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Data da Publicação: 03/04/2012 - 12h00
Postado em Notícias

03/04/2012 12h00 - Postado em Notícias

ABC tem sobra de R$ 2,7 bilhões

Programa criado para reduzir a emissão de gases do efeito estufa na agropecuária tem baixa procura pelo segundo ano consecutivo. Dificuldade está na elaboração de projetos

Apesar da campanha pedindo adesão dos produto­res rurais, o programa Agricultura de Baixo Car­­bono (ABC) segue com sobra de R$ 2,79 bilhões nesta safra. O ABC oferece financiamento para projetos que reduzam a emissão de gases do efeito estufa e pode ser acessado por agricultores e pecuaristas. Em seu segundo ano, houve melhora na aplicação do orçamento, mas as quantias ainda estão muito aquém do espe­­rado. Representantes do governo admitem que o entrave está ligado a dificuldades para elaboração dos projetos de financiamento.

Na safra 2011/2012, dos R$ 3,15 bilhões destinados ao programa, apenas R$ 356 milhões (11,3% do total) foram tomados por produtores – a previsão é de que, até junho, haja apenas aumento residual nessa quantia. No primeiro ano do ABC, na safra 2010/2011, o percentual de aproveitamento dos recursos disponibilizados foi ainda menor: 2,9%.
A assessora técnica da Fe­­deração da Agricultura do Paraná (Faep) Carla Beck, que integra o grupo gestor do programa no estado, aponta a pouca divulgação e o número restrito de técnicos capacitados para trabalhar com o ABC como os fatores que contribuíram para a baixa participação dos agricultores paranaenses. "Es­­tamos melhorando isso e teremos um aumento considerável na participação no curto prazo", afirma.

O engenheiro agrônomo do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) Johnny Fran­­zon aposta que, na safra 2012/2013, os empréstimos devem aumentar consideravelmente, já que os dois principais entraves identificados para a aprovação dos projetos estão sendo solucionados: a dificuldade de determinar o que é passível de ser enquadrado no programa e a forma de análise individualizada para cada cultura.

"Antes, era preciso fazer um projeto para o trigo, outro para a soja e assim por diante", compara. Além disso, há iniciativas oficiais de treinamento para que técnicos ajudem produtores a elaborarem seus projetos.

Participação

De todos os recursos disponibilizados nacionalmente na safra atual, o Paraná captou 16%, ficando em segundo lugar, atrás de Minas Gerais. O vice-presidente de agronegócios do Banco do Brasil (BB), Osmar Dias, acredita que o Paraná possa elevar esse percentual, aproximando-se dos 20%, fração próxima à participação do estado na produção agrícola nacional. Dias espera o avanço mesmo com expectativas de que os empréstimos cresçam em todo o país.
Cursos para técnicos prometem melhorar o aproveitamento

Para melhorar o aproveitamento dos recursos destinados ao programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), o Paraná está capacitando 180 técnicos que atuam no meio rural. O treinamento começou há uma semana e vai até 16 de junho, com seis turmas de 30 integrantes divididas entre as cidades de Ponta Grossa, Guarapuava, Pato Branco, Cascavel, Maringá e Londrina. A organização é do Senar em parceria com Universidade Federal (UFPR), Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Embrapa, Emater e Banco do Brasil.

"Projetos tecnicamente bons não foram aprovados por falta de padronização. Queremos fazer esse treinamento de modo que ninguém fique dizendo que a culpa é do outro", diz o engenheiro agrônomo do Senar-PR Johnny Franzon.

O vice-presidente de agronegócios do Banco do Brasil, Osmar Dias, diz que o treinamento se tornou decisivo. Ele menciona que os cinco estados que mais captaram recursos do ABC tiveram iniciativas similares. Dias ainda afirma que, num segundo momento, a capacitação deve focar diretamente os produtores.

A ideia é que, num primeiro ano, o técnico acompanhe o produtor na elaboração do projeto e na implantação das práticas sustentáveis. Mas, depois, o agricultor deve atuar de forma autônoma. "São vários entraves, mas estamos consertando o ABC", afirma Dias.

Segundo a assessora técnica da Federação da Agricultura do Paraná (Faep) Carla Beck, o produtor se afasta também quando não tem certeza da viabilidade do projeto. Os técnicos colocam os dados em uma planilha de custos para saber se o saldo será positivo. "A viabilidade econômica é ponto fundamental para a adesão", aponta.

Fonte: Gazeta do Povo – 03/04/2012

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