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Data da Publicação: 24/02/2012 - 12h00
Postado em Notícias

24/02/2012 12h00 - Postado em Notícias

Brasil vai questionar aumento de 45% das importações de leite em pó

Produtores desconfiam de triangulação de leite subsidiado para o Mercosul

O aumento de 45% das importações de leite em pó nos últimos meses, de cerca de 6,6 mil toneladas mensais – volume registrado até novembro de 2011 — para 9,6 mil toneladas/mês contabilizados em dezembro, janeiro e fevereiro preocupa o setor e pode render uma denúncia por parte da Câmara de Comércio Exterior contra o Uruguai. "Estamos desconfiados que esteja havendo uma triangulação do produto", diz Jorge Rubez, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Leite Brasil). As compras estão acontecendo principalmente na Argentina e no Uruguai. A Argentina tem um acordo com o Brasil para enviar 3,6 mil toneladas por mês e não alterou as vendas no último trimestre, mas o Uruguai que vendia uma média de 3 mil toneladas mensais, a partir de dezembro passou a exportar 6 mil toneladas.

"O Uruguai tem uma produção menor que a do estado de São Paulo, de cerca 1,2 bilhão de litros por ano e não há muito excedente de produção para que ele aumente assim as vendas externas. Suspeitamos que ele esteja recebendo o produto de países que subsidiam a produção e reenviando para o Brasil", diz Rubez, que já conversou com Rodrigo Alvim, presidente da Câmara Setorial de Leite e Derivados sobre a possibilidade de fazer uma denúncia contra o Uruguai. "O país se recusa a fazer um acordo com o Brasil definindo um volume de exportação", conta.

No ano passado as importações brasileiras de leite em pó somaram 1 bilhão de litros, que foram absorvidos no mercado interno, uma vez que o setor brasileiro cresceu apenas 1% — em comparação com o crescimento dos últimos anos de cerca de 4% ao ano. Este ano, no entanto, o setor deve voltar a crescer entre 3% e 4%. "O problema do aumento repentino das importações é a prática desleal de comercio com os 1,3 milhões de produtores brasileiros de leite, que tiveram o custo de produção elevado em 24% no ano passado, mais ainda assim são os mais competitivos do mundo", diz Rubez.

Fonte: Globo Rural –  Luciana Franco

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