O café no Paraná 40 anos depois da geada de 1975

José Hess, Engenheiro-Florestal do DTE/FAEP

O Paraná já foi líder mundial na produção de café. Em 1962, a cafeicultura tomava conta de 9% da área do estado, equivalente a 1,8 milhão de hectares (ha). Porém, 40 anos depois da geada que dizimou boa parte dos cafezais, o estado amarga a menor área cafeeira da história com 52.900 ha, ou seja, 0,3% da área do estado.

Essa história foi marcada por várias fases da cafeicultura brasileira. A primeira, até a década de 60, foi caracterizada por grandes áreas de cultivo, alta fertilidade natural do solo, grande disponibilidade de mão de obra, e intervenção direta do governo no controle dos estoques. O Brasil exportava 17 milhões de sacas de café, que representava mais de 51% das exportações brasileiras.

A segunda fase, na década de 70, iniciou-se a mecanização devido a menor disponibilidade de mão de obra. Intensificou-se o uso de defensivos conforme foram aparecendo doenças. Havia crédito, subsídio e forte atuação do Instituto Brasileiro do Café – IBC na regulação de estoque e na exportação.

Com as fortes geadas de 1975, que dizimaram as lavouras cafeeiras, o Paraná inicia um processo de substituição da cultura permanente por culturas temporárias e pastagens, destacando a sucessão soja – trigo.

Nos anos 90 foi caracterizada pela abertura do mercado, redução significativa da área cultivada nos estados do Paraná e São Paulo com migração para Minas Gerais e Espírito Santo. Com a extinção do IBC, redução do crédito e elevação do custo de produção, observa-se a redução da área cafeeira para 400.000 hectares, equivalendo a 2% do estado.

Em 2002, a atividade cafeeira era desenvolvida por cerca de dezessete mil produtores em uma área de 128 mil ha, distribuídos em 210 municípios das regiões Norte, Centro e Noroeste, segundo a SEAB e o IBGE.

Paralelamente à diminuição da área cultivada com café, substituída por culturas temporárias, as grandes áreas de cafezais praticamente deixaram de existir. A produção foi concentrada nas pequenas propriedades com tamanhos entre 5 e 10 ha, representando mais de 70% das propriedades com café.

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Fonte: SEAB/Deral. Elaboração: FAEP/DTE

Em consequência das geadas ocorridas em 2013, seguidas de seca, as empresas beneficiadoras e de negócios de café fecharam ou mudaram-se para São Paulo e Minas Gerais, gerando desemprego e reduzindo a representatividade do Paraná no âmbito de exportação e negócios de café.

Os produtores que permanecem na atividade estão liberando parte das áreas para diversificar com outras culturas, reduzindo a mão de obra com adoção da mecanização parcial ou total e procurando aumentar a produtividade.

Os desafios cada vez mais se tornam maiores para os 12.000 produtores rurais da cafeicultura paranaense. A comercialização é pressionada pelos altos custos da mão de obra, com o maior piso regional do país, e pelos insumos que acompanham as altas na cotação do dólar.

A perspectiva para 2015 é de retomada da produção após dois anos muito ruins. Porém, com a safra cheia, pois as chuvas e o clima auxiliaram na formação dos grãos de café, os preços podem ser mais baixos devido a maior oferta no mercado.

Para a atividade ser sustentável e parar de perder área anualmente é necessário um esforço conjunto de produtores, governos, assistência técnica, pesquisa e indústria na busca de soluções integradas para toda a cadeia produtiva.

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