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Data da Publicação: 08/11/2019 - 10h44
Postado em Destaques, Insumos, Meio Ambiente, Notícias

08/11/2019 10h44 - Postado em Destaques, Insumos, Meio Ambiente, Notícias

Dia de campo comprova segurança na pulverização aérea

Evento promovido em Goioerê, no Noroeste do Paraná, demonstrou que cuidados definidos na legislação eliminam riscos na aplicação por aviões

A simulação de uma pulverização aérea, conduzida em Goioerê, no Noroeste do Paraná, comprovou que a adoção de um conjunto de boas práticas garante segurança total nessa modalidade de aplicação de defensivos. Na ação, a deriva – deslocamento de gotículas pulverizadas para fora da faixa-alvo da aplicação – não chegou a 50 metros: distância pelo menos cinco vezes menor que a área de segurança definida por lei. A demonstração fez parte do dia de campo “Boas práticas na aplicação aérea”, promovida pelo Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), com apoio do Sistema FAEP/SENAR-PR, além de outras empresas e entidades.

Na demonstração, o avião fez as aplicações ao longo de uma faixa linear de 400 metros de extensão, em uma lavoura de soja. Para comprovar as áreas em que houve deposição – onde as gotículas efetivamente caíram –, posicionaram-se papelotes a cada cinco metros, a partir da faixa de aplicação, até se chegar a um raio de 100 metros (veja o infográfico). Para pulverizar o produto, a aeronave fez voos rasantes, a alturas entre três e cinco metros, a partir do topo da cultura.

A análise dos papeis comprovou que a deposição se concentrou na faixa de aplicação. A partir de 30 metros desta DEMONSTRAÇÃO área, já não se verificava concentração considerável do produto. Dos 50 metros em diante já não havia vestígios das gotículas pulverizadas. O índice de deriva verificado se encontra, com grande margem, dentro da área de segurança estabelecida pela Instrução Normativa (IN) 2/2008, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A norma estabelece que as aplicações aéreas sejam feitas a uma distância mínima de 500 metros de cidades ou bairros, ou de 250 metros de mananciais e moradias isoladas.

“As boas práticas minimizam os riscos na aplicação aérea, a ponto de praticamente eliminá-los. Qualquer pulverização dentro dessas boas práticas vai ser completamente segura para a sociedade. Os parâmetros ficam dentro da legislação vigente, dentro do considerado aceitável pelos órgãos ambientais e das diretrizes do Mapa”, observou o professor Ulisses Rocha Antuniassi, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), especialista em aplicação aérea e que conduziu a prática.

Outro ponto que chama a atenção é que a aplicação se mostrou segura – com deriva dentro da margem de segurança definida em lei – mesmo com a demonstração tendo sido feita em condições meteorológicas adversas. Durante o voo, o vento chegou a 21 quilômetros por hora, quando o ideal é inferior a 9 quilômetros por hora. “Se fosse para fazer uma aplicação convencional, o avião nem teria decolado, porque o vento pode favorecer a deriva. Nós fizemos, por se tratar de uma demonstração. E ainda com o vento superior, a deriva ficou bem abaixo do limite estabelecido”, disse o professor.

Para a técnica do Departamento Técnico da FAEP Elisangeles Souza, que monitora temas diretamente relacionados ao controle de agroquímicos, o evento atesta que a IN 2/2008 garante, com folga, que a pulverização aérea não implique em riscos ambientais nem às comunidades no entorno das propriedades. “A legislação fala em 250 [metros] e em 500 metros, como área de segurança. Se comprovou que a deriva ficou em uma área pelo menos cinco vezes menor. Isso quer dizer que a legislação é bem segura em relação a essa questão de prática no campo”, apontou.

Pilares da segurança

Para se chegar a esse resultado, no entanto, o professor Ulisses Antuniassi destacou que, além de seguir as determinações da legislação, é imprescindível adotar uma série de boas práticas – que ele divide em “três pilares”. O primeiro é a gestão da informação. Neste aspecto, o produtor e a empresa aérea devem fazer um levantamento do entorno – identificando eventuais áreas sensíveis e de segurança – e estabelecer um mapeamento da aplicação, respeitando as faixas de segurança.

O segundo ponto é adequar o plano de aplicação aos aspectos meteorológicos. Ou seja, deve-se proceder a pulverização apenas diante de condições de tempo consideradas ideais, observando, por exemplo, a temperatura e a umidade, além da direção e da força do vento. Tudo isso, levando-se em conta o tipo de produto a ser aplicado e as especificações que constam da bula.

O terceiro pilar, segundo o especialista, é a adoção de técnicas que reduzem a possibilidade de haver deriva. Neste ponto, a empresa deve levar em conta a composição da cauda do avião e a altura do voo de pulverização, de acordo com as condições do tempo e do tipo de lavoura. Entre os aspectos técnicos, o professor destaca o ajuste do espectro de gotas, que dimensiona a espessura das gotículas que serão pulverizadas sobre a plantação. “Quer reduzir a deriva, tem que se evitar gotas menores, que estão mais suscetíveis ao vendo e às condições atmosféricas. É muito melhor optar por gotas médias”, pontuou.

Bom senso

Ainda segundo o professor, a cada safra, cerca de 25% das aplicações de defensivos no Brasil são feitas por aviões. Para o especialista, o tema merece ser analisado com serenidade e bom senso. Ele observa, por exemplo, que é preciso analisar o tipo de cultura, dimensão e a área em que se encontra a lavoura, para definir qual é o melhor método de controle de pragas. A aplicação de defensivos por meio de aviões é inviável, por exemplo, a pequenas propriedades, mas é indispensável a plantações extensas, principalmente a culturas como soja, algodão, milho e cana-de-açúcar.

“Em muitas culturas, em muitas regiões, não precisa de aplicação aérea. Mas em outras, é imprescindível. Na cana, por exemplo, depois que ela atinge dois metros, não tem como fazer aplicação, sem ser pela plataforma aérea. Mais de 60% das aplicações em cana adulta têm que ser feitas por avião, porque não dá para fazer de outra forma”, ressaltou. “Do ponto de vista técnico, eu posso dizer que o controle químico é seguro. Do ponto de vista de sociedade, digo que é fundamental que coexistam técnicas diferentes, como agricultura orgânica e controle químico, para que possam se complementar e que a gente possa gerar segurança alimentar para a sociedade”, apontou.

A técnica da FAEP destacou que o evento representou mais uma oportunidade de se disseminar informação técnica e qualificada, em relação a um tema que é alvo de uma série de preconceitos por parte de segmentos da sociedade. “É importante a gente trabalhar com informação segura e favorecer esse nivelamento de informação”, disse Elisangeles Souza.

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