Brasil perde o título de maior exportador de carne bovina

Guilherme Souza Dias, Zootecnista do DTE/FAEP 

De acordo com o tradicional relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, USDA, publicado em nove de abril, a Índia assume a liderança global na exportação da proteína vermelha, tendo exportado em 2014 2,082 milhões de toneladas em equivalente de carcaças (TEC), frente a 1,909 milhão de TEC do Brasil.

Para 2015, o relatório projeta ampliação dessa diferença, figurando o país asiático com embarques na ordem de 2,4 milhões de TEC, quase 400 mil TEC a mais que o Brasil, com pouco mais de 2 milhões.

Diversos fatores contribuem para a alteração, mas o mais impactante deles repousa nas exportações brasileiras aquém de seu real potencial. A economia dos principais mercados de destino do produto brasileiro, como Rússia e Venezuela ou países do Oriente Médio, foi enfraquecida recentemente, pois esses mercados têm forte dependência no petróleo como principal produto de exportação.

Uma vez que o mineral sofreu desvalorizações no mercado global, o poder de compra desses países tem sido reduzido, fato agravado por desvalorizações das moedas locais frente ao dólar, provocando a redução dos embarques de carne bovina para esses destinos.

Apesar de o produto brasileiro ter elevado sua competitividade no mercado internacional, dado a desvalorização do real frente ao dólar, a comercialização dos produtos do complexo carne com nossos mercados consumidores não tem atendido às expectativas mercadológicas. A retomada das exportações não sinaliza melhora no curto prazo.

Associado a isso, apesar da qualidade inferior da carne indiana, proveniente em sua maioria do abate de búfalos, o país tem mercados consumidores consolidados, advindos de relações comerciais de longa data e boa reputação para a higiene, pois não existem registros de ocorrências de encefalopatia espongiforme bovina (EBB), peste bovina ou pleuropneumonia contagiosa bovina na Índia.

Apesar de não deter status oficial para febre aftosa reconhecido pela OIE, o país tem sido fornecedor para mercados consumidores livres da doença, como Brunei, Filipinas, Malásia e Seychelles. No quadro de consumidores da carne indiana, figuram também o sudoeste da Ásia, Ásia Ocidental, Norte e Oeste da África, China, Vietnã e países da extinta União Soviética, responsáveis pela absorção de 95% da carne de búfalo produzida no país.

O fato é que a hegemonia brasileira no mercado internacional da carne bovina encontra-se ameaçada. Se por um lado os mercados de destino de nossos produtos tem apresentado desempenho aquém de seu potencial, por outro é necessário empenho das autoridades governamentais no acesso a novos mercados, como o que tem sido feito com China, Iraque e África do Sul.

Apesar da recente abertura desses mercados, demoras nas definições de acordos comerciais e homologação da autorização para a exportação à esses países prejudicam o escoamento dos produtos em um momento de incertezas na economia nacional.

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