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Data da Publicação: 20/11/2019 - 09h00
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PER faz planos e negócios rurais saírem do papel para a realidade

Seja na melhoria de índices de produção e produtividade ou na implantação de novos processos, Programa Empreendedor Rural tem feito a diferença no agronegócio paranaense

Os caminhos que levaram o Paraná a conquistar marcas como as de maior produtor de frangos e vice-campeão nacional na soja, leite e suínos não aconteceram por acaso. Além de avanços científicos, melhorias na infraestrutura e muita dedicação em todos os elos da cadeia produtiva, também vale destacar o perfil do produtor estadual. O espírito empreendedor é frequentemente reconhecido como um diferencial para o agronegócio paranaense.

Há 16 anos, esse aspecto tem no Programa Empreendedor Rural (PER) um dos seus maiores impulsos. Por meio da parceria entre o Sistema FAEP/SENAR-PR, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-PR) e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Paraná (Fetaep), a iniciativa tem alcançado, além de uma mudança de postura em relação aos negócios rurais, inúmeros resultados práticos. São aumentos em índices de produção e produtividade a partir de estratégias inspiradas em técnicas usadas em grandes empresas e que comprovadamente geram resultados.

Esse cenário fica bastante evidente na propriedade leiteira do casal Nico e Ellens Biersteker, em Arapoti, na região Centro Oriental do Estado (veja foto na página 7). Um gramado impecável, com trilhos pavimentados e estacionamento aos visitantes já demonstram que tudo ali foi milimetricamente projetado. Um zelo que só os empresários mais audaciosos conseguem empenhar em seus modelos de negócio.

Isso vale para tudo, desde o escritório, colado aos dois barracões de confinamento das 360 vacas Jersey, até a residência no segundo piso que permite ver em tempo real os animais e o robô que faz a ordenha automaticamente 24 horas por dia. É possível acompanhar, no modo visual, até mesmo as lavouras que servem de alimento aos animais. A área agrícola ocupa 200 hectares em uma área que se pode ver quase na sua totalidade de onde fica a propriedade, bem no alto de um vale com uma paisagem de tirar o fôlego.

Há dois anos, Nico, da área de engenharia de agrimensura, e Ellens, de administração e psicologia, apostaram todas as fichas no negócio e seguem tocando a propriedade. “Foi um desafio grande, porque eu conhecia o negócio de fora, pois os dois somos filhos de produtores rurais. Mas é bem diferente ter um negócio. Foram dois anos de preparação do projeto e um ano para a implantação”, lembra Nico. “Fomos para a Europa conhecer modelos, sistemas diferentes e também fizemos cursos de inseminação e na área de manejo”, reforça.

Além de formações específicas e o intercâmbio, Ellens também fez o Programa Empreendedor Rural (PER), que ajudou na formulação do projeto implantado. Com o planejamento desenvolvido foi possível calcular a necessidade de quatro ou cinco anos para que haja retorno do investimento. “O empreendedor precisa ter em mente que vai tomar decisões o tempo todo. Ainda, em muitos momentos, a gente não entende como é possível estar envolvido em tantas coisas ao mesmo tempo. Aí a necessidade de ter um embasamento teórico, saber como organizar tudo para poder ter essa visão do todo, de como estão funcionando as coisas”, compartilha a empresária, cuja participação no curso do SENAR-PR inspirou o marido, que fez o curso neste ano, já em seu novo formato.

Negócios consolidados

E não é apenas para quem quer implantar uma nova atividade que o PER demonstra ser de grande ajuda. No caso do produtor Wilko Laurens Verburg e da esposa Ana Cristina de Geus Los Verburg, também de Arapoti, a formação promoveu melhorias importantes para que a leiteria, há décadas em funcionamento, voltasse a um cenário de viabilidade econômica. Depois de Ana fazer a formação voltada ao empreendedorismo, Wilko também fez cursos na área de manejo. O conhecimento promoveu reflexões sobre as práticas, a ponto de o casal adotar mudanças na criação de bezerras.

Wilko Laurens Verburg e Ana Cristina de Geus Los Verburg fizeram o curso do Programa Empreendedor Rural e implantaram melhorias na propriedade leiteira

“Nós estávamos com uma taxa de 20% de mortalidade de bezerras, pois estava errada a forma como fazíamos antes”, lembra Wilko. “No primeiro ano, a mortalidade caiu de 20 bezerras para apenas uma. Isso deu um outro ânimo. Antes parecia que podia fazer o tratamento que fosse, mas podia saber que ia morrer. As mudanças que fizemos com base no conhecimento aprendido durante as formações do SENAR-PR nos ajudaram muito”, completa o produtor.

Hoje, Wilko cuida da parte de manejo e Ana da parte de gestão, tarefa feita com o auxílio de um software. “Uma das coisas mais gratificantes é perceber que essa mudança de postura, com o auxílio dos cursos, está sendo passada entre os próprios funcionários. Alguns, que estão há mais tempo e lembram de como era, reconhecem que as novidades ajudaram a resolver aqueles impasses que ficaram no passado”, conta Ana.

Resultados que vêm da terra

Uma das capacidades do PER é promover a autonomia dos seus participantes, para que possam, por conta própria, desenvolver novas ideias de negócio. Um exemplo claro disso pode ser percebido na história do casal João Basso e Maria Saggin Basso, de Capanema, no Sudoeste do Paraná.

Desde a década de 1980 na mesma propriedade rural, com 42 hectares cultiváveis, eles plantam soja, milho e trigo. Mas somente quando participaram do PER, em 2016, resolveram aprimorar seu sistema produtivo, com a implantação de técnicas de agricultura de precisão.

“Quando desenvolvemos o projeto do curso, pelo SENAR-PR, nossa ideia era agricultura de precisão, então fizemos todas as pesquisas. Mas, na nossa região, o que dificulta é a falta de implementos que fazem a distribuição de taxas variáveis”, lembra João. “Para seguir com nosso objetivo, com mais rentabilidade e produção, a gente partiu para uma correção de solos, a partir da análise. Já temos resultados a partir disso”, revela o produtor.

A busca pela melhoria na produtividade também tem vistas a garantir um futuro melhor para o filho, que largou a carreira na área de informática, na cidade, para dar sequência à atividade dos pais na área rural. “Temos um filho que mora aqui no sítio que fez o curso Herdeiros do Campo [outra capacitação do Sistema FAEP/SENAR-PR], junto com o pai. Estamos tocando o barco, pois ele pretende dar sequência. Diz ele que a vida no campo é muito melhor que a da cidade”, compartilha Maria.

Programa ajuda na diversificação dos projetos

O conhecimento que faz brotar novas ideias na cabeça dos produtores também vale para culturas executadas em espaços menores. Odair Gimenes, por exemplo, é um produtor de hortaliças em Alto Piquiri, no Noroeste do Paraná. Mas nem sempre foi assim.

Antes, seu ramo de atividade era a agricultura. Participou do PER em 2003 e, baseado no projeto que elaborou, passou a investir em hortaliças. Atualmente, possui oito estufas, cada uma com 200 metros quadrados, nas quais cultiva, sobretudo, alface. Também está nos planos aumentar a produção de tomates, na qual tem investido e feito testes com resultados promissores.

“Quando fiz o curso do PER, estava começando na atividade agrícola e pude aproveitar para aplicar o projeto na prática. Tenho uma área pequena e mesmo assim consigo produzir e abastecer vários mercados na região. O projeto foi baseado nisso e, posteriormente, fui estudando, com parceiros, para investir em hidroponia para ter uma verdura de qualidade. Optei por começar devagar, uma estufa de cada vez, com financiamento nas primeiras e, depois com o lucro, fazendo novos investimentos”, relata o produtor.

Diogo Belin também viu uma oportunidade de aplicar o projeto que desenvolveu no PER na propriedade dos pais, que são produtores de tabaco

No Centro-Sul do Paraná, Diogo Belin também viu uma oportunidade de aplicar o projeto que desenvolveu no PER na propriedade dos pais. Como produtores de tabaco, volta e meia a seca levava embora parte da produção. Com apoio da família, Diogo desenvolveu uma proposta de sistema de irrigação por meio do PER. “Vimos que era viável implantar e fizemos. Na safra anterior a irrigação, em 2017, a produção em 120 mil pés de tabaco foi de 14 mil quilos. No ano passado, com os mesmos 120 mil pés, chegamos a 22 mil quilos”, conta.

O efeito, no caso desse projeto específico, também abrangeu o sistema produtivo da propriedade como um todo da propriedade. Antes, sem irrigação, era preciso perder a janela ideal de plantio. “Para nós, o fumo de melhor qualidade é o plantado no fim de julho e começo de agosto, período de pouca chuva por aqui. Agora conseguimos antecipar o plantio de tabaco. Assim, podemos usar a mesma área para fazer uma safrinha de feijão. Melhorou em vários aspectos”, compartilha Diogo.

Leia mais notícias sobre o agronegócio no Boletim Informativo.

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