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Data da Publicação: 28/02/2012 - 12h00
Postado em Notícias

28/02/2012 12h00 - Postado em Notícias

Aumento de perdas com soja reduz em 23% a estimativa da safra de verão

A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) do Paraná reavaliou os impactos causados pela estiagem que castigou o Estado desde o final do ano passado até meados de fevereiro e constatou um aumento dos prejuízos, principalmente nas lavouras de soja. Com isso, a estimativa para a safra de verão foi revista de 22,34 milhões […]

A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) do Paraná reavaliou os impactos causados pela estiagem que castigou o Estado desde o final do ano passado até meados de fevereiro e constatou um aumento dos prejuízos, principalmente nas lavouras de soja. Com isso, a estimativa para a safra de verão foi revista de 22,34 milhões para 17,3 milhões de toneladas de grãos – uma redução de 23%.

Juntas, as principais culturas de verão – soja, milho e feijão da primeira safra – somam perdas de 5,03 milhões de toneladas. A soja responde por 68% desse volume. No total, o prejuízo financeiro foi de R$ 3,29 bilhões.

Apesar da queda de produção, o levantamento de safra do Departamento de Economia Rural (Deral) para o ano de 2012, divulgado nesta segunda-feira (27), aponta para uma safra total de grãos de 30,57 milhões de toneladas de grãos, a quarta melhor da história do Estado. Esse levantamento apresenta a primeira estimativa de produção para o trigo e a segunda para o milho safrinha, culturas cujo plantio está em andamento e que podem compensar em parte os prejuízos acumulados durante a safra de verão.

O secretário Norberto Ortigara disse que o governo do Estado lamenta os prejuízos causados aos agricultores e à economia do Estado e se mantém solidário à força do produtor rural que já está plantando a segunda safra de grãos, com o objetivo de compensar em parte os prejuízos que teve durante a primeira safra. "Esperamos que o esforço do produtor paranaense seja compensado com preços melhores na hora da comercialização", disse o secretário.

Ortigara lembrou também que o governo do Estado vem implementando um pacote de medidas para amenizar parte dos prejuízos dos agricultores, incluindo a liberação de R$ 3,6 milhões para compra de sementes de milho para os agricultores familiares. Outra medida adotada foi a destinação de R$ 21,5 milhões para a implantação de sistemas comunitários de abastecimento de água (poços artesianos, reservatórios e redes).

MILHO SAFRINHA – De acordo com o diretor do Deral, Otmar Hubner, para a segunda safra a opção do produtor paranaense recai preferencialmente sobre o plantio do milho safrinha, que pode ocupar quase 2 milhões de hectares – a maior área já ocupada com a cultura nesse período do ano. A produção de milho safrinha também deverá ser recorde: 9,6 milhões de toneladas. Porém, Hubner ressalta que o desempenho está condicionado às condições climáticas daqui para frente.

De acordo com a engenheira agrônoma Margorete Demarchi, do Deral, as chuvas dos últimos dias estão favorecendo a atividade rural e o produtor está intensificando o plantio para tentar escapar do período de geadas.

Segundo a técnica, apesar do risco o produtor optou pelo plantio do milho safrinha porque o grão tem mais liquidez na hora da venda e os preços estão compensando os investimentos, ao contrário do trigo, que na última safra frustrou as expectativas com queda de preço e falta de liquidez no período da comercialização.

Para 2012 o Deral prevê uma área ocupada de 891.310 hectares com trigo, uma queda de 15% em relação ao ano passado. Se forem mantidas as condições normais de clima durante o desenvolvimento da cultura, a produção de trigo poderá superar ligeiramente, em cerca de 4%, o resultado do ano passado e com isso poderá atingir um volume de 2,51 milhões de toneladas

Hubner diz que a estiagem que atingiu o Paraná desde a segunda quinzena de novembro e se prolongou até meados de fevereiro em alguns municípios do Estado foi severa. O fenômeno foi provocado pelo fenômeno climático La Niña. Para Hubner, os prejuízos só não foram maiores graças ao esforço do produtor paranaense que ano após ano vem aperfeiçoando o uso de tecnologias, com a utilização de sementes mais produtivas e adoção de práticas conservacionistas e de proteção do solo e da água.

CULTURAS DE VERÃO – O levantamento do Deral informa que foram plantados 4,38 milhões de hectares de soja e a produção apontava para uma colheita de 14,13 milhões de toneladas. Com a estiagem, o volume esperado caiu para 10,72 milhões de toneladas, uma redução de 24% na produção, que está resultando num prejuízo de R$ 2,54 bilhões aos produtores.

A região mais prejudicada foi a Oeste, cujas perdas com a soja corresponderam a 37% da produção regional de grãos. Em volume, foram perdidas 1,47 milhão de toneladas de soja no Oeste. Em seguida, a região Norte do Estado teve 759 mil toneladas de soja perdidas, seguida da região Sudoeste, com 468 mil toneladas, e do Centro Oeste com 316 mil toneladas de soja perdidas.

As perdas ocorridas com a soja foram agravadas pelo prolongamento da estiagem, principalmente na faixa Oeste do Paraná, somente amenizada com as chuvas dos últimos dias.

O milho da primeira safra, plantado durante a primavera de 2011, também teve perda expressiva. A estimativa de produção, inicialmente de 7,59 milhões de toneladas, foi reduzida para 6,04 milhões de toneladas, uma perda de 1,55 milhão de toneladas (20,4%). O prejuízo apurado até agora foi de R$ 604,18 milhões.

Outro produto penalizado pela estiagem foi o feijão da primeira safra, que teve quebra de produção de 19%. A estimativa foi reduzida de 434.987 toneladas para 352.187 toneladas – queda que representa um prejuízo de R$ 139,25 milhões aos produtores. No caso do feijão, o aumento nos preços está compensando parte das perdas.

Fonte: Seab

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