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Data da Publicação: 02/05/2019 - 14h05
Postado em Destaques, Milho, Notícias

02/05/2019 14h05 - Postado em Destaques, Milho, Notícias

Estria bacteriana do milho já está presente na região Oeste do Paraná

Sintomas da doença incluem formação de pequenas pontuações nas folhas, que posteriormente evoluem para lesões alongadas e estreitas

Os produtores de milho, principalmente aqueles localizados na região Oeste do Estado, têm um novo inimigo à vista. A estria bacteriana do milho, doença causada pela bactéria Xanthomonas vasicola pv. vasculorum, foi identificada oficialmente pela primeira vez no Paraná em 2018. Porém, relatos de produtores e técnicos indicam a presença desde 2017.

Esse ano, a doença já ocorreu na primeira e na segunda safras do grão. De acordo com o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) Rui Pereira Leite, produtores e técnicos da região Oeste do Paraná relataram que a bactéria está mais severa e ocorrendo em maiores áreas. “Como é uma doença recente, não temos muitas informações. Mas alguns estudos apontam que pode reduzir até 50% a produção em alguns híbridos de milho”, aponta.

A transmissão da bactéria ocorre de diversas formas. “Quando infecta a planta, a bactéria causa lesões nas folhas, e quando ocorre a exsudação vem para fora da planta. Desta forma, as partículas podem ser carregadas pelo vento, ou, quando chove, as gotículas de água carregam a bactéria para outras partes da planta e para outras plantas”, explica o pesquisador do Iapar.

O agente da doença foi registrado pela primeira vez na África do Sul em 1949, mas, recentemente, houve manifestações da enfermidade em lavouras dos Estados Unidos e da vizinha Argentina. “Ainda não se sabe, com certeza, de onde veio a doença que está ocorrendo no Paraná. Mas em 2017 a bactéria foi registrada em várias províncias da Argentina, e em 2016 constatada nos Estados Unidos, onde foi relatado que houve danos severos no Meio-Oeste americano, principalmente em áreas com milho irrigado”, observa Leite.

Segundo o pesquisador, em áreas onde o problema já ocorreu, a bactéria pode sobreviver em restos de plantas. “Então, onde se faz milho após milho numa área que já teve a doença, existe um grande risco de as plantas serem infectadas logo que comecem a crescer”, observa.

Os sintomas da doença incluem formação de pequenas pontuações (entre dois e três milímetros) nas folhas, que posteriormente evoluem para lesões alongadas e estreitas, circundadas por uma mancha amarelada. Ainda, as bordas das lesões são onduladas, o que diferencia esta doença de sintomas semelhantes causados pela cercospiriose, uma doença fúngica.

Prevenção

De acordo com o pesquisador do Iapar, diversos cuidados devem ser adotados para manter a estria bacteriana do milho o mais longe possível. A utilização de sementes de boa qualidade e procedência comprovada é a primeira, uma vez que existem indícios de que a doença pode ser transmitida pelas sementes. A utilização de híbridos mais resistentes também é recomendada. Leite também ressalta incorporar os restos de cultura ao solo e fazer a rotação de cultura.

“Mas não com plantas que sejam suscetíveis [à doença]. Estamos fazendo estudos para verificar se plantas forrageiras podem ser hospedeiras. Já sabemos que pode ocorrer em aveia e arroz, mas não em leguminosas, como a soja, por exemplo”, explica.

Para mais informações, o Iapar disponibiliza em seu site (www.iapar.br) o Informe da Pesquisa nº 160, datado de outubro de 2018, voltado à estria bacteriana do milho.

Leia mais notícias sobre o agronegócio no Boletim Informativo.

Título da Postagem: Estria bacteriana do milho já está presente na região Oeste do Paraná

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