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Data da Publicação: 21/11/2019 - 08h28
Postado em Destaques, Fruticultura, Hortifruticultura, Notícias, Senar - PR, SENAR-PR

PER ajuda família a tirar projetos do papel

Há 15 anos, programa do SENAR-PR viabilizou produção de frutas, em Arapoti. Agora, formação permite gerar novos negócios

Quem vê os 100 hectares cultivados com diversas espécies frutíferas, de Gilmar Boff, em Arapoti, no Norte Pioneiro, não imagina que a primeira atividade empresarial dele foi o comércio de calçados. Desde 2005, no entanto, além de zelar pelos pés dos clientes, Boff também cuida de outros pés: de ameixa, pêssego, nectarina, caqui, uva, goiaba, atemoia e pitaia.

Essa sinergia entre comércio na cidade e produção agrícola no campo foi possível graças ao Programa Empreendedor Rural (PER), desenvolvido em parceria entre o SENAR-PR, Sebrae-PR e Fetaep. Em 2005, Gilmar estava estabelecido com sua loja na área urbana quando apresentado ao projeto de Evaldo Feldhaus, participante de uma das primeiras turmas do PER, no ano anterior. Na ocasião, Feldhaus desenvolveu, dentro da formação, um projeto voltado à fruticultura.

Caroline Bruna Boff Salomons, Gilmar Boff e Fernanda Boff : família unida pela agricultura

“Eu vi o projeto e gostei. Acabei fazendo sociedade com ele em 2004 e essa parceria durou até 2017”, relembra Gilmar. “Nas duas chácaras, inicialmente plantamos caqui. Com o passar do tempo houve uma diversificação com outras frutas, porque a ideia é chegar a fazer o ciclo completo do ano, ou seja, quando termina a colheita de uma fruta, começa a de outras”, acrescenta.

Há dois anos, desde que encerraram a sociedade e separaram as propriedades produtoras de frutas, Gilmar passou a trabalhar na reestruturação do negócio. E no médio e longo prazos irá contar, novamente, com a ajuda do PER para tirar do papel os novos planos. “Minhas duas filhas estão fazendo o curso. A ideia é que elas se qualifiquem, se envolvam com os negócios e aprendam para que, aos poucos, eu possa ir passando as coisas”, projeta.

Uma das filhas, Fernanda Boff, programadora de softwares, está fazendo o PER em Arapoti, em uma turma que começou em junho. “Fiquei afastada do agro por um tempo, e vi no PER uma oportunidade de voltar a entrar em contato com essa realidade. Minha expectativa era relembrar a pós- -graduação em gestão no agronegócio, que eu já fiz. Mas foi bem mais prático. No próprio transcorrer do PER, fazendo as atividades, está dando para se integrar melhor no ritmo dos negócios”, comenta.

Para a participante, os debates feitos nas aulas ajudam a criar proximidade com o campo e com a família. “A parte que mais ajuda é a comportamental e de comunicação, principalmente com a família. Nós até tentávamos conversar e nos inteirar sobre os negócios antes do curso, mas a abordagem estava totalmente errada e os resultados eram o oposto do esperado”, revela Fernanda. “Agora, o PER criou uma base de diálogo comum para todos e imparcial, então nos ajuda a tratar dos assuntos de forma mais organizada, objetiva e sem conflitos”, completa.

Das frutas aos fungos

O desenvolvimento da propriedade do pai é o foco de Fernanda dentro do PER. Já a irmã, Caroline Bruna Boff Salomons, que também faz o curso, planeja, além de ajudar na fruticultura, ampliar seu negócio próprio. Ela produz cogumelos do tipo Shimeji, em um sistema que aproveita um barracão, até então, sem uso na propriedade do pai. “Estou há dois anos no negócio. Após pesquisar bastante descobri esse nicho. Fiz algumas adaptações e reformas e consegui viabilizar a produção. Hoje, entregamos 100 bandejas por semana aos mercados Festval, em Curitiba”, revela.

Para Caroline, o PER será útil também para ampliar a produção. “Esse ano que conseguimos acertar a produção, estou segura para crescer. Foram muitos testes, pesquisas de mercado para saber como é a qualidade, de onde vem a maior parte da produção. Eu aposto em qualidade e hoje tenho uma demanda maior do que consigo atender. Com a ajuda do conhecimento que tenho acesso no PER, estou fazendo as projeções para poder investir. Até o fim do ano eu pretendo dobrar a produção”, projeta.

Empreendedorismo na veia

O marido de Fernanda, Hendrikus Franz Salomons Junior, também é produtor rural. A família dele atua há décadas na pecuária, com a produção de leitões, e na agricultura com soja, milho, trigo e outras culturas.

O agropecuarista também tem a missão de ajudar a profissionalizar alguns aspectos do negócio da família. Por isso, apostou em fazer o PER junto com a esposa e a cunhada. Seu foco, no entanto, é mais voltado a desenvolver um projeto para a propriedade dos pais.

Marido de Fernanda, Hendrikus Franz Salomons Junior, também é produtor rural e participou do curso do PER, em Arapoti

“O PER ajuda bastante, principalmente porque discutimos muito para fazer o plano de ação. Por serem atividades familiares diferentes, cada um no seu ramo, isso proporciona uma troca de visões que abre novas perspectivas para pensarmos. E tem esse aspecto bem prático, que já possibilita, por exemplo, fazer testes na propriedade e ver o que funciona ou não na nossa realidade”, sintetiza.

Pioneiro do PER

Evaldo Feldhaus é um pioneiro do PER em Arapoti e também no Paraná, já que participou da formação em uma das primeiras turmas, ainda em 2004 (o PER existe desde 2003). “Eu produzia leite na minha propriedade de 18 hectares. Estava com uma média de mil litros por dia. Eu queria fazer algo diferente e participei do PER. O projeto foi voltado à fruticultura, aí mostrei para o Gilmar e acabamos fazendo uma sociedade que durou até 2017”, conta o produtor.

Evaldo Feldhaus é um pioneiro do PER em Arapoti , participou de uma turma em 2004, no segundo ano de existência do programa

Hoje, com a sociedade desfeita, Evaldo calcula que deve colher em torno de 200 toneladas de ameixa, 200 de caqui, 100 de pêssego e 50 de maçã. “Eu não me conformo com as situações, vou atrás das soluções. E também conta muito o fato que sou um apaixonado pela fruticultura. Experimento muitas cultivares diferentes, faço testes. Para mim, as cultivares são como senhas secretas que precisam ser descobertas para que frutifiquem. Uma variedade de ameixa que outros também plantam no município, fui eu quem descobri”, orgulha-se.

Feldhaus revela que uma das coisas que mais gosta de fazer na fruticultura é compartilhar o conhecimento com outros produtores. “No começo, não estávamos no zoneamento agrícola, não conseguíamos nenhum tipo de financiamento e nem seguro rural no município. Conquistamos isso graças ao trabalho junto com a FAEP, na Comissão Técnica de Hortifruticultura. Hoje, Arapoti está no mapa do Brasil quando o assunto é fruta de caroço. Somos referência. Devo muito disso ao PER, e isso se concretiza em palavras que tenho como mote na minha vida até hoje, como capital humano, social, determinação, controle e planejamento”, lista.

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