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Data da Publicação: 12/07/2011 - 12h00
Postado em Notícias

12/07/2011 12h00 - Postado em Notícias

Consumo global de lácteos deve crescer 30% até 2020

A demanda por produtos lácteos líquidos no mundo deve crescer 30% entre 2010 e 2020, de acordo com o Tetra Pak Dairy Index, pesquisa global sobre tendências de consumo na indústria de leite divulgada ontem. A projeção é que o consumo dos chamados LDP (do inglês liquid dairy products) saia de 270 bilhões de litros […]

A demanda por produtos lácteos líquidos no mundo deve crescer 30% entre 2010 e 2020, de acordo com o Tetra Pak Dairy Index, pesquisa global sobre tendências de consumo na indústria de leite divulgada ontem.

A projeção é que o consumo dos chamados LDP (do inglês liquid dairy products) saia de 270 bilhões de litros no ano que passou para 350 bilhões de litros em 2020. "Esse aumento deve ocorrer graças ao crescimento econômico nos mercados emergentes, especialmente a Ásia", disse Dennis Jönsson, CEO e presidente do grupo Tetra Pak, em teleconferência com jornalistas.

Os chamados LDP incluem leite e outros produtos lácteos líquidos, como iogurte, leite condensado e leite aromatizado.

A pesquisa realizada pela líder mundial em embalagens longa vida mostra que o consumo de lácteos líquidos crescerá em quase todas as regiões do mundo, à exceção da Europa Ocidental, onde deve ficar praticamente estável. O avanço deve ser puxado pela Ásia, especialmente Índia e China. "Em 2020, China e Índia devem responder por mais de 30% do consumo mundial desses produtos", afirmou Jönsson.

    Apesar de demanda crescer nos mercados emergentes, consumo per capita ainda é maior nos desenvolvidos

As razões para o aumento do consumo nesses países são o crescimento da população e da economia e a urbanização, elencou o CEO da fabricante sueca de embalagens longa vida.

Segundo a pesquisa, a demanda por lácteos líquidos deve aumentar quase 45% na região Ásia-Pacífico, de 140 bilhões de litros em 2010 para 200 bilhões de litros em 2020. Também crescerá de forma expressiva na África no período, de 15 bilhões para quase 25 bilhões de litros. No caso da América Latina, sairá de 25 bilhões de litros para mais de 30 bilhões de litros, conforme o levantamento.

Na América do Norte, a estimativa é de que o consumo de lácteos líquidos alcance 40 bilhões de litros em 2020, 5 bilhões a mais que no ano passado. Na Europa Ocidental, a previsão é que saia de 33,75 bilhões de litros em 2010 litros para 35 bilhões de litros em 2020.

Ainda que a demanda por lácteos líquidos cresça nos emergentes, a Europa Ocidental e a América do Norte, mercados mais maduros, com menos potencial para incrementos, devem seguir com o maior consumo per capita. São 80 litros por ano ante 45 litros consumidos na Ásia, por exemplo.

O Tetra Pak Dairy Index também revela que a venda de leite envasado deve ultrapassar pela primeira vez a de leite cru nos países em desenvolvimento. O percentual deve sair de 51% em 2010 para 45% em 2014 e 30% em 2020. O comércio de leite cru é muito comum em países como Índia, Paquistão e Bangladesh, diz a pesquisa, onde "leiteiros" carregam o produto em latões de metal em bicicletas ou motocicletas, das fazendas e o vendem pelas cidades.

A mudança prevista reflete o crescimento econômico e a urbanização nos países emergentes, principalmente a Índia. Revela ainda um aumento da preocupação com a segurança alimentar por parte do consumidor, observou Dennis Jönsson. Outra questão que ganha importância, diz ele, é a sustentabilidade da produção do setor.

A China, onde o crescimento econômico acelera a urbanização, terá um aumento de 40% na demanda por produtos lácteos entre 2009 e 2013, para 35 bilhões de litros, segundo a pesquisa. Apesar dos problemas que o país tem enfrentado em relação à qualidade dos produtos lácteos, a demanda deve seguir avançando nos próximos anos. Segundo Jönsson, o consumo per capita no país deve aumentar 6 litros entre 2010 e 2013, para 26 litros.

A expectativa também é de que o avanço do mercado para lácteos no Brasil prossiga. "O Brasil teve um crescimento forte nos últimos anos e isso deve continuar, principalmente em regiões onde o consumo é menor [que o do resto do país], como o Nordeste", disse o executivo, acrescentando que há vários investimentos em curso no setor no Brasil.

Só neste ano, o consumo do chamado leite branco (líquido ou em pó) deve aumentar 2% a 3% no Brasil, sobre os 10,5 bilhões de 2010, segundo Eduardo Eisler, vice-presidente de estratégia de negócios da Tetra Pak do Brasil. A demanda por iogurtes líquidos e leite condensado também voltará a crescer. "Há uma maior massa salarial e a migração de consumidores da classe D para a C", afirma, justificando a perspectiva de maior consumo.

Além de ganhar novos consumidores, também há uma maior demanda por produtos de maior valor agregado no setor de lácteos, observa o executivo.

Na avaliação de Eisler, não fossem as recentes medidas de restrição de crédito tomadas pelo governo, o crescimento da demanda por produtos lácteos no país seria mais expressivo.

A Tetra Pak prevê um aumento de 4% na produção de embalagens longa vida este ano no Brasil para todas as categorias (lácteos e sucos). No ano passado, foram 11 bilhões de unidades.

Alta de matéria-prima pode elevar preços do leite longa vida no país

A alta dos preços do leite aos produtores em decorrência do clima adverso – seca prolongada no Sudeste e Centro-Oeste e frio excessivo no Sul – e dos maiores custos de produção deve levar as indústrias de leite longa vida a reajustarem seus preços.

Em junho (pagamento referente ao produto entregue em maio), o leite ao produtor alcançou um preço médio de R$ 0,814 por litro no país. No pagamento anterior, ficara em R$ 0,799 por litro, conforme levantamento da Scot Consultoria.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa (ABLV), Laércio Barbosa, os preços do leite longa vida no mercado subiram cerca de 10% do início do ano – período de safra – até maio. Então, ficaram os dois últimos meses estáveis, negociados por R$ 1,70 a R$ 1,80, em média, no atacado do país.

Com a elevação do preço da matéria-prima por conta da menor captação de leite pelas indústrias, a tendência é de nova alta, na casa dos 10% até setembro quando se inicia a safra nas principais bacias leiteiras do país, prevê Barbosa.

Citando o índice de captação de leite Cepea/Esalq, o dirigente lembra que em maio a produção nacional caiu 2% em comparação com mês anterior.

Além de a produção no Sul do país – que está em período de safra – ter ficado abaixo do esperado, Barbosa observa que o consumo de lácteos de uma maneira geral segue firme. (AAR)

Fonte:Valor Econômico – Alda do Amaral Rocha

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