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Data da Publicação: 21/03/2011 - 12h00
Postado em Notícias

21/03/2011 12h00 - Postado em Notícias

Expedição Safra acompanha produção em Santa Catarina e Rio Grande do Sul

A economista da FAEP Gilda Bozza integrou a expedição e trouxe suas impressões sobre a safra nos dois estados do Sul

O programa Expedição Safra 2010/2011 do jornal Gazeta do Povo, Núcleo de Agronegócio do Grupo Paranaense de Comunicação (GRPcom) e Sistema FAEP, percorreu entre os dias 15 e 18 de março, os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A economista do Departamento Técnico Econômico (DTE) da FAEP Gilda Bozza integrou a expedição, visitando propriedades, cooperativas, indústrias e sindicatos rurais nos municípios de Abelardo Luz, Xanxerê e Campos Novos, em Santa Catarina e Passo Fundo, Não-Me-Toque, Victor Graeff e Cruz Alta, no Rio Grande do Sul. Ela acompanhou a colheita de algumas lavouras e trouxe suas impressões sobre as expectativas de produção e comercialização da safra. Confira abaixo:

Santa Catarina: Abelardo Luz, Xanxerê, Faxinal dos Guedes e Campos Novos

Produção
A colheita da safra catarinense de soja atrasou 30 dias em função das chuvas e está na fase inicial. A produção prevista para a soja é de 1,4 milhão de toneladas e produtividade média estadual de 3.061 kg/hectare (51 sacas). A produtividade da soja varia de 56 a 65 sacas por hectare.  As variedades cultivadas são de ciclo precoce e ciclo médio. Teve caso de mofo branco (esclerotina) que prejudicou o potencial produtivo.  O custo de produção da soja gira no entorno de R$ 1.380,00/hectare. O produtor fez a lavoura com custo barato e colhe safra cheia. É a safra dos sonhos.  

Quanto ao milho, a produção prevista é de 3,4 milhões de toneladas e produtividade média estadual de 6.241 kg/hectare.  Já foram colhidas 40% da produção estimada e a produtividade inicial varia entre 140 a 170/sacas por hectare.  O custo do milho é de R$ 1.680,00 por hectare.  Na região, a área cultivada com milho reduziu de 20 mil para 6 mil hectares, haja vista que o produtor não plantou para fugir da estiagem prevista (La Niña) e os preços tampouco eram animadores.  Os 14 mil hectares migraram para a soja e o feijão. 

O produtor de uma forma geral é tecnificado.  Costuma arrendar muita área, por exemplo, 1 produtor tem 150 hectares de área própria e produz em 500 hectares (350 hectares arrendados).  O preço de arrendamento é de 17 sacas por hectare. A estrutura fundiária da região é de pequenos estabelecimentos (20 a 30 hectares).

Comercialização
Alguns produtores visitados efetuaram venda antecipada com bom preço médio para a soja. Com o preço médio obtido (R$ 42, 00/saca), o produtor pretende pagar o custeio e os financiamentos. A saca de soja acima de R$ 40,00 é considerada rentável para o produtor. Já no caso do milho ainda não comercializaram a safra.
 

Indústria de Fertilizantes
A expedição visitou uma unidade de fertilizantes da Cooperativa Regional Agropecuária de Campos Novos – Copercampos, com produção de 5 mil toneladas.  O processo é de compostagem, o microrganismo vem de Goiás e foi desenvolvido modelo inovador e de qualidade, objetivando a preservação ambiental.  O produto final é NPK granulado, densidade 0,85 em média.   Trata-se de produto ecológico, com biotecnologia baseada em matéria-prima orgânica natural e renovável.  Possui fácil aplicação, baixo custo, uso em pequenas quantidades por hectare.  É a segunda safra que atuam no mercado.

Rio Grande do Sul:  Passo Fundo, Não- me- Toque, Victor Graeff, Cruz Alta

Produção
A produção gaúcha de soja deverá alcançar 10 milhões de toneladas. Já a produção de grãos prevista em 24,3 milhões de toneladas. A colheita está na fase inicial e os rendimentos sinalizam entre 58 a 68 sacas /hectare. A metade sul do Estado sofreu com a estiagem, porém o cultivo de soja e milho não é expressivo economicamente. Havia muita expectativa quanto ao La Ninã e os produtores optaram por cultivares de ciclos mais curtos. Com investimentos sucessivos em insumos, genética e maquinário, os produtores do Rio Grande do Sul devem ter uma das maiores colheitas de grãos da história, com ganhos expressivos de produtividade.  Para a cultura do milho, sinalização de recorde de rendimento em torno de 72 sacas/hectare podendo chegar até 170 sacas/hectare, o que  deverá compensar a redução de área. A redução de área foi de 5%.

O Rio Grande do Sul apresentou dois cenários diferenciados. De um lado, produtores que não sofreram com a seca e boa rentabilidade e de outro, produtores que sofreram com a estiagem e produtividade baixa.  Nestas áreas o  produtor conviveu com a seca de final de dezembro até janeiro. Com isso, a produtividade foi de 40 sacas por hectare. O número de vagens por pé ficou em 10 vagens quando o normal é entre 40 a 50 vagens.   Já na propriedade com clima normal a produtividade foi de 60 sacas por hectare. O produtor faz rotação de cultura e planta trigo no inverno.  O custo estimado para insumos e  sementes entre 15 a 16 sacas de soja. 

Comercialização
A maior parte dos produtores vendeu antecipadamente, no entorno de 35%, com preço entre R$ 40,00 a 50,00 por saca. Os preços em alta e custos em baixa sinalizam que este será um ano de rentabilidade para quem cultiva grãos e garantir maior fôlego ao produtor, que em fevereiro recebia R$ 43,00/saca, em média. Os preços das commodities no mercado mundial acompanham a trajetória do capital financeiro especulativo, que voltou a apostar nas bolsas de mercadorias.  O mercado do milho se apresenta promissor, com preços médios de R$ 23,60 pela saca, eram R$ 15,55/saca no mesmo período do ano passado. Além do preço e da produtividade, que devem garantir maior fôlego ao produtor, aspectos como demanda interna aquecida e exportações ocorrendo num ritmo satisfatório – mesmo com o câmbio trabalhando contra – completam o cenário otimista para quem investiu no cereal.

Cotrijal
A Cotrijal – Cooperativa Agropecuária e Industrial, com sede em Não-Me-Toque, no norte gaúcho, fez da adoção da tecnologia, do aumento de produção e produtividade, o tripé da agricultura moderna.  A produtividade média aguardada para o milho  é de  170 a 180 sacas por hectare (10.500 kg/hectare) contra 172 sacas/hectares na safra passada (10.320 kg/hectare). Já a média estadual é de 4.700 kg/hectare.  No caso da soja, os cooperados colhem  65 sacas por hectare (3.900 kg/hectare) contra 53 sacas/hectare (3.180 kg/hectare) da safra 2009/10.  A média estadual é de 2.540 kg por hectare.

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