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Data da Publicação: 19/11/2010 - 12h00
Postado em Notícias

19/11/2010 12h00 - Postado em Notícias

Agriculture.com Express

16 de novembro de 2010: Nesta edição USDA declara aberta a batalha por área nos EUA A China dá as cartas no mercado de commodities O mercado da soja e a morte do cavalo Safra 2011/12: Disputa por área começa agora Brasil destrava plantio da soja USDA declara aberta a batalha por área nos EUA […]

16 de novembro de 2010: Nesta edição

  1. USDA declara aberta a batalha por área nos EUA
  2. A China dá as cartas no mercado de commodities
  3. O mercado da soja e a morte do cavalo
  4. Safra 2011/12: Disputa por área começa agora
  5. Brasil destrava plantio da soja

USDA declara aberta a batalha por área nos EUA

Em relatório divulgado na semana passada, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) anunciou na semana passada que as safras de milho e soja do país são menores do que o previsto há um mês. Mas a demanda internacional segue mais firme do que nunca. Esse descompasso dá início a uma batalha que só deve ser encerrada na primavera de 2011.

"A disputa entre soja e milho por área vai durar todo o inverno. Neste momento, é mais rentável plantar o milho do que soja, mas temos que ter cuidado para não plantar demais", diz Don Roose, analista de mercado do US Commodities, de West Des Moines, Iowa.
No campo, os agricultores estão otimistas. Acreditam que podem aumentar tanto o plantio de milho e quanto o de soja para saciar o crescente consumo doméstico e global.

"A combinação de demanda da China e a pior seca em mil anos na Rússia mudou radicalmente os fundamentos do mercado de grãos", escreve o analista Alan Kluis. "Para os produtores norte-americanos, os preços elevados e a necessidade ampliar a produção mundial de milho, soja e trigo pode render bons lucros para quem for capaz de obter bons rendimentos e controlar seus custos", prevê.

CONJUNTURA

A China dá as cartas no mercado de commodities

Após a notícia de que a China irá elevar sua taxa de juros para esfriar a economia, na última sexta-feira, os preços das commodities despencaram em todo o mundo. Na Bolsa de Chicago, soja e milho encerraram o pregão no limite de baixa (70 e 30 pontos, respectivamente). O arroz, também com queda máxima, recuou 50 pontos. O açúcar sofreu um baque de 23% em apenas um dia. O índice CRB, que acompanha a evolução de 19 matérias-primas, caiu 2%.

Isso destaca o poder que a China exerce sobre os mercados de commodities.
O país asiático é o maior consumidor de energia (ultrapassou os EUA em setembro), consome 50% da carne de porco do mundo, é o maior importador de soja, óleo e farelo do mundo, além do maior esmagador do grão. Foi o principal responsável pelo crescimento do comércio global da oleaginosa na última década e recentemente começou a vender grande parte de seus estoques de milho para tentar segurar a valorização recorde dos preços internos.

Para Ann Frick, analista da Prudential Bache, o crescimento da demanda chinesa causa preocupação com relação à oferta mundial de oleaginosas. O temor é que a produção do complexo soja não seja capaz de alimentar a demanda, liderada pela China. "Portanto, quando há expectativas de mercado que a China tomará medidas para manter os preços sob controle – seja através da venda de reservas, do aumento da taxa de juro ou do controles de atividades ou segmentos do mercado – isso tem um impacto muito poderoso sobre o mercado."

Jason Ward, da Northstar Commodities Investment, considera que a influência da China sobre os mercados de grãos tende a continuar grande porque o país não produz o suficiente para alimentar a sua população. "Eles serão sempre chave do lado da procura. E nós, como exportadores, como devemos estar atentos a tudo que acontece lá", diz. Tim Hannagan, analista sênior da PFGBest.com, lembra que a China tem 22% da população mundial, mas apenas 7% das terras agricultáveis do mundo. "Os EUA serão a principal mercearia da China nos próximos anos."

MERCADO
 

O mercado da soja e a morte do cavalo

O comportamento do mercado de soja nas últimas semanas me lembra uma história sobre dois agricultores que negociavam entre si um velho cavalo repetidas vezes. Cada vez que o animal mudava de mãos o preço subia. Até o dia em que um terceiro fazendeiro comprou o cavalo por um milhão de dólares. O agricultor que comprou o cavalo por dez dólares na primeira vez ficou furioso com o seu vizinho por ter terminado o jogo. O primeiro fazendeiro respondeu que o cavalo morreria logo e que os dois estariam fora do negócio de qualquer maneira.

Após a semana passada, me pergunto se o cavalo morreu durante a noite no mercado de soja. A reação ao relatório do USDA foi otimista. Mas, em algum momento, todas as mercadorias, inclusive a soja, atingem um nível de preços em que os consumidores não podem mais pagar pelo produto, a morte do cavalo. Costumava usar o exemplo do mercado de prata em 1980, que atingiu US$ 40 por onça. Recentemente, tenho comparado a morte do cavalo à soja em 2008, que bateu em US $ 16, e o milho, que foi a mais de US $ 7 por bushel. Não eram níveis de preços realísticos. Mas, com os fundamentos de hoje, não sei mais quanto é alto demais.

Minha experiência mostra que geralmente os preços não despencam após o pico. O mercado dá aos agricultores uma segunda, terceira e até quarta chance para venda preços bons antes de cair. Então, se você ainda não aproveitou as altas recentes, chegou a hora da decisão. Mas lembre-se que da mesma maneira que os preços subiram mais de US$ 1,50 por bushel em menos de duas semanas, podem cair na mesma velocidade. Ainda me recordo da primeira semana de dezembro de 1980, quando a soja fechou no limite de baixa por sete dias consecutivos. Antes disso, o mercado havia batido três máximas. Então, esteja pronto para tomar decisões rapidamente. Não seja do dono do cavalo quando ele morrer!

BLOG

Safra 2011/12: Disputa por área começa agora    

A colheita foi rápida nesta temporada, dando a muitos agricultores a oportunidade de antecipar o preparo da terra para o próximo verão. Com os preparativos em andamento, começam também as especulações sobre o plantio. Alguns analistas já apostam em aumento da área de milho na safra 2011/12 nos Estados Unidos. Mas os preços remuneradores podem empurrar muitos produtores para a soja no próximo ciclo.

Na semana passada, a consultoria privada Informa Economics aumentou sua estimativa para o plantio de milho nos EUA em 2011/12. A empresa prevê 37,68 milhões de hectares para o cereal, um aumento de 1,09 milhões de hectares ante a projeção anterior, de setembro e de 5,6% sobre os 35,69 milhões de hectares semeados em 2010/11. Para a soja, a consultoria estima plantio de 30,68 milhões de hectares, 0,65 milhão de hectares menor do que o previsto em setembro e 2,4% a menos que os 31,44 milhões de hectares do ciclo anterior.

"O rendimento do milho foi decepcionante na última safra. Vou plantar mais soja", diz um agricultor. "Geralmente sigo o sistema de rotação, mas neste ano talvez plante um pouco de milho sobre milho. Ainda não decidi", rebate outro. "Pretendo plantar mais milho, mas posso mudar de idéia e aumentar a área de soja. Tenho até a primavera para decidir", resumo outro produtor. Acompanhe a discussão no blog do Agriculture.com e dê a sua opinião.

AMÉRICA DO SUL

Brasil destrava plantio da soja
 

Aproximadamente um terço da safra brasileira de soja foi plantada até agora. Apesar de evoluir em linha com a média no Brasil, o plantio está adiantado no Sul e atrasado no Centro-Oeste do país. No Paraná, os trabalhos já estão na reta final, muito à frente do ritmo normal. Em Mato Grosso, por outro lado, a semeadura ainda está atrasada. No Centro-Oeste, um início atrasado da safra de soja não significa necessariamente que os rendimentos da oleaginosa serão prejudicados, mas pode afetar a segunda safra de milho.

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