em campo. Se essa projeção se confirmar, a queda será de 17% na produção, calculou o analista.

A segunda safra de milho está plantada, mas tem a preocupação dos produtores com a falta de chuvas que já dura quase 30 dias em algumas regiões. Segundo Garrido, há previsão de chuvas para cerca de uma semana para frente ou mesmo 10 dias, mas não há garantia. E o solo está precisando de umidade, acrescentou.

Apesar disso, ainda é cedo para falar em redução da produtividade, embora o produtor esteja apreensivo porque a lavoura começa a entrar em fase crítica e precisa de água para se desenvolver. Segundo o Deral, 41% da safra entra em fase de floração e frutificação, o que faz aumentar a preocupação do setor.

A expectativa ainda é de uma segunda safra boa, com um volume de 12,2 milhões de toneladas. Esse volume é 8% inferior à safra passada, mas corresponde também à queda na área plantada, que foi de 11%. No ano passado, nessa mesma época foram plantados 2,4 milhões de hectares com milho de segunda safra, e este ano 2,1 milhões de hectares.

TRIGO – Principal cultura de inverno no Estado, está com apenas 1% da área plantada. O plantio está atrasado em decorrência da colheita da safra de verão que também atrasou por problemas climáticos e, agora, pelo clima seco. Além disso, o produtor também se manteve indefinido se plantaria ou não o trigo, em algumas regiões.

Agora, a intenção de plantio está confirmada e o trigo deverá ocupar uma área de 1,04 milhão de hectares, 7% acima da área plantada no ano passado, que atingiu 972.722 hectares. Com clima normal, a produção está estimada em 3,3 milhões de toneladas, um aumento de quase 50% em relação ao ano passado quando a produção obtida foi de 2,2 milhões de toneladas. Esse resultado está sendo estimado de acordo com uma projeção de aumento de 37% na produtividade.

Porém, a cultura também depende de chuva, o que pode frustrar essas expectativas, adverte Garrido. O momento é de entressafra na oferta de trigo e por isso o preço está em elevação. Em abril deste ano está sendo comercializado em torno de R$ 38,00 a saca, alta de 23% em relação ao mesmo mês do ano passado quando foi vendido, em média, por R$ 31,00 a saca.

FEIJÃO – O momento é de apreensão para o feijão de segunda safra que está em campo. Segundo o engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Alberto Salvador, a cultura entrou em fase crítica, com 21% da área plantada em floração, e 49% em frutificação. Cerca de 6% da área já foi colhida, o que aponta para a possibilidade de queda na produtividade.

Segundo Salvador, a preocupação é que no ano passado, nessa mesma época, 85% das lavouras estavam em boa situação. E neste ano, as lavouras boas correspondem a 79% da área ocupada, ou seja, há mais lavouras ruins do que no ano passado. O analista lembra que o período é atípico e que deve se esperar o avanço da colheita para ver se consolida essa queda em função da falta de chuvas.

Salvador lembra que havia boas projeções para o desempenho de feijão da segunda safra, que apontava para um crescimento de 5% em relação à anterior. Está sendo prevista uma colheita de 365.424 toneladas contra 346.610 toneladas colhidas em igual período do ano passado.

Os produtores estavam apostando no aumento de 28% na produtividade, que compensaria a queda de 21% na área plantada. No ano passado foram plantados 251.625 hectares com feijão de segunda safra e, este ano, 199.930 hectares.

A comercialização de feijão segue travada, sem espaço para reação nos preços no curto prazo, salientou Salvador. Uma reação nos preços vai depender do resultado da segunda safra de feijão no Paraná e no Brasil e de um possível aumento no consumo durante o inverno que se aproxima.

Atualmente, os preços estão oscilantes. O feijão de cores aumentou cerca de 9%, passando de R$ 82,50 a saca em março, para R$ 90,00 em abril. Já o feijão preto teve queda de 4%, sendo vendido a R$ 108,29 a saca em março e por R$ 104,00 em abril.

Fonte: AE Notícias

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