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Data da Publicação: 06/10/2010 - 12h00
Postado em Notícias

06/10/2010 12h00 - Postado em Notícias

Instituto prevê estiagem e fornece orientações para as safras de verão

Estudo do IAPAR aborda impactos do fenômeno La Niña no Paraná

Além de amenizar as temperaturas e aumentar a umidade relativa do ar, as chuvas que incidem sobre o Paraná desde a última semana são importante para a agricultura. Estudo mostra que, depois de aproximadamente dois meses de estiagem, os produtores rurais devem aproveitar os índices mais elevados de precipitação para iniciar o plantio da safra de verão. "Observamos que, no caso do Paraná, há indicativo de chuvas abaixo da média até dezembro", alerta o pesquisador Paulo Henrique Caramori.
Além de amenizar as temperaturas e aumentar a umidade relativa do ar, as chuvas que incidem sobre o Paraná desde a última semana são importante para a agricultura. Estudo realizado por pesquisadores da área de Agrometeorologia do Iapar – Instituto Agronômico do Paraná – mostra que, depois de aproximadamente dois meses de estiagem, os produtores rurais devem aproveitar os índices mais elevados de precipitação para iniciar o plantio da safra de verão.

O pesquisador Paulo Henrique Caramori explica que o Estado é afetado pelo fenômeno La Niña, ocasionado pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico, de intensidade moderada a forte. Segundo ele, o fenômeno deve atingir máxima intensidade durante o verão e durar até o outono.

"As passagens das frentes frias sobre a Região Sul são mais rápidas, com diminuição das chuvas e as temperaturas ligeiramente abaixo da média", afirma Caramori. "Há também maior irregularidade na distribuição das chuvas, com ocorrência de veranicos. As regiões litorâneas constituem exceção, com chuvas acima da média".

Estiagem
O pesquisador esclarece que o Paraná está situado numa área de transição entre as regiões Sul e Sudeste, por isso, apresenta resposta ao La Niña um pouco mais variável que o extremo sul brasileiro. No entanto, para os três estados do Sul, de forma geral, há 20% de probabilidade que as chuvas ocorram acima da média, 35% próximas à média e 45% abaixo da média, até dezembro.

"Essas previsões são apresentadas em termos probabilísticos e carregam elevado grau de incerteza. Entretanto, indicam tendências que servem como alerta para se tomar cuidados especiais e minimizar possíveis impactos negativos", pondera Caramori. "Observamos que, no caso do Paraná, há indicativo de chuvas abaixo da média até dezembro, quando se realiza plantio e ocorre o estabelecimento das culturas da safra de verão".

Considerando os riscos de anomalias de chuvas no Paraná para a safra 2010-2011, o pesquisador afirma ser prudente adotar cuidados, visando diminuir os riscos de safra. Os dados são do estudo "O Fenômeno La Niña e a Agricultura do Paraná – Aviso Especial para a Safra 2010/2011", de autoria de Paulo Henrique Caramori, Dalziza de Oliveira, Leocádio Grodzki, Heverly Morais, Wilian da Silva Ricce e Ângela Beatriz Costa.

Medidas de curto prazo:
– Fazer a semeadura escalonada dentro das épocas recomendadas pelo zoneamento agrícola, para que as fases mais sensíveis ao déficit hídrico não ocorram na mesma época. As portarias relativas ao zoneamento das principais culturas para a safra 2010/2011, publicadas pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento para o estado do Paraná, podem ser encontradas na página do MAPA na Internet (www.agricultura.gov.br) e também na página do IAPAR (www.iapar.br – Agrometeorologia / Zoneamento agrícola / Mapas); deve-se utilizar as cultivares recomendadas pelo zoneamento agrícola, se possível cultivares com ciclos diferenciados, posicionando a semeadura de cada cultivar em sua época mais apropriada e, quando disponíveis, cultivares mais tolerantes à seca.
– Fazer a semeadura somente após chuvas suficientes para suprir a deficiência de água no solo. Se o solo estiver seco, são necessários 30 a 40 mm para garantir a emergência.
– Contratar um seguro agrícola para proteção contra eventos climáticos extremos.
– Sempre que possível, fazer a diversificação das culturas.
– Evitar populações de plantas superiores ao recomendado.
– Realizar a adubação recomendada conforme análise do solo, de preferência aplicando o adubo em maior profundidade.
– Não queimar os restos culturais em hipótese alguma.
– Realizar cuidadoso manejo de pragas, especialmente as que atacam no início do ciclo em períodos com menor precipitação, como as lagartas elasmo e rosca. Cuidado com as pragas que atacam na época seca, como a lagarta do cartucho do milho.
– Fazer rigoroso controle de plantas invasoras que competem por água com a cultura.
– Racionalizar o uso da água na propriedade, utilizando orientação técnica para o manejo da irrigação das lavouras.

Medidas de médio e longo prazo:
– Realizar o planejamento da propriedade, tendo em mente a convivência com estiagens e enchentes, que são fenômenos cíclicos característicos do clima regional.
– Readequar o terraceamento da propriedade, visando a proteção contra a erosão dos solos e também a manutenção da água no local, para infiltrar e abastecer o lençol freático.
– Utilizar o sistema de "cultivo mínimo" ou "plantio direto na palha", intensificando as práticas agrícolas que visam melhorar a retenção de umidade no solo, incluindo a cobertura do solo com restos culturais, adubação verde ou orgânica e mínimo revolvimento do solo.
– Utilizar a rotação de culturas e plantio de adubos verdes, nunca deixando o solo exposto, com o objetivo de protegê-lo e de repor sua matéria orgânica, aumentando assim sua capacidade de armazenamento de água.
– Diversificar as atividades na propriedade rural, incorporando culturas permanentes e florestas, que possuem menores riscos climáticos.
– Dimensionar as criações de acordo com a disponibilidade de água, manejo dos dejetos e disponibilidade de alimentos, descartando os animais improdutivos.
– Manter reservas de forragens para uso emergencial, com estoques necessários para vencer os períodos adversos.

Em relação ao manejo da água:
– Organizar-se para o abastecimento coletivo de água, principalmente por meio de fontes e água dos rios, implantando centrais de tratamento e redes de distribuição de água.
– Construir ou aumentar depósitos de água (açudes e cisternas).
– Coletar e armazenar a água da chuva.
– Manutenção constante dos bebedouros para os animais (limpar, revisar e cercar).
– Verificar vazamentos nos bebedouros, açudes e cisternas.

Em relação ao ambiente:
– Reflorestar as áreas de maior declividade.
– Implantar, repor e proteger com cerca a mata ciliar ao redor de nascentes, córregos e rios.
– Isolar os rios, riachos, açudes e bebedouros, evitando o acesso direto dos animais.

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