Logotipo Sistema FAEP

Data da Publicação: 12/09/2011 - 12h00
Postado em Notícias

12/09/2011 12h00 - Postado em Notícias

Números do USDA para safra de soja norte-americana frustram mercado

Gilda M. Bozza – Economista – DTE/FAEP O ditado "gato escaldado tem medo de água fria" pode ser aplicado ao relatório de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, divulgado nesta segunda-feira (12). Após um período de volatilidade e especulação sobre o real potencial de produção e produtividade da safra norte-americana de soja 2011/12, […]

Gilda M. Bozza – Economista – DTE/FAEP

O ditado "gato escaldado tem medo de água fria" pode ser aplicado ao relatório de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, divulgado nesta segunda-feira (12). Após um período de volatilidade e especulação sobre o real potencial de produção e produtividade da safra norte-americana de soja 2011/12, haja vista as adversidades climáticas durante a evolução da cultura da soja, o relatório de setembro, como de hábito, elevou as estimativas de produção e estoques.  O mercado ficou frustrado com os números divulgados, uma vez que a expectativa apontava um quadro de redução.

O relatório retificou a produção americana de 83,17 para 83,97 milhões de toneladas, a produtividade ficou em 2.808 kg por hectare e os estoques norte-americanos passaram de 4,22 para 4,48 milhões de toneladas.  Já a produção mundial passou de 257,47 para 258,99 milhões de toneladas, consumo mundial de 262,24 milhões de toneladas, exportações previstas em 98,30 milhões de toneladas e estoques mundiais de 62,55 milhões de toneladas.   Com isso, a relação estoque final/consumo passa para 23,8%.

O USDA manteve a produção brasileira em 73,50 milhões de toneladas, exportações em 36,50 milhões de toneladas e estoques finais de 19,36 milhões de toneladas. Para a Argentina ficaram estáveis a produção em 53,00 milhões de toneladas, as exportações em 11,80 milhões de toneladas e os estoques reajustados para 22,70 milhões de toneladas.

Quanto à China, principal mercado consumidor de soja, as importações foram estimadas em 56,50 milhões de toneladas para uma produção de apenas 14,00 milhões de toneladas.

O reflexo negativo do relatório na Bolsa de Chicago foi imediato, com os futuros para março/12 sinalizando queda de 27 pontos, cotados a US$ 31,10/saca.

MILHO: PRODUÇÃO MUNDIAL REAJUSTADA PARA 854,67 MILHÕES DE TONELADAS   

O relatório de setembro retificou a produção mundial do grão de 860,52 para 854,67 milhões de toneladas, um corte de 5,85 milhões ante o relatório de agosto.  O consumo mundial passou de 868,92 para 861,58 milhões de toneladas, exportações de 93,22 milhões de toneladas e estoques finais aumentados de 114,53 para 117,39 milhões de toneladas. Com isso, a relação estoque final/consumo é de 13,6%, inferior à safra passada de 16,3%. Quanto aos Estados Unidos, o USDA reduziu a produção em 10,59 milhões de toneladas, reajustando de 328,03 para 317,44 milhões de toneladas, a produtividade caiu de 10.034 kg por hectare para 9.285 kg por hectare.  O consumo americano passou de 289,83 para 282,21 milhões de toneladas, as exportações reajustadas para 41,91 milhões de toneladas e estoques finais de 17,06 milhões de toneladas, apontando uma relação estoque final/consumo de apenas 6,05%. Para o Brasil a produção foi reavaliada de 57,00 para 61,00 milhões de toneladas e as exportações retificadas para 8,50 milhões de toneladas.  O consumo brasileiro previsto em 52,00 milhões de toneladas e estoques finais de 10,99 milhões de toneladas. A safra argentina passou de 26,00 para 27,50 milhões de toneladas, o consumo elevado para 19,50 milhões de toneladas e estoque final de 1,71 milhão de toneladas. O relatório pressionou os preços no pregão da Bolsa de Chicago.  Os contratos para março/12 são negociados, no meio-pregão, a US$ 17,89/saca, correspondente ao dólar vigente (R$ 1,7060) a R$ 30,52/saca.

TRIGO: SAFRA 2011/12 ESTIMADA EM 678,12 MILHÕES DE TONELADAS (mais 6 milhões de toneladas)

A produção mundial de trigo está prevista em 678,12 milhões de toneladas, uma elevação de 6 milhões de toneladas relativamente ao relatório de agosto (672,09 milhões de toneladas).  Já o consumo passou de 674,96 para 676,86 milhões de toneladas e exportações de 131,89 milhões de toneladas.  O estoque mundial final foi elevado de 188,87 para 194,59 milhões de toneladas.Para os Estados Unidos, a produção permaneceu em 56,51 milhões de toneladas, o consumo reajustado para 34,33 milhões de toneladas, as exportações caíram de 29,94 para 27,90 milhões de toneladas e estoques finais aumentados para 20,71 milhões de toneladas.Para a União Europeia, maior produtor mundial de trigo, a produção foi retificada para 135,79 milhões de toneladas e consumo mantido em 126,50 milhões de toneladas.

Em relação ao Brasil, o relatório traz uma produção de 5,00 milhões de toneladas, um consumo interno de 10,80 milhões de toneladas e necessidade de importar 6,70 milhões de toneladas. O estoque final está previsto em 1,22 milhão de toneladas.

Quanto à safra argentina não houve alteração ante o relatório de agosto: produção de 13,50 milhões de toneladas, consumo de 5,93 milhões de toneladas, exportações de 7,50 milhões de toneladas e estoques finais de 1,57 milhão de toneladas.

O relatório exerce pressão de baixa, os preços na Bolsa de Chicago operam em queda.  Os futuros para março/12 são negociados a US$ 16,77 por saca, correspondente a R$ 28,61 por saca.

imprensa@faep.com.br