Em meio a forte crise, o setor sucroalcooleiro apresenta as projeções para a safra 2015/16

Maria Silvia C. Digiovani – Engenheira-Agrônoma do DTE/FAEP

Da safra 2008/2009 para a 2013/2014, a produtividade agrícola dos canaviais brasileiros caiu 7,7% e o rendimento industrial reduziu 6,2% considerando a quantidade Açúcar Total Recuperável por tonelada de cana. Esta situação foi provocada pela dificuldade de investimento em insumos como fertilizantes e renovação dos canaviais, conforme constatação de estudo do Centro de Pesquisa Markestrat.

À perda de produtividade e de qualidade da cana e à elevação dos custos de produção, somaram-se outros fatores que geraram uma difícil situação de endividamento das empresas do setor.

Entre esses fatores estão a perda de competitividade do etanol ante à gasolina, cujo preço foi subsidiado pela isenção da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que voltou a ser cobrada apenas em 2015, e os preços do açúcar em queda, situação agravada ainda mais pela valorização do dólar, já que grande parte da dívida é nessa moeda.

Segundo a empresa Archer Consulting, especializada no segmento, o Centro-Sul iniciou a safra 2015/2016 com endividamento de R$ 85,4 bilhões, crescimento de 77% em três anos.

A situação do setor sucroenergético do Brasil é preocupante: desde 2008 cerca de 80 usinas já fecharam as portas, 67 estão em recuperação judicial e em 2015 dez unidades produtoras poderão fechar.

É nesse cenário que no mês de abril iniciou-se a safra 2015/ 2016 no Centro-Sul, região formada pelos estados São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Espírito Santo e Rio de Janeiro, responsável por mais de 90% da produção do setor sucroenergético nacional.

As primeiras projeções de produção para essa região foram divulgadas recentemente pelo portal novaCana e pela UNICA-União da Indústria de Cana-de-Açúcar, resumidas no quadro abaixo.

PROJEÇÕES PARA A SAFRA 2015/2016
NovaCana UNICA
Cana-de-açúcar (mil toneladas) seta_verde587,3 seta_verde590
Produtividade (toneladas cana/ha) seta_verde74,2 (71,5 a 77) seta_verde75,3
Kg ATR/tonelada de cana seta_vermelha135,86 seta_vermelha135
Etanol Total (bilhões litros) seta_verde26,77 seta_verde27,3
Hidratado (bilhões litros) seta_verde15,47 seta_verde16,3
Anidro (bilhões litros) seta_verde11,3 seta_verde10,95
Açúcar (milhões de toneladas) seta_verde32,3 seta_verde31,8
MIX % açúcar seta_vermelha42,76 seta_vermelha41,9
MIX% etanol seta_verde57,24 seta_verde58,1

Fonte: http://www unica.com.br – http://www.novacana.com

As projeções novaCana referem-se à média das expectativas de 13 consultorias especializadas no setor, já os dados da UNICA refletem a visão dos sindicatos e associações de produtores da região Centro-Sul e do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

De acordo com o portal novaCana a produção de cana deverá apresentar elevação de 1,86% comparando com a safra passada, desde que que haja continuidade da normalidade climática, favorecendo a recuperação da produtividade dos canaviais comprometida após a seca da safra passada.

A produção de etanol deverá crescer 2,4%, considerando o crescimento da frota flex, a volta da Cide, o aumento da mistura do anidro na gasolina. e ações como a ocorrida em Minas Gerais, estado que reduziu o ICMS do etanol hidratado de 19% para 14%, paralelo ao aumento de 27% para 29% na alíquota do ICMS da gasolina C. Isso ajudou a alavancar a demanda interna em Minas Gerais e diminuiu a exportação a outros estados, ajustando os preços a uma oferta mais apertada.

A produção de açúcar deverá alcançar 32,3 milhões de toneladas, 1,2% a mais que na safra passada.

O mix de etanol deverá crescer 0,26% nesta safra, atingindo 57,24%, enquanto o açúcar cairá 0,3% devendo atingir 42,76% da produção do setor sucroalcooleiro.

Há expectativa de que na comparação com o açúcar, nesta safra, o etanol tenha melhor desempenho econômico numa média ponderada entre o anidro e o hidratado: projeta-se margem de 3% para o açúcar e 9% para o etanol, ante 9% do açúcar e 7% do etanol na safra passada.

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