Logotipo Sistema FAEP

Data da Publicação: 22/02/2012 - 12h00
Postado em Notícias

22/02/2012 12h00 - Postado em Notícias

Frio prolongado dá novo golpe nas macieiras de Palmas

Este ano será marcado por nova queda na produção de maçã em Palmas, polo produtor da fruta localizado no Cen­­tro-Sul do Paraná. Os fruticultores iniciaram a colheita da variedade Gala, a mais expressiva, há pouco mais de uma semana. Os resultados iniciais indicam que a expectativa de 12 mil toneladas deve ser reduzida em 20% […]

Este ano será marcado por nova queda na produção de maçã em Palmas, polo produtor da fruta localizado no Cen­­tro-Sul do Paraná. Os fruticultores iniciaram a colheita da variedade Gala, a mais expressiva, há pouco mais de uma semana. Os resultados iniciais indicam que a expectativa de 12 mil toneladas deve ser reduzida em 20% a 25%. Ou seja, a produção deve se limitar a 10 mil toneladas – 5 mil a menos do que o volume de 2011.

"As perdas foram causadas pelo frio prolongado, no outono", comenta Josemar Bannach Fonseca, engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral) em Palmas. Para amenizar o quadro, os fruticultures terão de alcançar melhores resultados na colheita da variedade Fuji, que começa nas próximas semanas.
A previsão confirma a decadência da atividade em Palmas, município que já chegou a concentrar de 65% a 70% da produção estadual de maçãs. Na safra passada, a área plantada foi de 520 hectares e foram colhidas 15 mil toneladas da fruta. Neste ano, a área plantada foi reduzida para 450 hectares e a queda na produção pode chegar a 33% em relação a 2011.

Segundo Fonseca, nenhuma providência foi tomada para reverter a situação dos fruticultores, que amargam perdas e acumulam prejuízos. No ano passado, a dívida deles girava em torno de R$ 10 milhões. "Pomares inteiros vêm sendo cortados e o desânimo toma conta dos produtores", comenta o agrônomo. Para ele, a falta de uma política pública voltada ao setor inviabiliza a recuperação da cultura em Palmas.

O município já teve 65 produtores e área plantada de 1.080 hectares. Tanto o número de fruticultores quanto a extensão das plantações foram reduzidos pela metade. "Não houve renovação de pomares, aplicação de recursos e investimentos", relata Fonseca.

Alguns produtores ainda mantêm a produção de maçã como atividade principal, mas a maioria está diversificando e apostando em outras culturas, na pecuária e na agricultura. Desde o ano passado, uma série de discussões apontam para a necessidade de novos investimentos para reanimar a fruticultura.

O preço do quilo da maçã de qualidade está em torno de R$ 0,80 a R$ 1,00 para o produtor. A maioria, entretanto, não atinge qualidade e o preço médio de venda acaba sendo de R$ 0,50, valor considerado baixo. O preço médio está entre 10% e 30% acima dos índices dos últimos anos, que foi de R$ 0,90 de 2008 a 2010. A crise do setor atinge todo o país, uma vez que há excesso de produção nacional. O consumo de maçã no Brasil ainda é pequeno, de cerca de 4 a 5 quilos per capita.
Prejuízo

Granizo afetou safra de SC

Da Redação

O clima foi ruim para os produtores de maçã de Palmas e pior ainda para os de Santa Catarina. As ocorrências de granizo reduziram a colheita em até 60% em São Joaquim, conforme o setor. Em média, a perda pode passar de 43% no estado vizinho, reduzindo a colheita de 660 para 370 mil toneladas.

A situação dos produtores se agrava porque os preços não estão reagindo na mesma proporção, o que confirma a tese de que sobra fruta no mercado. Os produtores esperavam receber cerca de R$ 1,5 por quilo – um terço a mais.

O Sul do país tem sido responsável por mais de 95% da produção nacional de 1,3 milhão de toneladas. Metade da colheita brasileira sai dos pomares de Santa Catarina. O Rio Grande do Sul participa com 46% e o Paraná com 4%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A produção do Paraná, com o recuo da atividade em Palmas, tende a perder expressão. O polo produtivo ainda é responsável por 25% da área plantada no estado. A redução de 50% na produção local deve rebaixar a safra estadual, que havia passado de 55 mil toneladas nos últimos anos.

Além de Paraná e Santa Catarina, o Rio Grande do Sul, que está na fase inicial da colheita, também teme perdas climáticas. Novas projeções devem ser divulgadas nos próximos dias.

Fonte: Gazeta do Povo – 21/02/2012

imprensa@faep.com.br