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Data da Publicação: 29/09/2010 - 12h00
Postado em Notícias

29/09/2010 12h00 - Postado em Notícias

Missão Africana no Paraná

Grupo esteve em visita aos Campos Gerais nesta terça-feira (28)

Ferramenta manual para plantio direto é atração entre a missão africana que visita o Estado nesta semana

A necessidade de desenvolvimento na atividade rural dos países africanos que visitam o Paraná nesta semana ficou evidente já na primeira atividade do grupo no Estado, realizada nesta terça-feira (28). As linhas de pesquisa com ênfase no plantio direto, realizadas pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), foram atração entre os técnicos agrícolas e agrônomos que visitam o Brasil.

Na Estação Experimental do Iapar, em Ponta Grossa, conheceram na teoria e prática cada etapa do desenvolvimento do sistema de produção não-convencional, desde a construção de protótipos de máquinas para atender pequenos, médios e grandes proprietários, até a necessidade da rotação de culturas. Nenhum detalhe passou despercebido pelos africanos, que fotografaram, anotaram cada informação repassada pelos técnicos do instituto e ainda testaram as máquinas plantadeiras de tração animal destinadas ao plantio na "palha".

Mesmo com os equipamentos de maior nível tecnológico para o plantio, a plantadeira manual, conhecida popularmente por "matraca", roubou a cena. As representantes do Ministério da Agricultura, Segurança Alimentar e Cooperativas da Tanzânia, Adella Ng’atigwa e Inaunga Baruani, acreditam que a ferramenta pode ser bem funcional aos pequenos produtores do país. "O plantio é feito com as mãos ou com a enxada, depois cobrem com o pé. É um trabalho muito cansativo", contaram. Na Tanzânia, cerca de 70% das propriedades rurais são de pequeno porte.

De acordo com o técnico científico da área de solos do Iapar, Dacio Antonio Benassi, o importante é trabalhar para potencializar áreas de melhor cultivo para o produtor. "Tentamos mostrar o que mais se assemelha à realidade deles e que o foco deve estar na redução de perdas para o agricultor", explicou. Todas as técnicas apresentadas são de potencial implantação na República Democrática do Congo, segundo José Baelo Baleka, representante do país na missão. "Já utilizamos plantio direto, mas as técnicas mais modernas podem ser aproveitadas", acredita.

Treinamento intensivo

A estrutura do Centro de Treinamento para Pecuaristas (CTP) de Castro também esteve no roteiro do grupo. A entidade atua desde 1986 na capacitação de produtores de gado leiteiro e de eletricista rural, mantendo um convênio com o SENAR-PR para a realização dos cursos.

O diferencial é o treinamento intensivo – de 5 dias para o curso de manejo de gado leiteiro e 4 para o de eletricista. Durante o curso, o participante fica alojado nas dependências do CTP e vivencia todo o processo que envolve produção de leite na propriedade. O local concentra duas unidades leiteiras, uma grande e outra pequena, para as aulas práticas e manutenção financeira do centro. As duas juntas produzem 5.800 litros de leite por dia.

Nesta quarta-feira (29), o grupo visita uma propriedade de grãos, ovinos e turismo rural do município de Tibagi e conhece o trabalho de egressos dos cursos de artesanato em lã e argila do SENAR-PR.

Intercâmbio

A visita ao Brasil faz parte de um acordo internacional firmado pelo Sistema CNA/SENAR com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), ligada ao Ministério das Relações Exteriores, e prevê o desenvolvimento de projetos de segurança alimentar e qualificação rural nos países participantes. Ao todo, 100 técnicos e agrônomos africanos devem passar pelo Brasil até o final deste ano.

imprensa@faep.com.br