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Data da Publicação: 25/04/2017 - 12h57
Postado em Destaques, Meio Ambiente

25/04/2017 12h57 - Postado em Destaques, Meio Ambiente

Preservação e produção

Confira a entrevista com Evaristo de Miranda, agrônomo com doutorado em Ecologia pela Universidade de Montpellier (França) e autor de 35 livros e centenas de trabalhos publicados no Brasil e exterior

 

Evaristo de Miranda, paulistano, agrônomo com doutorado em Ecologia pela Universidade de Montpellier (França), ele é autor de 35 livros e centenas de trabalhos publicados no Brasil e exterior. Com a experiência que tem, participou de diversos estudos estratégicos para o Brasil, como a delimitação da área agrícola do Matopiba e foi homenageado pela Câmara dos Deputados e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) por sua importante contribuição às discussões acerca do Código Florestal brasileiro. Atualmente é chefe geral da Embrapa Monitoramento por Satélite.

Em seu artigo “Cadastro Ambiental Rural – a hora dos fatos”, o senhor termina afirmando que no Brasil a salvação da biodiversidade, do meio ambiente e da economia está na lavoura. Como o senhor chegou a esta conclusão?

O uso das terras, registrado no Cadastro Ambiental Rural (CAR) por quase 4 milhões de imóveis rurais, mostra o papel decisivo da agropecuária na preservação ambiental, além de seu peso na economia. Os dados obtidos pela Embrapa indicam que em S. Paulo, de longa história agrícola, áreas de preservação permanente, reserva lega l, vegetação excedente, ambientes lacustres e palustres, em 302.337 imóveis rurais já cadastrados, totalizam 3.795.250 ha ou 15,3% do estado. Os produtores preservam 21,3% do bioma cerrado paulista e 12,4% da Mata Atlântica. A área total preservada pelos agricultores paulistas é maior do que todas as unidades de conservação e terras indígenas existentes em S. Paulo. No Mato Grosso, de agricultura mais recente, as áreas agrícolas preservam quase o dobro do existente em unidades de conservação e terras indígenas! No total, mais de 60% do Mato Grosso está protegido ou preservado. E na Amazônia esses números são ainda maiores. Nenhuma atividade humana no Brasil tem essa expressão territorial e ambiental.

A EMBRAPA já analisou estas informações sobre o estado do Paraná?

Ainda não terminamos completamente a análise dos dados do CAR do Paraná, mas alguns resultados preliminares obtidos pelo Grupo de Inteligência Territorial Estratégica (GITE) da Embrapa já estão disponíveis. O Censo de 2006 havia identificado cerca de 371.000 estabelecimentos agrícolas no Estado. No CAR , em 2016, cadastraram-se um pouco mais de 361.000, totalizando uma área da ordem de 13,5 milhões de hectares. O tratamento geocodificado inicial dos dados do CAR pela Embrapa indica uma área total de vegetação e ecossistemas palustres e lacustres preservados pelos agricultores no Paraná da ordem de 3,7 milhões de hectares. Isso significa que, no conjunto, os produtores preservam 27% da área rural cadastrada, um valor muito acima da exigência legal máxima (20%). Eles preservam cerca de 18% da área total do Paraná o que representa seis vezes mais do que a área protegida pelas unidades de conservação e terras indígenas, da ordem de 620 mil hectares ou 3% do Estado. Esses números ainda podem aumentar com a inclusão de mais dados e o refinamento das análises (caso das Áreas de Preservação Ambiental -APAs, por exemplo).

Com base nestas informações, dá para afirmar que o CAR é também um grande instrumento de defesa dos produtores, não é mesmo?

Mais do que defesa, os produtores e suas organizações deveriam ter uma atuação mais proativa na temática ambiental, dada a enorme e inigualável contribuição que asseguram nesse tema. Os produtores vivem próximos da natureza, conhecem a vida do solo, da vegetação, das águas. É seu dia-a-dia e fazem disso seu ganha-pão. Ninguém conhece e cuida mais da natureza do que os produtores rurais. É fundamental levar essas informações para os jovens e adultos urbanos.

Diante das informações que o senhor tem acesso, à frente da Embrapa Moni tora mento por Satélite, como o senhor avalia o impacto ambiental da agricultura, pecuária e reflorestamento de modo especial na região sul do país?

 Globalmente esse impacto é positivo, pois é uma das regiões do Brasil que mais incorporou tecnologias modernas na produção. Com a mecanização das lavouras, muitas atividades deixaram de ser praticadas em morros e beira de rios, dirigindo-se a áreas planas e bem drenadas. Os produtores cuidam dos remanescentes florestais e contribuem em sua conservação. Veja um panorama resumido dos dados obtidos pelo GITE. No Paraná, a preservação alcança 27% da área rural cadastrada e cerca de 18% da área total do Estado. Em Santa Catarina, a agricultura preserva 36% da área dos imóveis cadastrados e 23% do Estado, que é excepcional. Os agricultores preservam 13% do território do Rio Grande do Sul e 21% da área rural castrada. A área preservada pela agricultura gaúcha corresponde a 13 vezes a protegida por unidades de conservação e terras indígenas. E mais, no sul do Estado, os produtores cadastraram áreas da pampa como pastagem, em função de seu uso. No pampa, no pantanal, na caatinga e em muitas áreas do cerrado, a pecuária preserva e mantém esses biomas há séculos. Ou seja, o alcance da preservação pela agropecuária é ainda maior.

Confira a entrevista na íntegra, clique abril_2017

 

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