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Data da Publicação: 18/08/2015 - 10h43
Postado em Meio Ambiente

18/08/2015 10h43 - Postado em Meio Ambiente

Agricultura faz ecologia com galões de agrotóxicos

Apesar do aumento no uso de praguicidas, sistema mantém Brasil como referência de produção sustentável

A agricultura brasileira está em busca de argumentos para mostrar ao mercado global que respeita o ambiente e pode se tornar, de maneira sustentável, o maior centro exportador de alimentos do planeta. Plantio direto na palha, integração de lavoura e pecuária –enquanto práticas que ajudam a reduzir a emissão de gases do aquecimento global – surgem como novas bandeiras. Mas, é o sistema de recolhimento de embalagens de agrotóxicos – que lida com produtos altamente poluentes –que se mantém como principal cartão de visitas, mostram dados do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV).

O setor celebra nesta terça-feira (18), como ocorre há uma década, o Dia Nacional do Campo Limpo, com recolhimento de 94% das embalagens utilizadas na agricultura, conforme o diretor-presidente do inpEV, João César Rando. Esse índice tem se mantido mesmo com uso cada vez maior de herbicidas, fungicidas e inseticidas, determinado pela expansão das lavouras.

O Brasil cultiva área de grãos 18% maior que a de uma década atrás. Foram 57,8 milhões de hectares em 2014/15, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), ante 49 milhões em 2004/05 – 31,9 milhões só com soja. O surgimento de ameaças como ferrugem asiática, no início dos anos 2000, e a expansão dos ataques de insetos, como a lagarta Helicoverpa armigera contribuem para fazer do país o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, com um mercado de R$ 26 bilhões que movimenta mais de 1 milhão de toneladas de produtos.

Em contrapartida, o Brasil tem o índice mais elevado de recolhimento de embalagens do planeta, argumenta Rando. “Estamos com 94%, enquanto Estados Unidos têm 33%, França 77%, Espanha 67%, Alemanha 68% e Polônia 70%”, afirma. Ele acredita que esse índice é determinante para manter o nível em patamares seguros para a saúde pública.

O recolhimento, financiado pela indústria, segue determinações da Política Nacional de Resíduos Sólidos. As embalagens recolhidas são incineradas ou destinadas à produção de óleos lubrificantes, lâmpadas, eletroeletrônicos, pneus e pilhas ou mesmo de novas embalagens. O sistema reúne os frascos e caixas em centrais regionais, normalmente esvaziadas pelo próprios caminhões de distribuem as embalagens cheias nos pontos de comércio.

O uso de um produto tóxico significa intoxicação se sua dose for maior que a indicada numa aplicação ou no tempo determinado, explica a pesquisadora Elizabeth de Souza Nascimento, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. Todas as substâncias são tóxicas, frisa. O uso correto de “praguicidas” permite ao Brasil fornecer alimentos seguros à exportação, avalia.

8,8 milhões
de hectares a mais são cultivados no Brasil na comparação com a área de grãos de 2004/05, aponta a Conab. Mercado de agrotóxicos cresce também devido a novas pragas e alcança R$ 26 bilhões, valor quatro vezes maior que o de uma década atrás.

330 mil t

de embalagens de agrotóxicos foram recolhidas no Brasil desde o início dos trabalhos do sistema Campo Limpo, em 2002, conforme o inpEV. As 100 mil unidades de coleta de 22 estados comemoram essa marca hoje, no Dia Nacional do Campo Limpo.

Fonte: Gazeta do Povo – 18/08/2015

Título da Postagem: Agricultura faz ecologia com galões de agrotóxicos

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