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Data da Publicação: 07/02/2012 - 12h00
Postado em Notícias

07/02/2012 12h00 - Postado em Notícias

Rentabilidade da uva seduz produtor do Paraná

Dependendo da tecnologia aplicada, é possível lucrar R$ 20 mil por hectare, mesmo em época de seca No ano de quebra de grãos, o Paraná colhe uma das melhores safras de uva da história. A fruta, que fica mais doce em anos de seca, tem atraído um número cada vez maior de produtores. O principal […]

Dependendo da tecnologia aplicada, é possível lucrar R$ 20 mil por hectare, mesmo em época de seca

No ano de quebra de grãos, o Paraná colhe uma das melhores safras de uva da história. A fruta, que fica mais doce em anos de seca, tem atraído um número cada vez maior de produtores. O principal motivo está no alto rendimento. Dependendo da tecnologia aplicada, é possível lucrar R$ 20 mil por hectare. A soja, principal cultura do estado, rende, em média, R$ 1,6 mil por hectare. Com uma produção estimada 110 mil toneladas, nesse ano a fruta deve render cerca de R$ 170 milhões no estado, considerando os preços atuais praticados no mercado.

A salvação dos agricultores em tempos de seca

A safra de uva 2011/12 na região Sudoeste comprova que a diversificação de atividades no campo pode ser uma alternativa de sobrevivência em tempos difíceis. A estiagem, que gerou perdas de 25% nas culturas de soja, milho e feijão, trouxe, por outro lado, inúmeros benefícios para os produtores de uva. Além de favorecer o surgimento de cachos, o clima seco contribuiu para a boa formação dos grãos e, principalmente, para elevar o índice de açúcar na fruta, deixando-a ainda mais doce.

Outro benefício gerado pela seca é a diminuição da incidência de fungos e doenças nos parreirais. "Com o clima seco, a proliferação de doenças diminui e o custo com fungicidas é menor", explica Silvia Capelari, engenheira agrônoma da Emater.

Em Mariópolis, onde a safra deve ultrapassar a 1,2 mil toneladas, 10% maior que a colheita anterior, o produtor Antonio Frigotto comemora os resultados. Há dez anos apostando no fruto, espera experimentar um lucro ainda mais doce que nos anos anteriores. Frigotto deve colher 50 toneladas em dois hectares de parreiral. "A quebra na soja é de 40% e no milho é ainda maior. A salvação está sendo a uva", frisa o produtor. "Nessa época todo dia entra um dinheirinho porque o pessoal vem buscar aqui na propriedade", conta.

Outro produtor do município que tem na uva uma renda extra é Angelo Bresolim, também presidente da Associação dos Fruticultores de Mariópolis. "Esse ano não dá para reclamar. O que se perdeu nas outras culturas ficou nos parreirais", destaca o produtor que tem aumentando a área de cultivo do fruto todos os anos.

A importância da uva para Mariópolis pode ser medida pelos números da economia local. O Valor Bruto da Produção (VBP) de uva na safra 2010/2011 gerou R$ 944 mil, correspondente a 800 toneladas da uva. Ou seja, apesar de não superar os grãos e o leite, o fruto se firma como uma atividade expressiva na cadeia produtiva da agropecuária do município.

Dados da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abas­­tecimento (Seab) indicam que a produção paranaense cresceu 35% na última década, quando saltou das 80 mil toneladas na safra de 2000/2001 para 108 mil toneladas na safra 2010/2011 – a colheita desse ano deve ser semelhante a do ano passado por conta da renovação de parte dos parreirais.

Apesar de a uva ser o fruto que mais gera lucro no estado, a cultura ocupa pequenas áreas – o tamanho médio das plantações é de um hectare – em função da necessidade de altos investimentos em tecnologia e o risco de perda, pois o fruto é bastante suscetível ao clima frio.

"Apesar de dar muito trabalho, é possível obter alto rendimento financeiro em pequenas áreas e assegurar a renda da propriedade", explica Paulo An­­drade, engenheiro agrônomo da Seab.

O Paraná é o quarto maior produtor do país, com 7% do mercado, atrás de Rio Grande do Sul (57%), Pernambuco (14%) e São Paulo (12%). Sete mil produtores espalhandos por três regiões são responsáveis pela produção estadual onde parte é para consumo local e parte exportada para o estado paulista. No Norte, a uva fina de mesa, melhor variedade para se consumir in natura, é a mais plantada. Apesar dos números ainda não estarem consolidados, segundo a Seab, a safra desse ano foi excelente. No Sudoeste e nos Campos Gerais, a uva rústica, utilizada principalmente para produção de suco e vinho, ocupa a maior parte dos parreirais.

Em Campo Largo, nos Campos Gerais, Marcelo Domingues espera ser recompensado com uma grande colheita. A expectativa é retirar cinco toneladas do fruto do parreiral de 1,7 hectare. "Na próxima safra espero colher 15 toneladas", diz.

A opção pela vinicultura é recente. Apenas no ano passado o produtor decidiu substituir o plantio de milho pelo parreiral. "Eu mexia com grãos e leguminosas e parti para fruticultura para diversificar. A uva compensa a renda de outras culturas", afirma Domingues, que recebe R$ 0,70 por quilo da Vinícola Zanlorenzi, onde entrega a sua produção.

Carro chefe

Responsável por 40% da produção paranaense, Marialva, na região Norte, tem na uva a sua principal atividade econômica. A estimativa é de que 50% da receita agrícola do município tenham origem na cultura do fruto, onde cerca de 1,1 mil famílias produzem, a cada safra, 45 mil toneladas do fruto.

"As próprias famílias realizam a atividade que exige muita dedicação e técnica. Nossa expectativa é o aumento de 10% na produção em relação à safra anterior", conta Silvia Capelari, engenheira agrônoma do Instituto Para­­naense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) em Marialva.

FOnte: Gazeta do Povo Online – Curitiba/PR – CAMINHOS DO CAMPO

 

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