Sistema FAEP

Sistema FAEP reforça cobrança de soluções urgentes da Copel

Crise no fornecimento de energia ameaça agropecuária paranaense. Empresa promete resolver problemas de quedas e oscilações em até seis meses

Os problemas crônicos de quedas e oscilações de energia elétrica no campo tornaram-se um dos principais desafios para os produtores rurais paranaenses. As interrupções frequentes comprometem a produtividade, causam prejuízos financeiros e operacionais e dificultam a modernização do setor. Diante desse cenário, há meses, o Sistema FAEP tem cobrado a Companhia Paranaense de Energia (Copel) por soluções efetivas e investimentos em infraestrutura que garantam um fornecimento de energia estável e de qualidade nas áreas rurais.

“A demanda por melhorias reflete a necessidade de alinhar o crescimento do setor agropecuário com condições básicas de funcionamento. Essa reivindicação é ainda mais pertinente em um momento em que o campo busca modernização e maior produtividade, exigindo energia de qualidade para sustentar tecnologias cada vez mais avançadas. A resolução desses problemas, portanto, não é apenas uma demanda dos agricultores, mas uma necessidade estratégica para o desenvolvimento econômico do Estado”, destaca o presidente interino do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

Mais recentemente, no dia 28 de janeiro, representantes da Copel estiveram na sede do Sistema FAEP para discutir estratégias e soluções que garantam energia de qualidade aos produtores rurais do Paraná. Na ocasião, relatos dos sindicatos rurais sobre os problemas enfrentados em suas regiões, compilados pelo Sistema FAEP, foram apesentados à Copel. Em resposta, a companhia assumiu o compromisso de solucionar os problemas de quedas e oscilações de energia em um prazo de até seis meses.

Entre 2021 e 2023, a Copel caiu da 10ª para 25ª posição no ranking de desempenho da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), situação agravada pela privatização da companhia, em agosto de 2023.

Histórico de cobranças

O Sistema FAEP cobra providências em relação à crise energética no campo desde fevereiro de 2024. Na época, a entidade compilou os apontamentos enviados pelos sindicatos rurais, resumindo os problemas no fornecimento de energia e traçando um cenário da situação vivida pelos produtores. O diagnóstico resultou em um ofício encaminhado à Copel, ao governo do Paraná e a todos os deputados estaduais, exigindo soluções imediatas e reforçando a urgência do tema.

De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no último quadrimestre de 2023 houve mais de 38 mil interrupções no fornecimento de energia, aumento de 23,6% em relação ao mesmo período de 2022. Além da frequência das quedas, o tempo médio de atendimento também piorou, subindo de 248 para 355 minutos, ou seja, quase seis horas de espera.

Outro problema apontado é o aumento expressivo do custo da energia no campo, que subiu 76,4% em cinco anos, enquanto a tarifa residencial teve reajuste de 45,1%. Com o fim dos subsídios, a tarifa rural se equiparou à urbana, mas a qualidade do serviço continua defasada. Em 2021, o produtor rural paranaense ficou, em média, 30 horas sem energia – mais de quatro vezes o tempo médio registrado nas cidades, de sete horas.

Além dos prejuízos financeiros e operacionais, produtores rurais criticaram a dificuldade de comunicação com a Copel. Os atendimentos por telefone são considerados excessivamente automatizados, dificultando o suporte. A demora no atendimento agrava ainda mais a insatisfação dos consumidores, que lidam diariamente com a instabilidade no fornecimento.

Em março de 2024, durante audiência pública na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), representantes do Sistema FAEP e de outras entidades cobraram soluções à Copel, que não compareceu. Na época, foram aprovados os seguintes encaminhamentos: denúncia à Aneel, com reunião em Brasília, sobre as sucessivas quedas de energia; envio de ofício ao Ministério Público do Paraná (MP-PR) e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) para fiscalizar a Copel; notificação ao Ministério Público Federal (MPF) para que cobre da Aneel providências urgentes sobre a situação; e reunião entre Copel, deputados, entidades do setor produtivo, entre outros envolvidos, intermediada pelo MP-PR, para discutir a situação e buscar soluções.

Setor produtivo exige medidas concretas

No dia 18 de março deste ano, o Bloco da Agricultura Familiar convocou uma reunião na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) para discutir as denúncias recebidas sobre a falta de energia elétrica no campo. O encontro reuniu diversas entidades do setor produtivo, incluindo o Sistema FAEP. Novamente, a Copel não enviou representantes.

Segundo os deputados estaduais, nas últimas semanas, mais de 60 mil toneladas de tilápia foram perdidas em Cascavel, na região Oeste, e 707 frangos morreram em apenas 10 minutos no município de Sulina, no Sudoeste, devido às interrupções de energia. Os parlamentares também destacaram que 28 mil pedidos de indenização foram encaminhados à Copel em 2023 por prejuízos causados pelas quedas de energia, mas apenas 7 mil foram atendidos.

Segundo o gerente do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP, Jefrey Albers, as constantes perdas por parte dos produtores rurais, que dependem da energia elétrica para manter suas atividades, especialmente na avicultura, suinocultura, piscicultura e pecuária de leite, podem impactar outros elos da cadeia produtiva. “A redução da produção e da oferta de produtos pode levar a um aumento nos preços para o consumidor final, conforme a lei da oferta e da demanda”, alerta.

Como resultado da reunião, um documento foi elaborado e encaminhado à Copel, exigindo um plano emergencial para os apagões; prazos máximos para restabelecimento da rede elétrica; revisão da estrutura operacional; garantia de transparência sobre a falta de materiais e problemas de infraestrutura; compensações financeiras para as quedas prolongadas de energia; isenção na fatura das famílias prejudicadas; abertura de canais mais ágeis de atendimento; e a criação de uma comissão na Alep para acompanhar o serviço público do fornecimento de energia elétrica no Paraná.

Diante da ausência da Copel na reunião, deputados foram até a sede da empresa para cobrar explicações sobre a crise energética e os prejuízos ao setor agropecuário. Em resposta, a empresa se comprometeu a realizar a limpeza de 150 quilômetros de linhas de transmissão na região Sudoeste, com retirada e poda de galhos. Além disso, anunciou a produção de cartilhas e documentos para orientar os produtores sobre como acessar indenizações por prejuízos decorrentes das falhas no fornecimento de energia.

Bruna Fioroni

Jornalista com formação em UX Writing e UX Design. Tem experiência em produção de reportagens e roteiros, criação de conteúdo multimídia, desenvolvimento de estratégias de comunicação e planejamento de campanhas de marketing, com foco na experiência do usuário. Atualmente faz parte da equipe de Comunicação do Sistema FAEP.

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