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Data da Publicação: 17/08/2011 - 12h00
Postado em Notícias

17/08/2011 12h00 - Postado em Notícias

Bananicultores reagem contra importação e se reúnem com ministro

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, recebe nesta quarta-feira (17) representantes da cadeia produtiva da banana para discutir a proposta de importação do produto e o prejuízo para os produtores nacionais. A informação foi repassada, na tarde desta terça-feira, em primeira mão para o Correio do Litoral.com pelo deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR). O deputado disse […]

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, recebe nesta quarta-feira (17) representantes da cadeia produtiva da banana para discutir a proposta de importação do produto e o prejuízo para os produtores nacionais. A informação foi repassada, na tarde desta terça-feira, em primeira mão para o Correio do Litoral.com pelo deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR).

O deputado disse que, se necessário, apresentará um requerimento na Comissão de Agricultura da Câmara Federal para evitar o prejuízo aos bananicultores.

"Sempre me apresentei contrário a importação de produtos agrícolas, notadamente daqueles que a produção em nosso país é suficiente para atender o mercado ou que temos condições favoráveis de produção e geração de emprego. É o caso da banana, uma das frutas mais consumidas por aqui", disse o deputado ao Correio.

"É bom lembrar que a bananicultura tem grande importância no agronegócio brasileiro: são sete milhões de toneladas anuais de banana produzida, o país é o quarto maior produtor mundial e a agricultura familiar é responsável pela maior parte da produção. É, também, uma das culturas preferidas em projetos públicos de irrigação, devido à amplitude do mercado e ao retorno rápido de capital após o primeiro ciclo. Embora o país não seja um grande exportador – apenas 3% de sua produção vai para o mercado externo – a banana tem enorme importância na geração de renda e na fixação do homem no campo", afirmou o deputado.

"É uma atitude temerária a autorização para importação da banana do Equador. Antes de tomar uma decisão dessa natureza é necessário que antes seja ouvido o Ministério da Agricultura, a Embrapa, para evitar antes de tudo a vinda de doenças não existentes por aqui. É preciso muita cautela. Não se deve esquecer da sigatoka negra doença que quase dizimou a bananicultura no mundo. Estou disposto a apresentar um requerimento na Comissão de Agricultura da Câmara Federal convocando os autores dessa ideia para explicarem o motivo dessa importação. Meu sentimento é de que os preços da banana continuam  praticados a preços de banana e não a preço de ouro. Portanto, sou contra a importação da banana do Equador ou de qualquer outro país por questões sanitárias e de desemprego", completou.

Importação de banana preocupa produtores do Litoral

A ideia de importar banana do Equador foi manifestada pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota.

Se for concretizada, vai causar um grande prejuízo ao Litoral do Paraná.

A banana é um dos principais produtos agrícolas da região, que responde por quase 80% da produção da fruta no Estado. A bananicultura é uma das a principais atividades agrícolas do litoral paranaense –  e o principal de Guaratuba, um dos maiores produtores em todo o Brasil.

Segundo o Emater-PR (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural) Guaratuba produz por ano mais de 80 mil toneladas. A área cultivada pelas 480 famílias que se dedicam à atividade é de 3,2 mil hectares. Mais de 2 mil pessoas estão envolvidos de forma direta ou indireta com este negócio no município. A banana também é produzida no Litoral Norte do Paraná, de maneira menos intensiva que em Guaratuba.

Os produtores também apontam riscos na área da saúde pública em relação à qualidade da banana que pode entrar no país, além de novas pragas com a possível importação da fruta do Equador. A minuta normativa de importação aponta que o produto que entrará no mercado brasileiro será de 3ª e 4ª categoria. Segundo os bananicultores, a importação trará o risco de entrada no Brasil de doenças inexistentes no produto nacional, como o Moko Bacteriano. Enquanto a banana produzida no Paraná e Santa Catarina recebe em média sete aplicações anuais de fungicidas, no Equador são 70 aplicações.

Fonte: Correio do Litoral – Gustavo Aquino

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